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Dr. Nathan de Farias Faraco explica a relação entre o “sinal de Frank” e o risco cardíaco

O tema ganhou repercussão após a morte do influenciador Henrique Maderite

Por Fabiano Bordignon
11/02/2026 - 13h15
Dr, Nathan de Farias Faraco - Foto: Divulgação/Revista Única

A morte do influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante na última sexta-feira, 06 de fevereiro, gerou comoção nas redes sociais — e também uma onda de especulações. 

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Horas após a confirmação do óbito, passaram a circular publicações nas redes sociais, inclusive de profissionais da área da saúde, apontando que o chamado "sinal de Frank", uma prega diagonal visível no lóbulo da orelha, poderia estar associada a doenças coronarianas.

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Prints de fotos antigas do influenciador foram compartilhados como evidência do sinal, em alguns comentários, chegou-se a sugerir que a identificação precoce poderia ter evitado o desfecho fatal. Mas afinal, o “sinal de Frank” é realmente um indicativo confiável de problemas cardíacos?

Para esclarecer o tema, a reportagem da Revista Única conversou, nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, o médico cardiologista Dr. Nathan de Farias Faraco, de Tubarão.

De acordo com o médico, o “sinal de Frank” foi descrito na década de 1970 pelo médico Sanders T. Frank, que publicou um artigo sugerindo uma possível associação entre a presença de uma prega diagonal no lóbulo da orelha e maior incidência de doença arterial coronariana em alguns pacientes avaliados.

Desde então, o tema passou a ser debatido na literatura médica e também nas salas de aula de medicina. No entanto, segundo o cardiologista Dr. Nathan Faraco, a observação nunca se consolidou como método diagnóstico.

“Essa é uma discussão antiga, que já existe desde a época da faculdade. O sinal foi descrito em um contexto observacional, mas não é considerado uma ferramenta diagnóstica. A pele pode apresentar diversos sinais que não necessariamente têm relação direta com uma doença interna específica”, explica.

De acordo com o especialista, embora alguns estudos tenham encontrado associação estatística entre o sinal e doença coronariana, isso não significa que a presença da prega seja determinante para um infarto — nem que sua ausência descarte risco cardíaco.

“Muitas pessoas com problemas coronarianos nunca apresentaram o “sinal de Frank”. Da mesma forma, há pessoas com a prega no lóbulo da orelha que não têm qualquer doença cardíaca”, afirma.

Ele ressalta ainda que o sinal tende a ser mais comum em pessoas de maior idade, possivelmente por fatores relacionados ao envelhecimento natural da pele. “Com o passar do tempo, a pele perde elasticidade e pode formar pregas. Nem tudo que aparece externamente está ligado a uma doença específica”, avalia.

Alerta ou exagero?

Para o cardiologista, o principal risco nesse tipo de debate é a criação de um alarme desproporcional nas redes sociais.

“Não há necessidade de agora todo mundo começar a olhar a orelha dos outros ou a própria orelha com preocupação. Um sinal isolado, externo, não é diagnóstico de infarto nem de doença coronariana”, enfatiza.

O médico reforça que o mais importante continua sendo a prevenção tradicional e comprovada: controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e glicose, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, abandono do tabagismo e realização periódica de check-ups médicos.

“Infarto é uma condição multifatorial. Não existe um único sinal externo capaz de prever um evento cardíaco com precisão. O que salva vidas é acompanhamento médico regular e controle dos fatores de risco”, conclui.

Informação com responsabilidade

A morte precoce de Henrique Maderite levanta um debate importante sobre saúde cardiovascular, mas também expõe o cuidado necessário ao compartilhar informações médicas nas redes sociais. Especialistas alertam que associações observacionais não substituem avaliação clínica individualizada.

:: Imagem: "sinal de Frank" - Foto: Freepik

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