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O circo ditatorial

Por Cláudio Prisco Paraíso
28/08/2025 - 13h35

Continua o jogo de cartas marcadas entre a PGR e o STF, entre o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Alexandre de Moraes.

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Vale lembrar: Gonet já foi sócio do Instituto de Gilmar Mendes, aquele que promove debates mundo afora, especialmente em Lisboa.

Gilmar Mendes, hoje decano do STF, foi justamente quem pediu ao presidente Lula da Silva a nomeação de Gonet para a chefia da PGR. Aí se entende a “afinidade” entre Ministério Público e Supremo.

Ontem, Moraes determinou vigilância 24 horas na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, a partir de pedido da PGR. Evidente que ambos já haviam se alinhado para que a Procuradoria tomasse a iniciativa.

Perseguição

Tudo isso depois do relatório da PF insinuando que Bolsonaro buscaria abrigo na Embaixada dos EUA ou fugiria para a Argentina.

Esquema chinês

O roteiro é conhecido: tudo aparelhado, tudo parte do consórcio vergonhoso entre Planalto e Supremo.
Lula só voltou porque foi libertado e “descondenado” pelo mesmo sistema que conduziu as eleições de 2022 de forma parcial, com o único objetivo de derrotar Jair Bolsonaro.

Surreal

A sucessão de processos contra Bolsonaro é algo surreal.
Primeiro, tornaram-no inelegível por uma reunião com embaixadores (!), numa forçação de barra conduzida pelo TSE, então presidido por Alexandre de Moraes.

Farsa

Depois, incluíram Bolsonaro no inquérito do “golpe” de 8 de janeiro.
Um golpe sem armas, sem militares, uma farsa grotesca orquestrada pelo governo e pela esquerda, apenas para emparedar quem denuncia o aparelhamento do país.

Roteiro pronto

No início do mandato de Lula, esvaziaram os quartéis e encenaram a narrativa.
As sentenças já estavam escritas.

Conta-gotas

A obsessão é eliminar Bolsonaro: afastaram-no das redes sociais; impuseram recolhimento noturno; decretaram prisão domiciliar; confiscaram seu celular; retiveram seu passaporte. Resultado: um ex-presidente que não roubou, não mandou matar, não se associou ao crime organizado, agora está monitorado 24 horas por dia.

Só pancada

É perseguição em cima de perseguição.
Injustiça capaz de causar perplexidade em qualquer democracia do mundo.
Mas o Brasil vive, há anos, sob uma ditadura togada da pior espécie.

Vitalidade

E, em meio a isso, Bolsonaro segue com problemas de saúde decorrentes do atentado de 2018 — até hoje não esclarecido.

Não resta dúvida: o regime tem obsessão por eliminar Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, por colocar o país de joelhos, vendido à China.
Missões cumpridas com apoio de cúmplices que, um dia, entrarão para a história como parte de um dos capítulos mais vergonhosos do Brasil.

O perfil catarinense

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/08/2025 - 08h36

Não é novidade que Santa Catarina é um estado essencialmente conservador.

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Isso vem sendo comprovado ao longo das últimas décadas, mas ficou ainda mais evidente a partir de 2018, com o advento de Jair Bolsonaro, quando ele fez mais de 75% dos votos no segundo turno contra Fernando Haddad (PT) e, na onda, elegeu um governador e sua vice.

Naquele pleito, quase elegeu também um senador, Lucas Esmeraldino, derrotado por apenas 18 mil votos, além de emplacar seis deputados estaduais e quatro federais.

Em 2022, mesmo derrotado por Lula da Silva, Bolsonaro novamente mostrou sua força: no segundo turno, conquistou quase 70% dos votos catarinenses.

Vale lembrar que, em 2002, quando Lula se elegeu presidente pela primeira vez, Santa Catarina deu-lhe a maior votação proporcional do país no primeiro turno e a segunda maior no segundo — atrás apenas do Acre.
Mas isso já se vão duas décadas, e hoje o conservadorismo domina o cenário político catarinense.

Direita na veia

Na eleição de 2022, o PL elegeu o então desconhecido Jorge Seif ao Senado, além de 11 estaduais, seis federais e o governador Jorginho Mello.
Agora, observa-se que Santa Catarina se tornou o centro das iniciativas, mobilizações e eventos conservadores no Brasil.

Em 2024

Essa projeção ficou clara já no ano passado, com a presença do presidente eleito da Argentina, Javier Milei.
Neste último fim de semana, Itajaí sediou um encontro de lideranças acadêmicas conservadoras de toda a América Latina.

Presenças

Estiveram lá: o deputado federal Nikolas Ferreira, o governador Jorginho Mello, o senador Esperidião Amin, o prefeito Robson Coelho e, sobretudo, a deputada estadual Ana Campagnolo — hoje uma liderança nacional do conservadorismo, com vários livros publicados, cursos realizados e quase 200 mil votos na sua reeleição em 2022.

Entre os 16 federais eleitos em SC, ela superou 15 deles, ficando atrás apenas da amiga e correligionária Carol De Toni, de Chapecó.

Marca e futuro

Esse perfil conservador consolidou Santa Catarina como prioridade no campo da direita. Não à toa, Bolsonaro escolheu o estado como base para o filho Carlos Bolsonaro, cogitado para disputar uma vaga ao Senado.

Carluxo esteve presente em eventos recentes e tem frequentado bastante São José, cidade onde vai a clubes de tiro — inclusive, sendo sócio de um deles — e que pode ser escolhida para a transferência do seu título eleitoral.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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