O anúncio do governador Jorginho Mello (PL) de indicar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como pré-candidato a vice em sua chapa à reeleição está longe de ser inexplicável — e tampouco vai na contramão da estratégia construída até aqui.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
Embora a dobradinha, causa surpresa porque, no fim do ano passado, aqui mesmo em Tubarão, durante a homenagem com a entrega da comenda Willy Zumblick, o próprio Jorginho afirmou que o vice sairia do MDB. Afinal o MDB ocupa espaços relevantes no governo, com secretarias e cargos estratégicos, o que indicava uma construção natural rumo à majoritária.
Mas a política é dinâmica. Declarações públicas não são contratos que não possa ser desfeitos, mas retratos de um momento — o que pesa é a viabilidade eleitoral. Ninguém entra em uma disputa majoritária para perder — e toda composição passa por cálculos de território.
Ao optar por Adriano Silva, Jorginho faz um movimento claro, que consolida o apoio no maior colégio eleitoral do Estado, Joinville, e agrega à chapa um prefeito com ampla aceitação administrativa e identidade ideológica próxima à sua base. Diferentemente da eleição passada, quando caminhou sozinho, agora o governador demonstra disposição para ampliar alianças e fortalecer o projeto de reeleição.
Em relação ao desgate ao MDB, nesse sentido, a minha leitura é de que o impacto tende a ser menor do que aparenta. O partido em Santa Catarina é historicamente dividido em alas regionais e em nível de Estado não é diferente. Ate aqui, saída do então secretário de Estado e presidente estadual da sigla, Carlos Chiodini, foi um gesto institucional — natural diante do novo cenário. No entanto, isso não significa ruptura automática da base emedebista com o governo.
Há lideranças expressivas do MDB que já demonstram proximidade com Jorginho, independentemente da posição formal do partido. Antídio Lunelli e Jerry Comper são alguns desses exemplos, entre outros nomes que mantêm alinhamento político com o atual governo. Mesmo que o MDB venha a lançar candidatura própria ou compor outra chapa, é muito provável que parte significativa de seus líderes e eleitores permaneça apoiando o governador.
Ao escolher Adriano Silva, Jorginho Mello amplia seu alcance eleitoral sem necessariamente perder o MDB como força política relevante em seu projeto. Pode não ter o partido oficialmente na vice, mas dificilmente ficará sem parcela importante de seu apoio. A eleição ainda está longe. Mas o movimento mostra que o governador está jogando com estratégia — e olhando para o mapa eleitoral sem apego a declarações passadas.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.
VER TODAS