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Entre a dissimulação e o isolamento

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/01/2026 - 08h13

Nos bastidores da política catarinense, cresce a percepção de que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pode estar falando sozinho quando o assunto é sua pré-candidatura ao Governo do Estado.

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A cada movimento, o discurso público parece destoar do ambiente interno do partido e até mesmo da realidade administrativa que o cerca. O que deveria ser uma construção sólida soa, cada vez mais, como um projeto solitário — ou, no mínimo, mal combinado.

Crença isolada

Hoje, ao que tudo indica, apenas o próprio João Rodrigues — e, talvez, ele mesmo — acredita de forma efetiva na viabilidade de sua pré-candidatura ao Governo do Estado em 2026. Informações que chegam de Chapecó indicam que nem auxiliares diretos e integrantes do colegiado municipal enxergam um cenário concreto de renúncia ao cargo de prefeito para disputar o Executivo estadual.

Ocupando espaço

A leitura predominante é de que toda essa movimentação tem outro objetivo: ocupar espaço político, manter-se no noticiário e, quem sabe, pavimentar uma tentativa futura de protagonismo majoritário, possivelmente em 2030. Não seria a primeira vez. Em 2022, João Rodrigues já ensaiou um voo mais alto, articulando uma chapa que envolvia o então prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, como vice, e o empresário Luciano Hang para o Senado. A estratégia não prosperou e deixou mais desgaste do que dividendos.

O risco da renúncia

Há um detalhe que pesa — e muito — nessa equação. Uma eventual renúncia em 2026 deixaria João Rodrigues politicamente exposto por pelo menos dois anos. O paralelo com Gean Loureiro, que deixou a Prefeitura de Florianópolis e passou quatro anos no chamado “Sereno” político, é inevitável. A diferença é que Loureiro agora tenta uma vaga na Assembleia. No caso de João Rodrigues, o risco é ainda maior.

Ataque que confunde

Nos últimos dias, o prefeito surpreendeu ao desferir duras críticas ao governador Jorginho Mello, em entrevista a uma emissora de rádio. A estratégia é, no mínimo, difícil de compreender. Se a intenção for permanecer à frente da Prefeitura de Chapecó, romper pontes com o Governo do Estado não parece racional. Recursos estaduais são vitais para qualquer grande município — ainda mais quando, no plano federal, João Rodrigues já não conta com respaldo. A bancada petista, especialmente no Oeste, mantém distância declarada.

O jogo real do PSD

Enquanto João Rodrigues protagoniza movimentos erráticos, Júlio Garcia atua com precisão cirúrgica. O presidente da Alesc trabalha para consolidar sua candidatura à Câmara Federal, e os sinais internos do PSD apontam claramente para uma estratégia focada na chapa proporcional.

Salvaro muda o eixo

Nesse contexto, a decisão de Clésio Salvaro de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa muda completamente o tabuleiro. Salvaro era o único nome com densidade eleitoral para compor uma chapa majoritária com João Rodrigues, seja como vice ou até para o Senado. Agora, sua candidatura estadual tem um objetivo claro: formar dobradinha e impulsionar Júlio Garcia rumo à Câmara Federal.

Prestígio que puxa votos

O capital eleitoral de Salvaro é inegável: quatro vezes prefeito de Criciúma, três mandatos concluídos, duas eleições com mais de 70% dos votos. Trata-se de um clássico puxador de votos, peça-chave para o projeto proporcional do PSD.

Projeto proporcional

Com Ismael dos Santos bem posicionado para a reeleição à Câmara, o PSD trabalha com a perspectiva de eleger dois ou até três deputados federais, além de ampliar a bancada estadual de três para, pelo menos, cinco parlamentares. Tudo isso indica uma estratégia clara: fortalecer o partido no Legislativo, e não apostar fichas altas em uma aventura majoritária.

E a majoritária?

Até se poderia imaginar uma composição com o governador Jorginho Mello, mas com quem? Nomes como o prefeito Topázio Neto, um quadro técnico ligado a Júlio Garcia — como o secretário da Fazenda, Cleverson Siewert — ou até o ex-deputado e atual desembargador João Henrique Blasi surgem como hipóteses muito mais alinhadas ao centro de gravidade do PSD hoje.

Fritura silenciosa

A pergunta que fica nos bastidores é direta: João Rodrigues está sendo “fritado” em fogo baixo, à luz do dia? E mais: ele percebe isso? No PSD catarinense, uma coisa é cristalina — quem dá as cartas é Júlio Garcia. E, diante desse jogo de forças, João Rodrigues parece, a cada semana, perder espaço, força e centralidade.

O roteiro segue em aberto. Mas os sinais, para quem sabe ler política, são cada vez menos sutis.

Sempre a favor dele

Por Cláudio Prisco Paraíso
16/01/2026 - 08h47

O ano mal começou e o festival de pesquisas já está a todo vapor. Claro que pesquisas muito favoráveis ao atual inquilino do Palácio do Planalto, levantamentos pilotados por figuras intimamente ligadas ao governo federal, ao PT e à esquerda. Como sempre, aliás.

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Mas, mesmo assim, servem de parâmetro para se observar o cenário presidencial de outubro do ano que vem. Primeiro aspecto inquestionável: mais da metade da população brasileira reprova o governo Lula.

Mais da metade da população brasileira não deseja Lula candidato à reeleição para um quarto mandato. Ao mesmo tempo, as pesquisas sinalizam uma rejeição elevada a qualquer candidato que tenha o sobrenome Bolsonaro — seja Flávio, seja Michelle, em menor grau.

É também interessante salientar e enaltecer que, depois que Flávio Bolsonaro foi alçado à condição de herdeiro político e sucessor do pai na disputa presidencial, não se ouviu uma crítica sequer a ele, seja de Lula, seja do governo, seja do PT, seja da esquerda.

Silêncio

E até mesmo setores da mídia mergulharam. O que deixa muito evidenciado que ele é o candidato ideal para enfrentar Lula, o adversário mais desejável, o adversário mais vulnerável, partindo da premissa de que será possível manter a polarização.

Basta

E mais de um terço da população brasileira pesquisada, mais de 35%, deseja o fim disso: da polarização. Por isso, a importância de a direita jogar com inteligência e buscar o melhor nome para justamente penetrar nesse segmento que não deseja a polarização.

Fiel da balança

E conquistar votos preciosos. Porque tanto Lula quanto qualquer Bolsonaro terão dificuldade. E tudo o que Lula não quer é o fim da polarização.

Essa é a grande realidade. Então, chegou o momento de acabarmos com esse joguinho da direita. A esquerda só tem um nome — aliás, sempre só teve um nome — que é Lula.

Avaliação

Claro que, se ele desistir, vão ter que inventar outro nome, colocar novamente Fernando Haddad ou buscar alguma alternativa. Mas ele só vai avaliar a possibilidade de desistência se houver chances reais de ser derrotado na eleição. Até porque já está com 80 anos de idade.

Escolha

Por isso, a direita precisa escolher o melhor candidato, o mais competitivo, o mais preparado, aquele que tenha simpatia do setor produtivo, do agronegócio, da Faria Lima, do sistema financeiro, da classe média e desse um terço que quer colocar um ponto final no bolsonarismo e no lulismo, nessa nefasta polarização.

Nome

E esse nome todos sabemos quem é: Tarcísio de Freitas, que, aliás, nos últimos dias tem se manifestado muito mais como candidato a presidente do que como candidato à reeleição.

Leitura

Quando foi lançado o nome de Flávio, a primeira leitura que fizemos foi a seguinte: seria para preservar Tarcísio dos ataques dos adversários e, depois, Flávio entrar como vice. Foi a primeira leitura do blog. E parece que isso pode vir a acontecer no futuro, basta haver inteligência.

Impeditivo

Existe o assunto da aprovação da anistia no meio dessa história. Daí Flávio Bolsonaro retiraria a candidatura e apoiaria Tarcísio? Nesse jogo, a essa altura do campeonato, não pode haver condicionantes, não pode ser com faca no pescoço. Vamos parar com isso.

Picuinhas

Até porque precisamos pensar primeiro no país e depois nas questiúnculas internas da direita ou nos interesses da família Bolsonaro de continuar pilotando o processo.

Brasil acima

A família Bolsonaro tem que entender que é muito melhor ter, em 1º de janeiro de 2027, Tarcísio de Freitas como presidente, considerando o destino e o futuro de Jair Bolsonaro, do que novamente Lula da Silva.

E de que adianta lançar Flávio para ser derrotado, apenas para manter a chama acesa? Que chama?

Com mais quatro anos de Lula a partir de 2027, será a destruição completa — que já está em estágio bastante adiantado — do país. Simples assim.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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