Na família Bolsonaro, o primogênito, Flávio, sempre foi considerado o mais ajuizado, o mais equilibrado, aquele que exercia quase em plenitude o bom senso — característica que não se observa nem no patriarca Jair, muito menos nos irmãos Carlos e Eduardo, ambos afeitos a polêmicas e sempre acionando a metralhadora giratória.
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Preso, o ex-presidente fez a opção pelo senador carioca para representá-lo na disputa presidencial. Em um primeiro momento, causou certa perplexidade. As apostas recaíam sobre o nome do governador Tarcísio de Freitas.
Logo na sequência, surgiu a possibilidade de, mais adiante, Flávio compor como vice do próprio Tarcísio, ou até buscar a reeleição no Rio, preservando o governador paulista nesse período.
Jogando
Só que, menos de 48 horas depois do anúncio, ele já admitiu abrir mão, dizendo que a candidatura tinha “preço” e que, na segunda-feira, anunciaria qual seria esse preço. Falou em anistia aos condenados do 8 de Janeiro e também em “Bolsonaro Livre”. Não mais que de repente, já não era mais isso. Não havia mais preço e ele não admitia mais abrir mão da candidatura.
Arrancada
É um péssimo início. Justamente na largada, quando Flávio Bolsonaro precisaria se afirmar, sua arrancada foi pra lá de meia-boca.
Respingos
E em Santa Catarina, como fica? Para Jorginho Mello, pode até ser interessante ter um Bolsonaro — integrante da família — como candidato a presidente. Seria o 22 na urna, lá e cá, repetindo 2022.
Laços
Além disso, a vinculação com o bolsonarismo ficaria reforçada.
Dois filhos de Jair vão concorrer em Santa Catarina:
•Carlos Bolsonaro ao Senado, na chapa de Jorginho;
•Jair Renan a deputado federal.
Preferência
Mesmo que Flávio Bolsonaro não se eleja, vale lembrar que o eleitorado catarinense é potencialmente conservador e essencialmente bolsonarista. Jorginho tem o apoio de vários partidos, um grande número de prefeitos, a máquina estadual e é candidato à reeleição.
Timing
E mais: o governador não tem adversários competitivos. Mas tudo ainda é muito incipiente. Não se pode descartar que, adiante, Flávio aceite compor de vice em uma chapa liderada por Tarcísio de Freitas.
Nesse caso, evidentemente, ele não concorreria à reeleição no Rio.
Vacância
E então: para que Carlos viria para Santa Catarina, se teria espaço reservado no próprio Rio pelo irmão?
Um dos motivos da transferência do 02 para o estado seria justamente a disputa de Flávio pela reeleição fluminense.
Imprevisíveis
Mas, tratando-se da família Bolsonaro, tudo é possível.
Mesmo sem Flávio disputar a reeleição, Carluxo pode querer vir para cá.
Janelas
Essa leitura é mais uma prova de que muita coisa ainda vai acontecer até o primeiro prazo fatal das eleições do ano que vem: o prazo de desincompatibilização e da janela de transferências partidárias, que expira no dia 4 de abril.
Definição
O segundo grande prazo é o das convenções partidárias, que se encerram em 5 de agosto.
Como ainda estamos em dezembro, até o primeiro prazo há pela frente praticamente quatro meses: dezembro, janeiro, fevereiro e março.
Pouco menos de 120 dias — o que, na política, é uma eternidade.
A semana passada se encerrou com a novidade apresentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que, mesmo preso e incomunicável, mandou um recado pelo primogênito, senador Flávio Bolsonaro, indicando que o 01 é o nome para concorrer à Presidência da República.
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É possível afirmar que, internamente, esse movimento de Bolsonaro busca duas situações: a reaglutinação da unidade partidária e a recomposição familiar.
Vamos começar pelo componente da prole. Michelle Bolsonaro estava correndo o país como presidente nacional do PL Mulher e já se insinuando com um discurso que ganhava contornos presidenciais. Chegou a comentar que toparia ser vice, inclusive, de Tarcísio de Freitas.
Depois, houve aquele ruído familiar quando ela, em visita a Fortaleza, declarou apoio a Eduardo Girão, do Novo, ao governo do Estado. Ela foi além e acionou a metralhadora giratória contra a direção estadual do PL por ter fechado com Ciro Gomes. A aliança implodiu.
Contra-ataque
Os quatro irmãos — incluindo Jair Renan, vereador de Balneário Camboriú — vieram e bateram pesado na ex-primeira-dama. Ato contínuo, Flávio pediu desculpas à madrasta, na qualidade de enteado mais velho. Fica claro, portanto, que o lançamento do nome do senador carioca para a sucessão foi também para acertar o baralho no contexto familiar e deixar claro que o nome é Flávio.
Freio de arrumação
No contexto partidário, a movimentação também foi necessária porque, se uma parte do partido — inclusive nas bancadas da Câmara e do Senado — segue fielmente as orientações do ex-presidente, outra parcela já vinha se ensaiando e se assanhando para pegar carona no Centrão e fechar com Tarcísio.
Blindagem
Paralelamente a isso, imaginou-se que poderia ser um blefe, uma jogada de Bolsonaro para preservar o governador de São Paulo de investidas do governo, da esquerda e do PT. Mais adiante, Flávio poderia retirar a pré-candidatura e todos fechariam com Tarcísio — quem sabe com o próprio primogênito compondo como vice.
Moeda
Surpreendentemente, neste domingo, Flávio — com menos de 48 horas como pré-candidato — disse que poderia bater em retirada. Admitiu retirar seu nome, mas que isso teria um preço. E ficou de anunciá-lo nesta segunda-feira, em Brasília. Muito se comenta que a moeda de troca seria uma anistia geral e irrestrita.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.