Quando o cenário exige mais da comunicação. Há momentos em que trabalhar com comunicação pública deixa de ser apenas uma função técnica e passa a ser, na prática, um exercício diário de responsabilidade.
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Especialmente quando o ambiente exige mais do que divulgação: exige leitura de cenário, equilíbrio e, acima de tudo, consciência sobre o impacto de cada decisão —
inclusive das não decisões.
Nas últimas semanas, vivemos um desses momentos. Situações que ganham espaço público naturalmente pressionam a comunicação institucional. Não apenas pelo
conteúdo em si, mas pela expectativa que se cria em torno de respostas, posicionamentos e clareza. É nesse contexto que o papel da comunicação se torna ainda
mais evidente — e também mais desafiador.
Comunicar em tempos de normalidade é importante. Mas comunicar em tempos de tensão é o que realmente define a maturidade de uma estrutura pública.
E é justamente vivendo esse tipo de cenário, por dentro, que a gente passa a entender que comunicação não é apenas o que se publica. É o que se decide. É o tempo da resposta. É o cuidado com a informação. É a responsabilidade de não ampliar ruídos, mas também de não ignorá-los. Não existe fórmula pronta. Existe critério.
Entre a prática e o discurso
E talvez seja justamente aí que a comunicação pública deixa de ser teórica e passa a ser real.
Porque é muito diferente falar sobre transparência, posicionamento e conexão quando tudo está sob controle.
O desafio aparece quando o ambiente muda, quando surgem questionamentos e quando a expectativa da população cresce. É nesse momento que a comunicação precisa sair do automático.
Não para reagir de forma impulsiva, mas para agir com consciência.
Entender o cenário, avaliar o impacto e, principalmente, reconhecer que a ausência de posicionamento também comunica. Quem vive a rotina da gestão sabe que nem tudo é imediato. Há processos, há limites institucionais, há cuidados necessários. Mas há também um ponto que não pode ser ignorado: a percepção pública não espera.
O peso de representar
Em meio a esse contexto, surge uma oportunidade que carrega um significado ainda maior. Nos próximos dias, estarei participando como palestrante do 9º Congresso
Catarinense de Cidades Digitais e Inteligentes, em Balneário Camboriú, integrando o painel “Comunicação Pública que Conecta”.
Mais do que um evento, o congresso se consolidou como um dos principais encontros do estado quando o assunto é inovação no setor público. Reúne gestores, técnicos e profissionais que lidam diretamente com os desafios de modernizar a administração e aproximar o poder público da população.
Dividir esse espaço com outros profissionais é, sem dúvida, uma responsabilidade. Mas também é uma oportunidade de troca. Porque a comunicação pública não se constrói apenas com planejamento — ela se constrói com vivência.
E falar sobre comunicação enquanto se vive, na prática, um momento sensível dentro da própria estrutura pública, muda completamente a perspectiva. Tira o discurso do campo teórico e leva para um lugar mais verdadeiro.
Comunicação que realmente conecta
O tema do painel não poderia ser mais atual. Falar em “comunicação que conecta” vai muito além de presença digital ou produção de conteúdo. Conexão exige coerência. Exige consistência. Exige postura.
Hoje, a forma como uma gestão se comunica impacta diretamente na forma como ela é percebida. Não basta fazer. É preciso saber explicar. Não basta entregar. É preciso saber mostrar. E, quando necessário, é preciso saber se posicionar.
Ao longo da programação, diferentes profissionais irão compartilhar experiências sobre inovação, gestão e relacionamento com o cidadão. Isso reforça o quanto a comunicação deixou de ser um setor de apoio e passou a ser parte estratégica da gestão pública.
Participar desse ambiente, levando a realidade de um município como São Ludgero, também é uma forma de mostrar que cidades menores estão inseridas nesse debate. Que enfrentam desafios reais, mas também buscam evoluir. O que fica desse momento No fim, a comunicação pública é um processo em construção constante.
Não existe cenário ideal. Existem contextos — e a forma como se escolhe lidar com eles.
Representar o município em um evento como esse, especialmente em um momento onde o tema comunicação se torna ainda mais sensível, não é apenas uma oportunidade profissional. É uma responsabilidade. Porque, no fim, comunicar não é apenas falar. É saber quando falar, como falar — e entender o peso que isso carrega.
Entrelinhas do Vale
Misael de Mello Elias é comunicador e diretor-geral de Comunicação da Prefeitura de São Ludgero, atuando na aproximação entre poder público e população por meio de uma comunicação clara e acessível. Também é vice-coordenador da Câmara Técnica de Comunicação da Amurel, palestrante sobre comunicação pública e colunista de alguns portais da região do Vale de Braço do Norte Jornal Cidade. Em seus conteúdos, aborda bastidores da gestão, cotidiano regional e a importância de uma comunicação eficiente, trazendo uma visão prática de quem vive a notícia.
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