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A crise de Moraes cobra a conta de Lula e ameaça seus aliados

Por Fabiano Bordignon
19/09/2026 - 00h08

Não é apenas Lula que tem motivos para se preocupar com a crise do Supremo. O desgaste pode alcançar candidatos que compartilham seu palanque e ajudaram a transformar Alexandre de Moraes em símbolo da defesa da democracia.

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A sessão de terça-feira manteve o STF no centro da campanha. O adiamento deixou as suspeitas abertas e o Planalto sem o encerramento político que poderia lhe dar algum alívio.

Investigar é o mínimo 

A questão não era condenar Moraes nem transformá-lo automaticamente em réu. Discutia-se o caminho para examinar suspeitas envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro. Investigar é esclarecer. Se existem elementos que justificam apuração, o cargo não pode funcionar como escudo. Um ministro deve ter garantias de defesa, mas não uma imunidade informal contra perguntas incômodas.

Transparência real

Moraes nega irregularidades. Uma apuração independente interessa, portanto, à própria credibilidade da Corte. Mensagens, contratos e eventuais vínculos precisam ser examinados com rigor. O acesso a dados deve seguir os requisitos legais. Mas a posição institucional do investigado não pode impedir diligências justificadas. A resposta precisa vir das provas, não do prestígio da toga.

O passado acompanha

Em 2019, a mudança de entendimento do STF sobre a prisão após condenação em segunda instância permitiu a soltura de Lula. Em 2021, Fachin anulou suas condenações da Lava Jato e ele recuperou a elegibilidade. São decisões diferentes, com fundamentos próprios. O efeito político foi decisivo para seu retorno à disputa. Esse histórico ajuda a explicar a dificuldade de Lula para se apresentar como observador distante da crise.

A ligação com Moraes

Na presidência do TSE em 2022, Moraes se tornou alvo central das críticas da direita à condução da eleição. Lula e seus aliados defenderam sua atuação. Isso não permite atribuir a vitória eleitoral a um magistrado. Mas estabelece uma associação política que não desaparece por conveniência. Quem celebrou o ministro quando suas decisões atingiam adversários agora precisa cobrar responsabilidade diante das suspeitas contra ele.

A indicação de Temer

É verdade que Moraes foi indicado ao Supremo por Michel Temer. Antes, havia sido secretário da Segurança Pública de São Paulo no governo Geraldo Alckmin, hoje vice de Lula. Lembrar quem assinou a indicação é insuficiente. A cobrança sobre Lula recai diante da crise e a defesa que seu campo político fez do ministro.

Os indicados de Lula

Cristiano Zanin votou pela reunião dos casos de Moraes e André Mendonça. Flávio Dino defendeu o mesmo encaminhamento e pediu vista, suspendendo a análise antes do mérito. Não houve decisão definitiva impedindo uma investigação. Houve adiamento. E ele prolonga um problema político para o presidente que indicou os dois. Ganhar tempo dentro do tribunal pode significar mais dias de desgaste fora dele.

Alerta no Senado

Em São Paulo, a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta semana traz Guilherme Derrite com 19%, Simone Tebet e André do Prado com 17% cada, e Marina Silva com 13%. Há empates técnicos, considerando a margem de dois pontos. O quadro mostra competição, não vagas asseguradas ao campo governista. Mas o levantamento antecede a sessão: não mede seu efeito nem comprova que a crise do STF provocou esses números.

O desgaste continua

Por que uma Corte que exige tanto dos outros encontra tamanha dificuldade para esclarecer suspeitas sobre um dos seus? Lula pode tentar se afastar. Seus aliados também. Mas a associação política continuará sendo cobrada enquanto faltarem respostas. O Supremo adiou uma decisão. O debate eleitoral continua. E o custo dessa crise pode chegar a muito mais gente do que aos ministros sentados no plenário.

R$ 5 bi para o Bolsa Família e R$ 7 bi em viagens de Lula e Janja

Por Fabiano Bordignon
18/09/2026 - 01h24

Confesso que um trecho do vídeo publicado por Flávio Bolsonaro nas redes sociais me chamou bastante atenção. A comparação que ele fez diante do anúncio do governo Lula de reajustar o Bolsa Família em 15,04%, às vésperas das eleições precisa ser assinalada - e propagada.

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O piso do programa, que hoje é de R$ 600, passará para R$ 691 a partir de outubro. São R$ 91 a mais por mês para quem recebe o valor mínimo. O benefício médio também sobe, de R$ 675 para R$ 777. 

Flávio classificou o aumento como uma tentativa de conquistar o eleitor pobre com mais R$ 90 e disse que, se eleito, manterá o Bolsa Família e o reajuste anunciado. 

O presidencial afirmou que, enquanto o governo gasta cerca de R$ 5 bilhões por ano com o Bolsa Família, Lula e Janja teriam gastam R$ 7 bilhões em viagens.

Obviamente não devemos deixar de pontuar em relação à distância entre o discurso de defesa dos mais pobres e o padrão de vida daqueles que governam em nome deles. 

Fabiano Bordignon

Blog do Bordignon

Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.

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