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Dormir mal também pesa na balança: especialistas explicam a ligação entre sono, fome e ganho de peso depois dos 40

Médicas e nutricionista alertam ainda para os riscos do álcool, das canetas emagrecedoras e dos suplementos sem acompanhamento

Por Redação, Revista Única
16/10/2026 - 18h02
Especialistas orientam para a manutenção da qualidade de vida das mulheres - Foto: Divulgação

Na perimenopausa e na menopausa, a queda do estrogênio torna o sono mais leve e altera os hormônios da fome. Médicas e nutricionista alertam ainda para os riscos do álcool, das canetas emagrecedoras e dos suplementos sem acompanhamento.

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Acordar de madrugada, sentir mais fome no dia seguinte e ver o peso subir sem mudança na rotina. Para muitas mulheres a partir dos 40 anos, as três queixas chegam juntas, e boa parte da explicação está no sono. Na perimenopausa e na menopausa, a queda do estrogênio fragmenta as noites, e o descanso de má qualidade desregula os hormônios ligados à fome, à saciedade e ao estresse.

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O efeito aparece primeiro no prato e, com o tempo, na balança. O mecanismo é detalhado pela médica Aline Scarlatelli, com atuação em Medicina do Sono e Neurologia, pela nutricionista Talita Collaço e pela médica Carine Psendziuk, especialista em Clínica Médica com pós-graduação em Endocrinologia.

É da idade" explica pouco

A frase é conhecida de quem ganhou peso depois dos 40, mas, segundo Carine Psendziuk, conta apenas metade da história. As alterações hormonais do período reduzem o metabolismo e favorecem a perda de massa magra e o acúmulo de gordura, sobretudo no abdômen. "Nem sempre é só a idade. Ela contribui, mas aqui a ideia é mudar a estratégia, porque muito do que a mulher fazia lá atrás talvez não funcione mais", afirma.

Talita Collaço usa uma comparação frequente no consultório. "É como se o corpo mudasse de software. Antes ele funcionava com um metabolismo mais acelerado e com os hormônios em outro ritmo. Agora é preciso se adaptar a essa nova forma de funcionar, e nada resolve sozinho: dieta, sono e atividade física precisam ser ajustados juntos." Na alimentação, a nutricionista recomenda proteína em todas as refeições, para preservar a massa muscular e prolongar a saciedade.

O que acontece durante a noite

Para Aline Scarlatelli, o sono vai além do descanso: nas fases mais profundas, o organismo produz e libera hormônios. "Existe uma relação muito próxima entre o sono e os hormônios da saciedade, da fome e o cortisol, que é o hormônio do estresse. Quando o sono fica mais superficial, esses hormônios não desaparecem, mas passam a funcionar de forma desregulada", explica.

Nesse período, as noites podem ser interrompidas por fogachos, pela síndrome das pernas inquietas e pela apneia obstrutiva do sono, que costuma surgir na perimenopausa.

Quem dorme mal tende a buscar carboidratos simples e açúcar. Nos consultórios, o ciclo se repete: a mulher acorda de madrugada, vai até a geladeira e come sem fome real e sem perceber o que ingere. No outro dia, tenta compensar o cansaço com doce e cafeína, o que prejudica o descanso seguinte.

O despertar das 3h também tem explicação. Segundo a médica, um grupo de neurônios sensíveis ao estrogênio atua tanto no controle da temperatura corporal quanto nas áreas do cérebro responsáveis pela vigília. Com menos hormônio, essas células ficam mais ativas: surgem os fogachos, e o sono fica leve.

"Para chegar ao sono profundo, a temperatura do corpo precisa baixar. Quando esse termostato está desregulado, a mulher sente um calor que não existe e acorda várias vezes durante a noite." O sintoma tem tratamento e, de acordo com as especialistas, não deve ser encarado como parte inevitável da menopausa.

Vinho, canetas e suplementos

A automedicação nessa fase preocupa. A taça de vinho antes de deitar acelera o adormecer, mas fragmenta as fases profundas e o sono REM e agrava a insônia, alerta Aline. As canetas emagrecedoras são eficazes no tratamento da obesidade, mas, sem exames e acompanhamento, podem provocar perda severa de massa magra, observa Carine.

Uma dessas medicações já tem aprovação [da FDA / da Anvisa] para apneia do sono em pacientes com obesidade, indicação que também depende de avaliação médica criteriosa.

O mesmo cuidado vale para os suplementos. Melatonina e magnésio têm indicações específicas e evidências variáveis para o sono e não funcionam como solução universal. Qualquer ajuste hormonal ou nutricional exige exames prévios: o excesso de vitamina D, por exemplo, pode causar intoxicação grave.

Um sintoma, várias especialidades

Antes de atribuir tudo à menopausa, Carine lembra que o hipotireoidismo se torna mais frequente a partir dos 40 anos e pode explicar ganho de peso sem causa aparente, pele seca e queda de cabelo, sinais que muitas mulheres consideram normais para a fase. Por isso, a investigação precisa reunir diferentes áreas da saúde.

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