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Michelle cresce e Zema se complica

Por Fabiano Bordignon
14/05/2026 - 15h04

A esquerda encontrou um prato cheio para antecipar o embate eleitoral de 2026 após a explosão do caso envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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O episódio ganhou repercussão internacional após reportagens revelarem mensagens e áudios ligados a negociações para financiamento privado do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio confirmou a existência das conversas, mas negou qualquer irregularidade, afirmando que se tratava apenas de um investimento privado para uma produção cinematográfica, sem uso de recursos públicos ou contrapartidas políticas.

A oposição passou imediatamente a explorar o desgaste político do episódio, principalmente pelo envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, alvo de investigações da Polícia Federal e do Banco Central.

Obviamente o caso abriu uma fissura importante dentro da própria direita. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, foi um dos primeiros nomes do campo conservador a se distanciar publicamente de Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso.

Para mim, a movimentação de Zema foi precipitada e transmitiu uma imagem de oportunismo político em meio à turbulência. Na minha leitura, ele antecipou um rompimento antes mesmo do avanço das investigações ou de qualquer definição eleitoral concreta.

Outro nome que voltou ao radar político foi o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que mantém um discurso mais moderado e tenta se posicionar como alternativa de “centro-direita”, termo esse que eu nunca tinha ouvido falar. Mais um querendo surfar na onda.

Não tenho dúvida de que existe muita resistência dentro da ala mais ideológica do conservadorismo em relação a partidos ligados ao Centrão e a legendas que hoje mantêm diálogo institucional com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao mesmo tempo, eu percebo crescer dentro do PL a possibilidade de Michelle Bolsonaro surgir como alternativa forte caso a pré-candidatura de Flávio enfrente dificuldades maiores nos próximos meses.

Na minha opinião, Michelle possui forte apelo popular, maior capacidade de agregação e menor rejeição em determinados segmentos do eleitorado conservador. 

Apesar da repercussão, é extremamente prematuro qualquer prognóstico definitivo sobre o impacto eleitoral do caso. A investigação ainda está em fase inicial, e o episódio ocorre muitos meses antes do período oficial da campanha presidencial.

Fabiano Bordignon

Blog do Bordignon

Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.

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