De vez em quando, surgem matérias na imprensa local que tentam explicar temas complexos de maneira simples demais — e, no caminho, acabam distorcendo a realidade. Foi o que ocorreu recentemente quando uma colunista decidiu “esclarecer” por que o IPTU supostamente aumenta todos os anos em Tubarão.
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Em Tubarão, o IPTU não aumenta automaticamente todo ano. O que ocorre — como em praticamente todas as cidades brasileiras — é o reajuste anual baseado na inflação INPC — correção da moeda — indicador previsto em lei para preservar o valor real da arrecadação. Isso não é aumento. É correção. A mesma que atualiza salários, contratos, aluguéis, tarifas e qualquer outro indicador econômico.
Quando um texto ignora essa situação, o leitor precisa acender o alerta. Principalmente quando a narrativa parece mais alinhada ao interesse particular de alguém do que ao interesse coletivo. Porque há uma diferença clara entre explicar um tributo e usar um espaço de opinião para resolver questões pessoais.
E, convenhamos, em muitos casos, a revolta contra o IPTU não nasce do reajuste inflacionário. Nasce do fato de que o contribuinte construiu, ampliou ou alterou o imóvel e não comunicou à prefeitura — o que é obrigatório por lei.
Quando a regularização finalmente é feita, o valor sobe não por vontade da prefeitura, mas porque o imóvel passou a refletir sua realidade física. Quem possuía um terreno baldio e constrói uma casa, obrigatoriamente, deve entender que o valor do imposto terá de ser reajustado.
É justamente por isso que o jornalismo precisa ser responsável. A função de quem escreve para um portal de notícias não é reforçar equívocos, mas contribuir para uma cidade mais informada.
Tubarão não precisa de textos que alimentam mal-entendidos. Precisa de análises sérias que expliquem, de forma honesta, como funciona a administração pública e de que maneira as políticas municipais impactam a vida das pessoas.
A crítica é bem-vinda, sempre. O que não pode é transformar opinião em interesses pessoais, tampouco propagar desinformação. A cidade merece um debate mais limpo — e um jornalismo que escreva o que é bom para Tubarão, não apenas o que favorece quem assina a coluna e que provavelmente teve outro autor.
Eduardo Baptista - Foto: Divulgação Se existe alguém no futebol brasileiro capaz de transformar a expectativa em frustração é o técnico Eduardo Baptista. Ele vive um roteiro tão repetitivo quanto cruel. Nas últimas três edições da Série B, ele estacionou no lugar quinto lugar.
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E essa sina não começou agora. Em 2023 e 2024, o Novo Horizontino viveu exatamente a mesma história lamentada na tarde do último domingo, 23 de novembro, pela torcida do Criciúma. Com a soma dos demais confrontos, o Tigre precisava de um empate contra o Cuiabá, mas veio pra casa com uma derrota - 1 a 0.
É claro que o futebol não se resume a superstição, mas convenhamos, quando o mesmo treinador repete o mesmo resultado três vezes seguidas, com dois clubes diferentes, é impossível não sugerir um rótulo de “pé-frio”. Nem que seja por brincadeira.
No fim, o drama de Eduardo Baptista diz muito sobre o técnico, mas também muito sobre os clubes que o contratam. De um lado, um profissional que parece condenado a viver na porta da elite. De outro, clubes que sonham em subir, mas que talvez não tenham dado a ele as peças necessárias para isso.
O fato é que, entre competência e azar, Eduardo Baptista virou o personagem principal da novela do quinto lugar. E, pelo visto, essa série ainda não foi cancelada. O Criciúma anunciou a permanência do técnico para a próxima temporada. Será que em 2026 a história será diferente?
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.