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Desagradou a todos

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/12/2025 - 08h47

É muito descaramento, prepotência, arrogância — um transbordar de dominação. É assim que podemos definir o comportamento do ministro decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

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Monocraticamente, ele deliberou que, a partir de agora, acolhendo uma liminar do Partido Solidariedade e também da Associação Brasileira dos Magistrados, somente o Procurador-Geral da República pode ingressar com pedido de impeachment contra ministros do STF. Ou seja, ele está deliberando em causa própria, em relação a si mesmo e aos seus colegas. Essa é a preliminar.

O segundo aspecto: existe uma lei de impeachment de 1950 que deixa muito claro que o pedido pode ser resultado de iniciativa popular. E ele, de uma hora para outra — preocupado porque o centro e a direita poderão fazer, em 2026, maioria significativa no Senado — se antecipa para tentar brecar qualquer risco de um pedido de impeachment ser submetido ao plenário do Senado. Exatamente como estabelece a Constituição, que é clara.

Rasgando

Gilmar adota, além de uma medida corporativista, uma decisão individual cujo julgamento virtual começará no próximo dia 12. A suprema toga faz isso no apagar das luzes e na véspera de uma eleição, como quem deseja blindar a si mesmo e a todos os seus colegas, usurpando atribuições do Senado e impondo mais um chega-para-lá à população brasileira.

Tapa na cara

Um pedido de impeachment pode ser de iniciativa popular, e os senadores têm direito de ingressar com a solicitação. Eles representam os estados — assim como os deputados representam a população na Câmara.

Fechem o Congresso

Estamos diante da ditadura da toga, escancarada, sem cerimônia nem constrangimento. A ponto de até senadores governistas, esquerdistas e petistas condenarem a iniciativa de Gilmar Mendes, por ser descabida, despropositada, vergonhosa e escandalosa.

Soberba

A verdade é que esses ministros se comportam como se fossem deuses do Olimpo, inalcançáveis e inatingíveis. Podem tudo. E impera aquela sensação de que “tudo está dominado”, ninguém diz nada e ninguém reage.

Contenção

Eles precisam ser contidos. Nenhum deles conquistou um único voto popular, e agora ainda restringem ao procurador-geral da República, indicado pelo presidente, a possibilidade de pedir impeachment. É a festa sem fim do consórcio.

Balaio de siri

O atual procurador, Paulo Gonet, foi sugestão do próprio Gilmar Mendes e de Alexandre de Moraes a Lula da Silva — o mesmo Lula que ambos tiraram da prisão e recolocaram na Presidência da República. Era preciso retribuir. Este é o Brasil atual: desmandos e roubalheira sem fim, executados e legalizados por um grupo restrito que há muito solapou a democracia.

Sociedade

E tem mais: Paulo Gonet foi sócio do instituto que já pertenceu ao próprio Gilmar Mendes. Ambos eram sócios. Gilmar passou a empresa para o filho, e Gonet vendeu a sua parte, também para o filho. Uma promiscuidade generalizada. Está tudo em família. Um Supremo sem limites.

Tudo em casa

Ano passado, decidiram que ministros podem se manifestar em processos em que parentes — até esposas — atuem como advogados(as). Ou seja, vale tudo.

Brasilllll

O Congresso precisa reagir. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teve um raro rasgo de independência ao se posicionar criticamente. Na Câmara dos Deputados, a CCJ já aprovou a proposta que limita decisões monocráticas. A matéria foi enviada ao Senado. É necessária mobilização e reação do Congresso diante desses ministros descarados que aí estão.

O desejo de Jorginho

Por Cláudio Prisco Paraíso
05/12/2025 - 15h22

Se alguém tinha alguma dúvida de que Jorginho Mello deseja o PSD na chapa que vai liderar à reeleição em 2026, essa dúvida não existe mais. Nesta semana, o governador evidenciou o cerco na direção do PSD. Senão, vejamos.

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No domingo, ele esteve em Forquilhinha ao lado do prefeito e do presidente da Assembleia, Júlio Garcia, para a liberação de recursos à cidade.
Jorginho pernoitou no Sul. Na segunda-feira, cumpriu agenda muito aguardada na capital do Sul do Estado, Criciúma, quando liberou R$ 240 milhões para a administração de Vaguinho Espíndola, também do PSD.

Na terça-feira, o governador foi a Balneário Camboriú, quando consumou a estadualização do Hospital Ruth Cardoso, que custa para a municipalidade algo em torno de R$ 100 milhões ao ano — praticamente R$ 8 milhões por mês, o que representa 10% da folha global de pessoal da prefeitura.

Baita alívio

Ou seja, será um desafogo para a prefeita Juliana Pavan, que qualificou o ato como o ápice do seu primeiro ano como prefeita.

De fato

E com um detalhe: metade dos atendimentos do Hospital Ruth Cardoso é para munícipes de Balneário Camboriú. A outra metade é para pacientes de fora, principalmente da região do Litoral Norte.

Fidelidade

Evidentemente, esses dois movimentos do governador agradaram ao PSD.
Tanto Vaguinho quanto Juliana, claro, têm compromisso com uma candidatura própria de seu partido ao governo do Estado.

Generosidade

Mas não podem desconsiderar a atenção administrativa e institucional do governador, que, na quarta-feira, esteve em São José dando sequência às obras que fazem parte de um pacote de ações do governo estadual. Estamos falando do quarto maior município catarinense.

Portentos

Criciúma e Balneário Camboriú também estão entre os 12 maiores. Sem falar em Florianópolis, onde o prefeito reeleito, Topázio Silveira Neto, há muito tempo está fechado com o projeto de recondução de Jorginho Mello.

Não é de hoje

Topázio tem defendido a tese de participação do PSD na majoritária. Florianópolis é o segundo maior município catarinense.
Traduzindo: das cinco cidades administradas pelo PSD entre os maiores municípios, quatro delas sentem-se, de alguma maneira, recompensadas pela ação da administração estadual.

Local

A quinta cidade é Chapecó, pilotada por João Rodrigues, que há um ano e meio se lançou como pré-candidato ao governo do Estado e agora já marcou até data para sua renúncia: 23 de março de 2026.

Território

Outro detalhe interessante: em São José, também na quarta-feira, foi realizado um evento regional do PSD. Justamente no dia em que João Rodrigues anunciou a data em que deixará a prefeitura chapecoense.

Derrapada

Só que o presidente do partido, Eron Giordani, na véspera, anunciou que haveria o apoio do prefeito Orvino de Ávila à pré-candidatura de João Rodrigues. Manifestação essa que não ocorreu diretamente. Orvino participou do evento e reafirmou que seguirá a orientação do presidente da Alesc, Júlio Garcia.

Proximidade

Júlio Garcia participou de todas as atividades do governador nesses dois grandes municípios — pela ordem: Criciúma eBalneário Camboriú. O deputado estadual vem se apresentando como pré-candidato à Câmara.

Mas não resta a menor dúvida: é o nome da preferência de Jorginho Mello para compor como vice na disputa do ano que vem, o que deixaria João Rodrigues pelo caminho.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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