Vivemos em um mundo que parece cada vez mais moldado por filtros — não apenas os das câmeras, mas os da própria alma. As redes sociais se transformaram em vitrines de uma felicidade encenada, onde o amor é declarado em posts públicos, mas silenciado na intimidade dos quartos.
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Casais que mal se conversam à noite se exaltam durante o dia, como se a validação externa pudesse compensar o vazio interno. Criamos um retrato virtual de uma vida perfeita que, na prática, raramente existe.
O que vemos é teatro onde a peça é protagonizada por sorrisos ensaiados, corpos expostos, viagens coreografadas, frases prontas sobre gratidão e plenitude. Tudo muito bonito. Tudo muito falso.
Obviamente que há exceções, contudo, a fantasia virou moeda social, e quem não participa desse jogo corre o risco de se sentir invisível e fracassado. O problema é que não é o mundo real que está nos adoecendo, mas a comparação constante com um roteiro que ninguém vive de verdade.
E enquanto a vida vira espetáculo, a política vira torcida organizada. De um lado, a revolta gritante; do outro, o puxasaquismo cego. Não se discute ideias, apenas se defendem personagens. A realidade deixa de importar, substituída por narrativas que alimentam vaidades e pertencimentos.
Vivemos, assim, entre a realidade e a fantasia. Entre o que somos e o que fingimos ser. Um mundo onde a perfeição é obrigação pública e o caos é escondido no privado. Um mundo que se diz conectado, mas que nunca esteve tão vazio de verdade.
Um mundo “perfeito” — entre aspas — sustentado por ilusões, curtidas e aparências. E talvez o mais assustador seja perceber que, aos poucos, estamos começando a confundir o palco com a própria vida. Mas há uma situação verdadeira em tudo isso, indiferentemente, sorria, sempre, pois muitos alimentam a alegria com a sua tristeza.
Jorge Seif - Foto: Agência Senado O caso da ex-diarista baiana nomeada pelo senador Jorge Seif (PL-SC), que hoje recebe mais do que o governador de Santa Catarina sem ser vista no gabinete, expõe, além de deixar inúmeras lacunas, a falta de compromisso de Seif com o Estado que o elegeu.
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Adna dos Anjos Cajueiro saltou de R$ 2 mil para R$ 31 mil em menos de dois anos e ainda toca uma loja de roupas no Distrito Federal enquanto deveria exercer “missões externas” para o senador. Nem os servidores do próprio gabinete a reconhecem. É mais um episódio que revela descontrole, falta de transparência e um uso político questionável de cargos públicos, principalmente do parlamentar.
E Seif não surpreende. Antes de ser eleito, seu vínculo com Santa Catarina era praticamente zero e foi carregado pela onda do ex-presidente Bolsonaro. Depois de assumir, mostrou pouco serviço, principalmente na Amurel, onde liberou quase nada de emendas e raramente aparece. Um paraquedista político que usou nosso Estado como trampolim político — e nada mais.
Agora tentam repetir a fórmula com Carlos Bolsonaro, novamente importando um nome de fora — outro carioca de sotaque — elemento estranho aqui — sem identidade para ocupar espaço e atropelar lideranças que têm história e identidade com Santa Catarina.
Santa Catarina, Estado conservador, trabalhador e que tem no governo de direita um caminho comprovado de bons resultados, precisa ficar atenta. Não dá mais para aceitar representantes que chegam de fora apenas para colher votos. Seif já decepcionou. E nós não podemos cair no mesmo erro outra vez.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.