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Lembrar é preciso

Por Cláudio Prisco Paraíso
13/09/2023 - 11h10

As  eleições diretas nos estados foram restabelecidas em 1982, ainda no apagar das luzes do Regime Militar, que teve um ponto final com a eleição de Tancredo de Almeida Neves à Presidência pelo Colégio Eleitoral.

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O mineiro baixou hospital antes da posse e nunca assumiu. José Sarney, que era o vice,  presidiu o Brasil por quatro anos.

Três anos antes, em Santa Catarina, houve um embate memorável reunindo o jovem (Esperidião Amin - PDS), aos 35 anos, que por 12,5 mil votos (0,5%) levou a melhor sobre o senador Jayson Barreto, filiado ao MDB naquela época. 

Amin era deputado federal depois de sua passagem pela toda poderosa Secretaria de Transportes do Estado  (hoje Infraestrutura) no governo de Jorge Bornhausen. 

O ex-governador elegeu-se senador em 82, suplantando Pedro Ivo Campos por míseros 1,5 mil votos. Bornhausen cumpriu seus oito anos na Câmara Alta. 

Campos sucedeu Amin no governo, mas não completou o mandato. Partiu prematuramente. Os 13 meses finais couberam ao vice, Casildo Maldaner. Naqueles dias, não havia reeleição. Estamos falando de 1990. 

Há vagas

O MDB foi atrás de candidatos. Pinçou um jovem deputado estadual, que havia sido secretário da Fazenda de Pedro Ivo, Paulo Afonso Vieira, para encabeçar a chapa. Ele enfretou Vilson Pedro Kleinübing, que ficou em segundo quatro anos antes. 

Meteórico

Como fez grande votação em Blumenau no pleito de 86, Kleinübing transferiu o domicílio eleitoral para a cidade do Vale, onde virou prefeito dois anos depois. Assim como Esperidião Amin na Capital. Isso tudo no pleito municipal de 1988. Os dois formaram dobradinha majoritária em 1990 e foram bem sucedidos. 

Pulverização

Em 1994, Kleinübing elegeu-se senador. Angela Amin concorreu ao governo pelo PPB (hoje PP); Konder Reis assumiu a proa com a renúncia de Kleinübing e tornou-se inelegível. Aí Jorge Bornhausen virou candidato a governador. Resultado: com a divisão do espectro conservador, Paulo Afonso foi bem sucedido, derrotando Angela Amin no segundo turno. 

Farra

Em 1998, já havia o instituto da reeleição, afinal o Congresso virou um balcão de negócios justamente para que Fernnado Henrique Cardoso pudesse concorrer à recondução, eleito que foi quatro anos antes. 

Goleada

Por aqui, Esperidião Amin deu de relho na tentativa de reeleição de Paulo Afonso, abrindo 1 milhão de votos de dianteira. Quatro anos antes, a esposa dele, Angela, tomou uma virada surpreendente do próprio Paulo Afonso. Já em 2002, foi a vez do marido ser surpreendido por outro emedebista, Luiz Henrique da Silveira. 

Repeteco

Repetiram o enfretamento em 2006 e LHS venceu novamente. Na primeira, o ex-governador tinha Eduardo Moreira de vice. O sulista cumpriu o último ano de mandato porque Luiz Henrique fez questão de disputar a reeleição fora do cargo assim como havia desafiado Amin a fazer em 2002, algo que o Progressista não topou. 

Tudo em casa

Em janeiro de 2007, Moreira devolveu o governo a LHS que já tinha como vice o então tucano Leonel Pavan. Este também cumpriu mandato-tampão. Luiz Henrique concorreu ao Senado em 2010 e levou junto a Brasília outro tucano, Paulo Bauer. 

Cabo eleitoral

Em 2010, LHS elege Raimundo Colombo ao governo, ele que havia sido eleito ao Senado pelo MDB em 2006 (embora estivesse filiado ao PFL, foram os votos emedebistas que garantiram a vitória do lageano).

Sequência

Colombo renovou o mandato em 14 tendo como vice o mesmo Eduardo Moreira que ganhou outro mandato-tampão, abrindo caminho para que o ex-governador disputasse o Senado em 2018, ano do tsunami conservador e bolsonarista que guindou à condição de governador o ilustre desconhecido Carlos Moisés. Ele bateu Gelson Merisio no turno final. 

Histórico

Pela primeira vez, o MDB ficou fora da grande final. Em 2022, tendo apresentado o candidato a vice de Moisés, o empresário Udo Döhler, novamente o Manda Brasa não chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Jorginho Mello (PL) num embate contra Décio Lima (PT). 

Trajetóras

Fazemos essa digressão pelo calendário para apreciar a logenvidade das lideranças políticas de SC. Jayson Barreto, Luiz Henrique, Vilson Kleinübing e Pedro Ivo Campos já partiram. Todos eles disputaram o governo. Angela Amin, depois de perder duas eleições na Capital, deixou de ser alternativa e recolheu-se. Assim como Paulo Bauer que na reeleição de Raimundo Colombo quase provocou o segundo turno em 2014. Colombo liquidou a fatura no primeiro round. 

Fogo de palha

Paulo Afonso ficou marcado pelo episódio dos precatórios e a derrota acachapante para Amin em 1998. Já se aposentou há muito tempo. 

Fake

Eduardo Moreira nunca teve votos. Sempre foi no vácuo. Pavan se elegeu três vezes prefeito de Balneário Camboriú; foi deputado federal, senador, vice-governador e ficou por aí. Hoje é pré-candidato a prefeito em Camboriú, cidade que deu origem ao famoso balneário. Trocou o PSDB pelo PSD. 

Fim da linha

Raimundo Colombo foi governador por sete anos, tendo sido senador antes disso. Agora perdeu duas consecutivas para a Câmara Alta. Em 18, amargou um quarto lugar. Não chegou a 1 milhão de votos. No ano passado, ficou em segundo, perdendo, contudo, por enorme margem para Jorge Seif. É outro que tem destino certo e selado: aposentadoria. 

Amin, o sobrevivente

O único sobrevivente desde a redemocratização é o senador Esperidião Amin. Está na segunda passagem pelo Senado. Foi duas vezes governador; pilotou a Capital em três oportunidades, e cumpriu vários mandatos de deputado federal. Considerando-se seu estupendo desempenho em Brasília no atual mandato – é hoje o melhor senador brasileiro – Amin poderá novamente ser candidato em 2026 aos 79 anos. O que ilustra, ainda, o enorme vácuo de lideranças consistentes em Santa Catarina.

Amigo do amigo

Por Cláudio Prisco Paraíso
12/09/2023 - 08h08

Na semana passada, o ministro Dias Toffoli tomou uma decisão estarrecedora. Vale relembrar: ele foi advogado do PT e trabalhou para a Casa Civil quando o ministro era Zé, sim, ele, José Dirceu. Posteriormente, Lula da Silva o nomeou para a Advocacia Geral da União, cargo de extrema importância.

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Da AGU, Sua Excelência foi indicado para o STF pelas mãos do ex-presidente. Antes disso, esse petista de carteirinha foi reprovado em dois concursos para juiz em São Paulo. Só neste país mesmo para alguém com esse histórico chegar à suprema corte de forma tão atípica. Sem o devido conhecimento técnico e, aparentemente, sem a imparcialidade que deveria guiar o Judiciário brasileiro.

Agora, monocraticamente, Dias Toffoli decidiu anular o acordo de leniência entre a Lava Jato e a empreiteira Odebrecht, firmado em 2016. Com sua decisão, o ex-advogado do PT invalidou todas as provas obtidas a partir da delação.

O banco de dados da Odebrecht estava repleto de informações. Havia planilhas detalhando as propinas pagas a políticos brasileiros ao longo de muitos anos. Inclusive, o próprio Dias Toffoli foi citado por Marcelo Odebrecht, filho de Emílio.

Herdeiro

Ele era considerado o príncipe do empresariado brasileiro. Realizaram uma delação com devolução milionária de recursos. Os Odebrechts admitiram as propinas pagas a diversos políticos. Marcelo explicou inclusive o codinome da atual suprema toga: "amigo do amigo do meu pai". O "amigo do pai" de Marcelo Odebrecht era o ex-presidente, e Toffoli, amigo de Lula. Simples assim.

Em causa própria

Ou seja, o ministro tomou uma decisão sobre um assunto do qual ele estava envolvido, segundo as planilhas da Odebrecht. A empresa tinha informações de repasse de recursos para o próprio Toffoli, incluindo uma reforma em sua residência. Agora, ele decide invalidar tudo.

Calhordice

Em seu despacho, a única argumentação foram os erros da Lava Jato. No entanto, a operação acertou muito mais do que errou. Muito mais.

Desenhem, por favor

E por que esses erros não foram detectados pela segunda instância, no TRF-4 de Porto Alegre? A primeira instância era em Curitiba, onde a Lava Jato foi liderada pelo hoje senador Sérgio Moro. Na corte gaúcha, o presidente deste país teve sua pena aumentada, por sinal, por três desembargadores federais.

Ao sabor das conveniências

E mais: se erros foram detectados agora pelo Supremo, por que não foram apontados pelo STJ ou pela própria suprema corte nos casos em que julgou? Então os ministros também erraram? E só agora perceberam? Algo muito estranho.

Perseguição política

Outro detalhe fundamental: Dias Toffoli destaca que muitas das provas obtidas por procuradores da República, como Deltan Dallagnol, ocorreram de forma equivocada.

Castelo de areia

E toda a argumentação do ministro para anular a delação é baseada também em provas ilegais, obtidas na Vaza Jato. Provas ilegais embasaram a decisão de tornar provas legais em "ilegais". A Vaza Jato foi conduzida por hackers de forma criminosa.

Inversão de valores

Mas para o ex-advogado do PT, valem as provas ilegais que protegem ele e seu grande amigo, Lula da Silva. Há dois pesos e duas medidas no STF, que parece ser um escritório de defesa de Lula e seus aliados.

Libelo à impunidade

Segundo o ministro, a condenação do ex-presidente foi "um erro histórico". Baseado em quê? Suas argumentações parecem estar fora do devido processo legal. No final das contas, apertem os cintos. Estes ministros supremos, do tipo que temos visto, são quem comandam o país, que tem um presidente que só pensa em aproveitar a vida com viagens ao exterior e se vingar daqueles que considera adversários.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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