Qual é o candidato mais temido pelo Palácio do Planalto? Quem, efetivamente, causa preocupação ao PT, ao governo e ao próprio Lula da Silva, considerando-se que Jair Bolsonaro está, e deve continuar, inelegível? Tem nome e sobrenome. É Tarcísio Gomes de Freitas, o governador de São Paulo.
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Não apenas por já aparecer muito bem num enfrentamento com o atual inquilino do Planalto, mas, pelas perspectivas de crescimento ao longo da campanha, segundo pesquisas internas, contratadas pelos próprios petistas. Tarcísio não vai acumular o desgaste da família Bolsonaro, do ex-presidente e dos seus filhos.
O apoio que ele venha a receber será bem-vindo, mas a rejeição não vem junto. Logo, seria o nome a ser respaldado pela prole bolsonarista. Tudo isso em tese, obviamente.
E lembrando: Tarcísio de Freitas era assessor na Câmara dos Deputados. Chegou a diretor do DNIT, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, no governo Dilma Rousseff.
Perfil
Conquistou espaço pela sua qualificação técnica, mas, ganhou projeção nacional como ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro, recrutado que foi pelo próprio presidente. Devido ao seu grande desempenho à frente da pasta, o ex-presidente inventou a sua candidatura ao governo de São Paulo, sendo ele carioca da gema. E deu certo.
Qualificado
E por que Tarcísio preocupa a Lula da Silva? Porque tem desenvoltura verbal, é um gestor testado, tem agilidade mental e é preparado. Consequentemente, o que deveria raciocinar Bolsonaro? Elegendo Tarcísio, já que eu estou inelegível e vou acabar preso, vou estar fazendo sucessor. Naturalmente. Mas não. Ele não se pronuncia, fica em cima do muro.
Do contra
E os filhos, os dois, o segundo e o terceiro, Carlos e Eduardo, disparam diariamente contra Tarcísio de Freitas, pelo fato de seu nome ser lembrado e por ser já o preferido, tanto do Centrão, englobando várias bancadas no Congresso Nacional, como também da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, onde está a base do Sistema Financeiro Nacional e Paulista e a base do PIB de São Paulo e do Brasil.
Poder de atração
Então, ele consegue congregar uma candidatura consensual que recebe o apoio até dos outros governadores pré-candidatos, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior.
Então, é a solução ideal, mas não para os Bolsonaros.
Tripé
Além destes dois atacarem Tarcísio, agora o primogênito (Flávio), mais equilibrado, também está mandando recado.
Segundo ele, ainda é muito cedo e Bolsonaro não pode ser considerado carta fora do baralho. Mas a realidade é outra. O ex-presidente foi tirado do jogo pelo regime. Simples assim.
Histórico
Senão, vejamos. Em 2018, Lula da Silva estava preso, condenado por corrupção. O STF havia respaldado decisões proferidas por nove magistrados diferentes, confirmando a condenação do petista.
Mesmo assim, ele segurou a candidatura até a undécima hora. Não deu em nada: o PT teve que lançar Fernando Haddad, que foi derrotado por Jair Bolsonaro.
O verdadeiro golpe
Já em 2022, depois de o STF perceber que Bolsonaro havia partido para o enfrentamento direto e sem limites, Lula foi solto para poder concorrer.
O único objetivo era tirar Bolsonaro do poder — algo viabilizado pela condução da Justiça Eleitoral, na figura de Alexandre de Moraes, de forma tendenciosa e capciosa.
Zero chance
Alguma dúvida de que o Supremo não vai liberar Bolsonaro? Nenhuma. Portanto, é preciso que ele faça logo a opção de fechar com Tarcísio de Freitas, porque a perspectiva de vitória é real, efetiva, concreta.
Sucessão
Não custa repetir: uma eventual vitória de Tarcísio, ainda que enfrentando todo o sistema viciado e corrupto, será também a vitória de Bolsonaro.
Pensar grande
Trata-se de um projeto de poder de um segmento ideológico. Mas, para os filhos de Bolsonaro, não é disso que se trata. Para eles, o projeto é familiar.
E, com isso, a direita fica sem candidato competitivo por muito tempo, o que favorece quem? Justamente aquele que é candidato à Presidência há 40 anos e já disputou seis eleições.
Sempre ele
Lula perdeu as três primeiras, ganhou as três seguintes e, ao que tudo indica, irá para uma sétima disputa.
Enquanto isso, a direita segue dividida e sem um nome firme, permitindo que ele avance e ocupe espaço.
Ou seja: falta juízo, equilíbrio e bom senso na condução.
Carlos Bolsonaro, o Carluxo, é pura nitroglicerina. Já conhecido de longa data, foi ele quem estruturou as redes sociais do pai em 2018, quando Jair Bolsonaro surpreendeu o sistema e ganhou a Presidência da República. Um verdadeiro cochilo do regime.
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O filho 02 completa 20 anos como vereador no Rio de Janeiro. É muito celebrado por setores radicais da direita, mas na capital fluminense coleciona brigas homéricas e polêmicas de grande repercussão.
No último fim de semana, esteve em São José (SC), cidade que frequenta há bastante tempo e onde deve transferir seu domicílio eleitoral. Logo depois voltou ao Rio e, na terça-feira, publicou em suas redes sociais:
“Impasse? Vocês estão brincando demais com a alma do meu pai e a covardia que vocês estão fazendo com ele! Não há impasse algum! Se continuarem, colocarei tudo na mesa, não adianta me intimidar.”
Resposta
A mensagem foi uma reação a uma matéria da coluna do Estadão, que dizia que o PL buscava novas opções para a candidatura de Carluxo ao Senado, citando até a possibilidade de disputar por Roraima.
O comentário soou como um recado — ou ameaça. E quem se manifestou em seguida foi o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que disse:
“Nosso candidato a presidente da República é Jair Bolsonaro, ou quem ele, e só ele, escolher. E quanto ao Carlos Bolsonaro, seguimos firmes em sua candidatura ao Senado por Santa Catarina ou qualquer estado que ele desejar.”
Umbigo
Na fala de Carluxo, a impressão é de que falava apenas de si e de sua participação eleitoral. Mas Valdemar, por cautela, também tratou da questão presidencial.
Não por acaso: é voz corrente que Tarcísio de Freitas trocará o Republicanos pelo PL para disputar a Presidência, com o aval direto de Jair Bolsonaro.
Santa Catarina
Mas a questão regional permanece: a quem Carluxo quis se referir com sua postagem?
Ao governador Jorginho Mello? Este já teria sinalizado a Bolsonaro que aceita a candidatura do 02 em SC.
O problema é que tanto Carluxo quanto o irmão Eduardo — hoje nos EUA — vêm disparando contra Tarcísio, o presidenciável do PL.
E isso é tudo que Jorginho não deseja: marolas. Seu projeto de reeleição está bem pavimentado, e o último cenário que gostaria de enfrentar é ter um aliado de chapa atirando contra o candidato à Presidência do seu próprio partido.
Tiro no pé
Permitir que um integrante da majoritária questione Tarcísio seria entregar de bandeja munição ao PT, à esquerda e ao PSD, sócios do atual governo Lula.
Além disso, há forte resistência dos meios empresariais catarinenses. A Fiesc, em nota oficial divulgada em junho, afirmou que o estado tem lideranças legítimas, criticando diretamente a ideia de importar um nome de fora.
Menos
Carlos Bolsonaro não pode imaginar que virá a Santa Catarina como “dono do pedaço”.
Pode até ter o respaldo do PL, mas enfrentará rejeição.
Vale lembrar: em 2022, Bolsonaro emplacou Jorge Seif, então desconhecido, ao Senado. Mas naquela época Jair estava no poder e disputava a reeleição.
Em 2026, estará inelegível e fora do jogo institucional.
Perfil
Por isso, é preciso cautela. O problema não é apenas o estilo explosivo de Carluxo.
É também o fato de que, ao entrar na chapa, Jorginho Mello perde espaço para equilibrar os partidos aliados.
Em resumo: Carluxo pode ser um homem-bomba não só para a direita nacional, mas também para a própria costura política de Santa Catarina.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.