Tubarão já viveu a maior vergonha política que a população registrou quando o assunto é coleta de lixo. Gestores foram presos por acusação de recebimento de propinas. Foi desmantelado, muitos ainda devem se lembrar, um esquema de corrupção e a cidade carregará em sua história esse escândalo.
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Agora, quando finalmente o governo precisa ter - e teve - coragem de enfrentar esse sistema, mudar o modelo de coleta, surgem críticas, impaciência e desinformação. Mas é preciso entender o que está acontecendo.
Quando alguém decide arrumar a própria casa, a primeira coisa que faz é limpar o lixo. E é exatamente isso que está sendo feito em Tubarão. A limpeza começou pela base - isso mexe com interesses antigos, com estruturas que estavam acomodadas, com contratos que por muito tempo beneficiaram poucos e prejudicaram toda a cidade.
É visível que o prefeito tomou uma decisão difícil, impopular num primeiro momento, mas necessária. A mudança não é apenas uma questão operacional - é um ato de coragem e de honestidade. Está limpando a casa onde, por muitos anos, o lixo político se concentrou.
É fácil reclamar quando o caminhão atrasa, quando o lixo demora para passar. Difícil é enxergar que, por trás dessa aparente desordem momentânea, há uma tentativa real de moralizar o sistema. E isso merece reconhecimento.
Tubarão precisava dessa faxina. E quem tem a coragem de começar por onde sempre cheirou mal, mostra que está disposto a fazer uma limpeza muito maior.
As declarações de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira contra a presença de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira reforçam o retrato decadente de parte dos treinadores brasileiros - e também da dificuldade de alguns deles em aceitar o próprio fracasso.
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Durante o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, na sede da CBF, na noite da última terça, 04 de novembro, os dois não se constrangeram em criticar a presença de técnicos estrangeiros no país, mesmo diante do multicampeão italiano. Um verdadeiro show de recalque.
Leão, em tom rancoroso, disse “não gostar de técnicos estrangeiros no meu país”, como se o futebol tivesse fronteiras. Já Oswaldo, com ironia, desejou que “depois de ser campeão, Ancelotti dê lugar a um brasileiro”. Fica a impressão de que, por trás da fala, há mais amargura do que amor à bandeira.
O fato é que a resistência a treinadores estrangeiros só escancara o quanto muitos profissionais brasileiros ficaram presos ao passado. Enquanto o futebol mundial evoluiu, parte dos nossos técnicos se manteve em discursos obsoletos e resultados medíocres. A presença de Ancelotti - com sua bagagem - deveria servir de inspiração, não de incômodo.
No fundo, as reações azedas de Leão e Oswaldo soam como o zumbido de maribondos. Se há algo que precisa ser “100% brasileiro” hoje, é a autocrítica. Se Ancelotti será campeão ou não, o tempo dirá. O que já dá para afirmar é que tentar desmerecê-lo é uma atitude mesquinha e sem caráter.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.