Tanto o Congresso quanto a Alesc aprovaram, esta semana, as peças orçamentárias da União e do Estado para 2024. O que tradicionalmente ocorre, é bem verdade. Claro que aqui e ali poderíamos ter alguma modificação mais significativa, contrariando os governos, mas essas aprovações demonstram que, de alguma maneira, Lula da Silva e Jorginho Mello estão conseguindo lidar bem com as respectivas Casas Legislativas.
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Como também é verídico que o atual inquilino do Planalto sofreu duas derrotas significativas neste fim de ano nas votações do Marco Temporal e da desoneração da folha de pagamento.
O balanço geral, contudo, é positivo. Mais positivo para o governador de Santa Catarina que também conseguiu aprovar, dentro da proposta encaminhada pelo Executivo, o escalonamento do desconto previdenciário de 14% dos aposentados da máquina estadual, o que também vale para os pensionistas.
Não foi simplesmente como desejavam alguns parlamentares oposicionistas, especialmente os quatro da bancada do PT, de corte total do desconto para todos os servidores inativos. Também, convenhamos.
Resultados
De modo que, no cômputo geral, as articulações, as tratativas, as negociações do governo nas últimas semanas foram proveitosas.
Digitais
Principalmente depois da entrada no circuito do deputado estadual Carlos Humberto. Muito jeitoso, muito habilidoso, ele conseguiu dar uma bela costurada na situação.
Sem volta
Aliás, o parlamentar já tem sua pré-candidatura à prefeitura de Balneário Camboriú, como nome do PL, sacramentada.
Isso ficou evidenciado na última segunda-feira à noite durante um grande ato de filiações do partido em Florianópolis que lotou a Assembleia Legislativa.
Tripé
O mestre de cerimônias do evento, o governador Jorginho Mello e o senador Jorge Seif anunciaram e trataram Carlos Humberto como o nome do partido no balneário mais famoso da América Latina.
Passando vergonha
Ou seja, isso tudo mais uma vez esvazia os movimentos erráticos, equivocados do prefeito Fabrício de Oliveira. Não é de hoje que o alcaide – conhecido por seus rompantes e megalomanias – vem trabalhando para inviabilizar a pré-candidatura de Carlos Humberto que antes de ser deputado era seu vice-prefeito.
Segue errando
Primeiro Fabrício articulou em favor do presidente da Câmara, David La Barrica; depois abandonou o parlamentar no meio do caminho e agora trouxe o ex-prefeito Rubens Spernau, figura histórica do tucanato local, para o PL em mais uma tentativa natimorta de emplacar um nome ligado a ele e historicamente ligado a Leonel Pavan – desafeto de Jorginho Mello – para a cabeça de chapa.
Modus Sperneandis
Fabrício vai ficar, literalmente, esperneando (sem trocadilho), falando sozinho. Sua situação é de absoluto desconforto perante as bancadas do partido, o governador e o senador.
DNA
Aliás, alguns liberais estão relembrando, refrescando cada vez mais a memória que originalmente a ligação de Fabrício era também com Pavan, a exemplo de Spernau. Num determinado momento, os empresários da cidade ungiram o atual prefeito para dar um basta na era Pavan.
Roeu a corda?
Mas o prefeito nasceu para a política literalmente pelas mãos de Leonel Pavan. O ex-governador, aliás, será candidato a prefeito na vizinha Camboriú. Pelo PSD, hoje o principal opositor do PL de Jorginho Mello no âmbito estadual.
Sistemática
Os pessedistas fazem muito mais oposição ao atual governo do Estado do que os petistas. Até porque o PT tem seu teto tradicional. Se alguém, portanto, poderá se constituir num contraponto ao projeto de recondução de Jorginho Mello, esse alguém sairá das fileiras do PSD e não das do PT.
Vitrine
Devido à visibilidade e aos elevados índices de qualidade de vida que Balneário Camboriú alcançou, a cidade é estratégica para qualquer projeto estadual. E não será diferente com Jorginho Mello.
O ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, passou seis meses na Austrália. Retornou em dezembro e já começou a movimentar o ambiente político-partidário de Florianópolis.
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Esteve, evidentemente, com aquele que o sucedeu após sua renúncia, Topázio Neto, que foi seu candidato a vice em 2020.
O atual prefeito foi efetivado no cargo em 31 de março do ano passado. Gean participou, ainda, de outras duas rodadas curiosas com potenciais adversários de Topázio no ano que vem.
Ainda mais curioso foi observar que os dois políticos contactados por Gean já foram seus adversários no passado recente.
Pedrão Silvestre, do PP, sempre esteve em trincheiras opostas às do ex-prefeito. Fez oposição ao governo de Gean como vereador e disputou duas vezes a prefeitura contra ele.
Amigos de ocasião
Já Dário Berger foi aliado político de Gean Loureiro. Na verdade, as duas gestões de Berger na prefeitura da Capital fizeram com que o então vereador de cinco mandatos ganhasse musculatura e corpo. Tanto é que ele foi candidato em 2012, quando acabou derrotado por César Souza Junior, mas ganhou em 2016 e se reelegeu, no primeiro turno, em 2020.
Recados
Ocorre que essas conversas com Pedrão e Berger podem estar sinalizando para Topázio que Gean acredita que o candidato a vice no ano que vem teria que ser alguém do seu grupo, do seu partido, o União Brasil.
Vaga cobiçada
O ex-prefeito já percebeu que tanto o governador Jorginho Mello, do PL, quanto o seu antecessor, Moisés da Silva, do Republicanos, tentam emplacar o parceiro de chapa de Topázio Neto.
Análise
Aliás, o prefeito terá que colocar na balança se entrega a vice para Jorginho Mello, Carlos Moisés ou para Gean Loureiro.
Caminho
Ao natural, considerando-se as circunstâncias de momento, o ideal seria a parceria com o governador. Não só pelo aspecto administrativo e de liberação de recursos, mas porque o lançamento de uma candidatura do PL poderia ser incômoda para Topázio.
Alô, alô
Esses encontros de Gean podem ser interpretados como um recado para o prefeito. Só que a vaga de vice é uma só e Topázio terá que escolher.
Água e óleo
As eleições de 2020, quando Gean foi reconduzido no primeiro round, mais uma vez demonstraram que essas alianças eventuais, que não são bem assimiladas pelo eleitorado, podem receber o troco nas urnas.
Inimigos
Foi o caso das famílias Berger e Amin. Dário, rompido com Gean, resolveu apoiar Angela Amin. Sempre foram famílias arqui-inimigas.
Tiro no pé
O apoio de Dário foi prejudicial a ela, que ficou em um modestíssimo quarto lugar no pleito passado, perdendo, também, para Pedrão e para o professor Elson, do PSOL. Ou seja, essas coligações esdrúxulas são repelidas pelo eleitorado. Então Gean com Pedrão, dupla até agora rival; ou a retomada da composição entre Gean e Dário pode não ser digerida pelo eleitor da Capital, que é politizado.
Avançando
Topázio Neto sabe disso e encaminha a aliança com o PL, mas tentando manter, no seu grupo político, o próprio Gean. Quanto ao ex-governador Moisés, não se trata de uma figura central na Capital.
Incógnita
Resta saber se o Republicanos ainda assim ficaria com Topázio ou não. Muito provavelmente, não. Dificilmente o prefeito conseguiria reunir, no mesmo palanque, Jorginho e Moisés.
Pedra no sapato
A grande dificuldade em relação ao governador nem é Gean Loureiro - eles já foram aliados no passado - e sim com Moisés da Silva, com quem o atual mandatário teve os embates mais pesados na campanha do ano passado. De qualquer forma, o retorno de Gean a Florianópolis deu uma esquentada nos bastidores políticos da Capital.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.