Documento enviado ao Ministério dos Transportes critica fragmentação da malha ferroviária
Estados informaram que irão contratar um estudo técnico complementar para contribuir - Foto: Gustavo Rotta Os governadores dos estados que integram o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) manifestaram posição contrária à proposta do Governo Federal para a nova Política Nacional de Concessões Ferroviárias.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
O posicionamento foi formalizado por meio de um ofício encaminhado ao Ministério dos Transportes, no qual os estados contestam a fragmentação da Malha Sul e cobram maior participação no processo de definição do modelo ferroviário.
O documento foi assinado pelos governadores Ratinho Junior, presidente do Codesul, Jorginho Mello, Eduardo Leite e Eduardo Riedel. Também assinam representantes das federações das indústrias, agricultura, associações empresariais e organizações das cooperativas dos quatro estados.
No ofício, os governadores criticam a Carteira de Projetos 2026 apresentada pelo Ministério dos Transportes, que prevê oito leilões ferroviários, incluindo três projetos que dividem a atual Malha Sul nos corredores PR/SC, Mercosul e Rio Grande. Segundo o grupo técnico do Codesul, formado por representantes indicados pelos estados, o modelo não atende às necessidades de recuperação e fortalecimento do sistema ferroviário da região Sul.
Os estados afirmam ainda que o processo vem sendo conduzido sem participação efetiva dos governos estaduais diretamente impactados. O documento também aponta falta de acesso aos estudos técnicos elaborados pela Infra S.A., situação que, segundo o Codesul, dificulta a análise técnica e a apresentação de contribuições qualificadas.
Entre as sugestões apresentadas ao Ministério dos Transportes, o grupo defende que a nova concessão seja estruturada em bloco único para toda a Malha Sul, buscando garantir maior integração logística, eficiência operacional e atratividade para investimentos privados. Os governadores também pedem a recuperação de trechos ferroviários abandonados ou degradados antes da realização de nova licitação e a garantia de continuidade operacional durante a transição contratual.
Além disso, os estados informaram que irão contratar um estudo técnico complementar para contribuir com propostas voltadas ao aprimoramento da política pública ferroviária e da futura modelagem de concessão.