Há números que, mesmo representando uma parcela pequena do eleitorado, provocam um debate que não pode ser ignorado. No primeiro turno das eleições de 2026, Lula recebeu 72,57% dos votos válidos registrados em seções eleitorais instaladas em presídios e unidades socioeducativas, contra 23,29% de Flávio Bolsonaro.
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Foram 11.186 votos válidos para presidente nesse conjunto de seções. É uma diferença expressiva, ainda que esse universo represente uma fração mínima da votação nacional.
Mas, o que me chama a atenção não é simplesmente o resultado, é o significado político que ele provoca. Por que Lula encontra uma preferência tão elevada nesse ambiente? O que suas propostas para a segurança pública, seu discurso e sua visão sobre o sistema penal representam para esse eleitorado?
São perguntas que merecem respostas claras. Para mim, é preocupante quando o debate sobre criminalidade, parece ficar em segundo plano diante de discursos políticos que prometem soluções sem convencer a sociedade de que haverá firmeza no combate ao crime.
Há uma nítida contradição do atual presidente sobre esse tema. É importante, porém, não confundir preferência eleitoral com prova de conivência. A legislação também permite o voto de presos provisórios que ainda não tiveram condenação criminal definitiva, e as seções instaladas nesses locais podem incluir votos de outros eleitores autorizados.
A crítica política precisa ser contundente, mas também precisa ser responsável. Minha posição é objetiva. Eu não me identifico com um projeto político que não demonstra a firmeza que considero necessária no enfrentamento da criminalidade.
Quando vejo uma diferença tão grande na votação dentro de unidades prisionais, o resultado reforça minhas dúvidas sobre a mensagem que esse projeto transmite em matéria de segurança pública.
Não voto por conveniência, nem sigo a maioria só porque ela existe. Voto de acordo com meus princípios. E, para mim, segurança pública exige respeito principalmente às vítimas e punição proporcional aos crimes.
O combate às organizações criminosas e responsabilidade de quem governa são duas coisas que precisam sair do oba oba. Em suma: meu voto não anda em conjunto com voto de bandido.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.
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