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Menos de um ano

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/10/2025 - 08h57

Já começou a contagem regressiva. As eleições do ano que vem serão em 4 de outubro. Ou seja, já ingressamos na primeira semana pós o aniversário de um ano para o pleito, tão aguardado nos estados e, também, no país.
Em Santa Catarina, como está o quadro? Até agora, é uma eleição, diferentemente de 2022, com pouquíssimos candidatos ao governo. É preciso apreciar quem, efetivamente, é candidato.

O vereador da Capital, por exemplo, Afrânio Boppré(PSOL), é um nome para compor ao Senado como segundo nome na chapa, que tem tudo para ser única, da esquerda catarinense. Marcos Vieira não passa de uma grande brincadeira.

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O PSDB, partido do deputado, hoje tem apenas o seu mandato e ele não é candidato à reeleição. Geovânia de Sá, federal, vai para o Republicanos.

Vicente Caropreso, estadual, tem tudo para assinar no União Brasil. O PSDB simplesmente não existe mais. Dos poucos prefeitos eleitos, talvez a legenda fique com uma meia dúzia, todos de municípios de pequeno porte.

Nome petista

Fora isso, pelos movimentos das últimas semanas, mais especificamente dos últimos dias, se observa, claramente, que Fabiano da Luz tem tudo para ser o candidato do PT ao governo. Ele tem feito vídeos, procurando estabelecer um contraditório com o próprio governador Jorginho Mello.

História

O petista é deputado estadual, líder do PT na Assembleia, e assumiu, recentemente, a presidência do partido no estado. Décio Lima já disputou em 2018, literalmente sozinho, oportunidade na qual fez uma votação bisonha.

Golpe de sorte

Em 2022, com o apoio de todos os partidos de esquerda, Décio chegou ao segundo turno. Não por sua própria força — contou com um empurrão de Lula da Silva, seu amigo e compadre, que concorria à Presidência, mas, sobretudo, porque houve cinco candidaturas conservadoras.

Raspando

Contexto no qual ele conseguiu, com pouco mais de 1% dos votos de vantagem sobre o então governador e candidato à reeleição, Carlos Moisés, carimbar o passaporte para o segundo turno. Décio Lima não vai para uma terceira disputa. Até porque nem o PT e nem a esquerda apresentam qualquer perspectiva eleitoral de conquistar o governo.

Direita

Nem em 2026 e nem nunca. Temos repetido aqui que o catarinense é um eleitor de perfil majoritariamente conservador e tem juízo.

Alvo

Então Décio Lima, evidentemente, vai buscar o Senado, na expectativa de beliscar o segundo voto. Se houver uma proliferação de candidaturas conservadoras, o petista tem chances de conseguir uma eleição ao Senado, assim como conseguiu alcançar o segundo turno em 2022.

Haja voto

Mesmo assim, é uma empreitada muito difícil. Porque, para Décio Lima, mesmo no segundo voto, em busca da segunda vaga, fazer 20% é um desafio.

Polarização

Então, tudo o que já foi dito acima é para resumir no seguinte: hoje existem praticamente duas candidaturas ao governo de Santa Catarina. Ao natural, a reeleição de Jorginho Mello.
Além dele, vemos o petista Fabiano da Luz.

Cambaleante

A candidatura de João Rodrigues depende, fundamentalmente, de uma candidatura de Ratinho Júnior à Presidência da República. Sem isso, João “Verdade” não para em pé em seu intento de suceder a Jorginho.

Boquirroto

A grande verdade, sem trocadilhos, é que João Rodrigues é ruim — mas bota ruim nisso — como candidato.

Desequilíbrio

É um cidadão que perde as estribeiras, que não tem equilíbrio emocional. É movido pelo fígado e não consegue manter esse projeto, que já está colocado há mais de um ano, de pé.
Objetivamente é isso.

Isolamento

João não tem nenhuma sigla atrelada ao seu projeto, aliás, ele não tem o partido dele inteiro. Mais do que isso, ele não consegue construir um discurso capaz de sensibilizar o eleitorado. O prefeito de Chapecó não tem sequer nomes para compor sua chapa majoritária.

A laço

Senão vejamos: quem seriam os candidatos a vice e às duas vagas ao Senado? Eron Giordani, que é o presidente do partido, teria que concorrer ao Senado, tendo o ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, de vice.

Quem?

Ainda assim, vão ter que encontrar, talvez fazer um concurso público, para tentar arrumar um segundo candidato ao Senado. Então, João “Verdade” não tem a menor chance. Só que ele vai deixar o partido muito mal.

Metralhadora

Porque, nesse período todo, de mais de um ano em que ele está nessa ideia maluca de candidatura, o pessedista acionou meios nada convencionais para tentar minar a reeleição de Jorginho Mello. Significa que ele não estará na chapa do governador. A coisa caminha de tal maneira que o PSD, muito provavelmente, não poderá compor a majoritária.

Dependência

Como é que vai ser? Se Ratinho for candidato, que é pouco provável, João vai dar palanque em SC. Mas, se o paranaense não se lançar nessa aventura nacional, o que é provável, como fica o “projeto” do prefeito chapecoense? Ele vai renunciar à maior prefeitura do grande Oeste catarinense, a Capital do Oeste, para entrar numa eleição na qual ele tem tudo para perder — até para o candidato da esquerda, inclusive.

Regional

Lembremos que Fabiano da Luz também é do Oeste. Assim como o Jorginho Mello. Teríamos então três candidatos do Oeste — região que nunca havia eleito um governador, o que ocorreu em 2022. Portanto, em 2026 poderemos ter três candidatos ao governo. Todos do Oeste.

Projeção

Neste cenário, João será candidato para levar uma sova? Uma surra? Se ele desistir, seguirá como prefeito.

Ao léu

E aí, como é que ficam as chapas proporcionais do PSD à Câmara e à Assembleia? Não seria um absurdo se, por exemplo, Ismael dos Santos seguir os caminhos de Ricardo Guidi e de Darci de Matos. Não sobraria ninguém no PSD com mandato federal. Ou seja, eles teriam dificuldades para eleger um federal e repetir os três estaduais.

Um estado conservador que virou bolsonarista

Por Cláudio Prisco Paraíso
04/10/2025 - 09h51

Historicamente, Santa Catarina é um Estado essencialmente conservador. A esquerda jamais o administrou e, por isso mesmo, é uma unidade federada que vai bem, obrigado.

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Basta dar uma passeada por alguns Estados onde o PT deixou suas marcas. Aqui pertinho, no Rio Grande do Sul, vizinho estado. Já no Paraná, quem tomou o poder foi uma esquerda disfarçada, Roberto Requião, que provocou seus estragos. Nada, contudo, que se compare ao que aconteceu em terras gaúchas ou em Minas Gerais, e daí por diante.

Com as eleições de 2018, surgiu inesperadamente o fator Bolsonaro. Santa Catarina, não se sabe por quê, talvez pelo seu perfil conservador, resolveu ter um comportamento potencialmente bolsonarista.

Os eleitores daqui deram a ele quase 76% dos votos válidos no segundo turno, além da eleição de seguidores do PSL à época e depois do PL em 2022, quando Bolsonaro não se reelegeu.

Forasteiro

No entanto, o ex-presidente lançou aqui um ilustre desconhecido, Jorge Seif, que fez um milhão e meio de votos para o Senado, abrindo quase 900 mil em relação a um ex-governador de dois mandatos, Raimundo Colombo, que também já havia sido derrotado em 2018, quando se elegeram Esperidião Amin e Jorginho Mello.

Quem?

Também nessa eleição, um outro ilustre desconhecido deu o ar da graça. O coronel Carlos Moisés da Silva, que se elegeu governador, uma nuvem passageira.

Vapor

Assim como apareceu, igualmente desapareceu da vida pública catarinense. Fazemos essa introdução para ponderar que, efetivamente, o catarinense tem que fazer as suas reflexões, não deve deixar de ser conservador, evidentemente, mas precisa apreciar essa questão da família Bolsonaro que se imagina a dona do pedaço, que toma conta do território catarinense.

De novo?

Ora, em um intervalo de menos de quatro anos, goela-abaixo dois candidatos ao Senado? Sendo que o segundo, já com residência fixada em São José, é um filho do ex-presidente: Carlos Bolsonaro. Ele não tem nada a ver com o nosso estado, não o conhece. Mesmo assim, está sendo imposto como candidato.

Terra de ninguém

Vale lembrar que estamos na iminência, uma vez Jorge Seif absolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral, a partir de 2027, de contar com dois senadores estrangeiros, entre os três que cada Estado tem direito. Dois nomes importados.

Bem menos

Há quem pondere que Seif é catarinense. Sua família tem negócios aqui há muitos anos, mas ele não vivia a vida pública e nem mesmo a realidade social do estado.

Vai que é tua

O que se observa é que, ao impor Carlos Bolsonaro, o ex-presidente e o PL jogam uma baita batata quente na mão do governador, que não vai reclamar, porque foi eleito, em 2022, muito com a ajuda do então presidente Jair Bolsonaro, seu correligionário.

Olho no olho

Ocorre que na terça-feira, Carol De Toni, que já estava programada para concorrer ao Senado, é recebida por Bolsonaro. Ela explicou ao ex-presidente que já havia assumido o compromisso de ir à Câmara Alta e lançou candidatos a federal em várias regiões do estado.

Respaldo

Seu nome, inclusive, já havia sido lançado pelo próprio governador Jorginho Mello. Carol não tem como recuar. E o que ela ouviu da parte de Bolsonaro? Estímulo para que fosse à frente. Isso na terça, quando, ainda, o líder da direita reiterou que Carlos Bolsonaro será candidato.

Velhos amigos

No dia seguinte, na quarta, Jair Bolsonaro recebeu Esperidião Amin, com quem conviveu na Câmara dos Deputados por pelo menos dois mandatos. Também foi senador eleito na mesma eleição que ele se elegeu presidente da República. Da mesma forma, o ilustre interlocutor encorajou o catarinense a buscar a reeleição.

Não fecha

Mas, peraí, serão duas vagas ao Senado em 2026. Ele não abre mão do filho, que vem goela-abaixo, e estimula os outros dois a concorrer? Na mesma coligação, evidentemente, isso é impossível.

Conservadores

Então Carol iria para um outro partido? Num encaminhamento desses, as pesquisas já mostram que os votos bolsonaristas seriam dirigidos a Carluxo e a Carol.

Rodando

Esperidião Amin, portanto, ficaria na estrada? Mesmo indicado na chapa liderada por Jorginho Mello? Ou seja, além de se considerarem donos do estado, alguém está sendo enganado.

Lorota

Não pode ser assim. Eles definem quem são os candidatos, e o pior, é um jogo de engana-engana. Estimula todo mundo e o governador que se vire.

Tumor

De modo que, efetivamente, hoje é nefasta a influência da família Bolsonaro em Santa Catarina. Sem esquecer que o vereador Renan(Balneário Camboriú), filho de Jair Bolsonaro, é candidato a deputado federal. É algo que já passou de todos os limites aceitáveis. A hora é de uma reação.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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