Prefeito Agnaldo Filippi - Foto: Divulgação Não tenho amizade próxima com o prefeito de Pedras Grandes, Agnaldo Filippi. Nossos contatos se resumem a encontros ocasionais em eventos e algumas entrevistas. E começo por aqui justamente para deixar claro algo que considero essencial. Faço elogio, quando é justo. Isso não nasce de relação pessoal, mas de observação.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
Também faço questão de registrar outro ponto importante. Não sou jornalista de ar-condicionado, de gabinete ou de escritório. Sou de ir a campo, de rodar a região, de ver com os próprios olhos e conversar com as pessoas. E essa postura, inclusive, já me levou no passado a fazer críticas ao próprio prefeito, quando considerei que algumas posições e decisões mereciam questionamento. Nunca tive dificuldade em apontar erros — de quem quer que seja.
Sempre defendi — e sigo defendendo — que a verdade precisa ser dita, goste quem gostar. Quando há erros, eles precisam ser apontados. Quando há acertos, também. E, neste caso, o reconhecimento é espontâneo.
Há muito tempo passo por Pedras Grandes. Inclusive recentemente, à noite, quando retornava do Oeste do Estado. E é impossível não notar a transformação do município. Quem conheceu a cidade alguns anos atrás lembra bem.
O acesso era limitado, com trechos longos de calçamento, sem a mínima identidade urbana. Chegava-se ao município sem sequer perceber que se estava entrando em uma cidade.
Hoje, o cenário é outro. Há asfalto, iluminação pública eficiente, calçadas que oferecem segurança para quem caminha e, principalmente, uma sensação clara de organização urbana.
Pedras Grandes passou a ter cara de cidade — e isso não é detalhe. Isso muda a autoestima da população, melhora a mobilidade, valoriza o espaço público e cria um ambiente mais acolhedor para moradores e visitantes.
Mas não é só infraestrutura. O município ganhou identidade. Ganhou charme. Uma cidade pequena, mas com simpatia, cuidado estético e uma pegada que dialoga diretamente com o desenvolvimento turístico. Esse é um mérito que precisa ser destacado.
O trabalho do atual prefeito, ao longo de seus já cinco anos de governo — período que inclui a reeleição — elevou Pedras Grandes a um novo patamar. Não se trata de propaganda, nem de alinhamento político. Trata-se de constatação.
Talvez o próprio prefeito se surpreenda ao ler este editorial. Mas, quando o trabalho é bem feito, o reconhecimento é não apenas justo, mas necessário. Pedras Grandes mudou. E mudou para melhor.
Há um ponto que a direita brasileira ainda não foi capaz de encarar com maturidade. A eleição passada não foi vencida por Lula, foi entregue pelo time do então presidente Bolsonaro. E a derrota não veio apenas das urnas, mas dos próprios erros cometidos dentro do campo conservador.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
Na reta final da campanha, vimos cenas que afastaram eleitores moderados e deram munição à esquerda. Aliados do então presidente protagonizaram episódios graves, como o caso da ex-deputada Carla Zambelli, que saiu armada pelas ruas apontando uma arma para civis.
O ex-deputado federal, Roberto Jefferson, foi além, atirando contra policiais em uma cena que chocou o país. Esses fatos não foram isolados — eles evidenciaram falta de controle, de estratégia e de responsabilidade política.
O próprio Bolsonaro, que apesar de sempre ter governado dentro das quatro linhas da Constituição, acabou se perdendo em falas durante o seu governo. A política, goste-se ou não exige sangue frio. Quando se perde isso, as urnas não perdoam.
Com olhar à próxima disputa, um nome vinha sendo visto como o mais competitivo da direita. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reúne apoio do mercado financeiro, simpatia do centrão e respeito de uma parcela relevante do eleitorado conservador. É o projeto mais viável para enfrentar a esquerda com chances reais.
Mas a direita foi, mais uma vez, surpreendida. A insistência do entorno do bolsonarismo em empurrar um dos filhos do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, mostrou que a ideia de renovação é muito mais discurso do que prática. A tentativa de transformar o movimento em um projeto familiar é um erro estratégico gigantesco.
Isso passa uma mensagem clara de que a direita parece disposta a entregar a eleição de novo. Não por força de Lula, mas por fraqueza própria.
Se Lula se mantiver como candidato — e tudo indica que será — ele entrará na disputa em um cenário viável. Não porque seja imbatível, mas porque o outro lado não consegue se organizar. Falta união.
Bolsonaro teve seus méritos. Elegeu uma bancada forte, puxou nomes importantes, fortaleceu o PL. Mas nenhum país sério constrói futuro com base em dinastias políticas. O Brasil não precisa de famílias se perpetuando no poder, precisa de instituições fortes e lideranças com visão de Estado.
Enquanto a direita insistir em personalismo, em sobrenomes e em brigas internas, continuará perdendo. E não será por mérito do adversário. Será por culpa própria. Porque a política, no fim das contas, não perdoa amadorismo.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.