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Ainda existe coragem e honradez

Por Cláudio Prisco Paraíso
15/09/2023 - 10h40
Sebastião Coelho da Silva - Foto: Divulgação

Registrem esse nome: Sebastião Coelho da Silva. O cidadão é de uma coragem inabalável. Destemido, posiciona-se com firmeza diante daqueles que precisam ser confrontados. Em 2022, ele esteve presente na posse de Alexandre de Moraes à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi em agosto do ano passado.

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Na ocasião, nosso personagem ocupava o cargo de vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. Como é comum em todos os tribunais regionais eleitorais, o vice-presidente também assume a função da Corregedoria- Geral de Justiça da corte. 

Coelho da Silva foi à investidura de Alexandre de Moraes esperando um discurso de pacificação. O evento, aliás, contou com a presença do então presidente Jair Bolsonaro e do ex-presidente Lula da Silva, ambos em campanha nacional. Duas semanas depois, no dia 22 de agosto, Sebastião Coelho da Silva renunciou a ambos os cargos e se aposentou como desembargador no final de dezembro do mesmo ano.

Sua decisão foi motivada pela decepção ante o discurso de Alexandre de Moraes que, em vez de promover a pacificação, inflamou ainda mais as tensões com várias alfinetadas na direção de Bolsonaro. O imperador diminuto assumiu o comando das eleições. Todo mundo sabe que o processo foi conduzido de forma tendenciosa e parcial.

Outro lado

Aposentado, Sebastião Coelho da Silva decidiu retomar sua carreira como advogado. Na quarta-feira, se iniciou, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento dos mais de 1.500 brasileiros que foram detidos em frente ao quartel-general do Exército em Brasília. Eles são acusados de serem os principais responsáveis pelos eventos do dia 8 de janeiro. 

Farsa

Muitos nem estiveram presentes à manifestação. Outros nem participaram, mas todos foram presos. A maioria já está solta, mas não escaparam de ser julgados. 

Guarda costas

Aqueles que se infiltraram através do Palácio do Planalto, com as portas abertas pelo general G. Dias, que comandava o Gabinete de Segurança Institucional, pois foi capanga do ex-mito nos dois primeiros mandatos, não foram procurados ou processados. 

Pesos e medidas

Se houve pessoas da direita que cometeram vandalismo, elas devem ser responsabilizadas. Rigorosamente. No entanto, todos devem ser responsabilizados igualmente. Infelizmente, parte do Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal, tem dois pesos e duas medidas. Para quem é de direita, a lei é rigorosa. Para quem é de esquerda, há um relaxamento absoluto.

Postura

Voltando a Sebastião Coelho da Silva. Ele retomou sua carreira como advogado e, no início do julgamento do caso do dia 8 de janeiro, fez uma defesa contundente de um dos militares da Polícia Militar do Distrito Federal. 

Perseguição

Ele também denunciou que Felipe Salomão, ministro do STJ, abriu uma investigação sobre sua atuação enquanto ainda estava em atividade. Sebastião interpretou isso como uma tentativa de intimidação e afirmou que não recuaria nem um milímetro. 

Perdeu, pequenino

Ele também mencionou que Alexandre de Moraes tentou indicar Salomão para o STF na vaga de Ricardo Lewandowski, mas não teve sucesso, pois Lula da Silva nomeou seu advogado, Cristiano Zanin. 

Aspas

Em sua manifestação, Sebastião foi direto: "Senhores ministros, vocês são as pessoas mais odiadas do Brasil. Isso é uma realidade." 

Suprema parcialidade

Ele questionou Alexandre de Moraes sobre um encaminhamento específico e, ao final, pediu seu impedimento no julgamento do caso dos militares da PM do Distrito Federal. Ao deixar a tribuna, as câmeras mostraram Alexandre de Moraes olhando para a presidente Rosa Weber. 

Sepulcral

Ninguém disse uma palavra. Sebastião Coelho da Silva deixou o plenário do STF com os ministros em silêncio. Ele fez o que muitos brasileiros gostariam de ter feito: colocou os ministros do STF em seu devido lugar. Aplausos para Sebastião Coelho da Silva.

Mais uma derrota

Por Cláudio Prisco Paraíso
14/09/2023 - 09h30

Sinte - Sindicato dos Trabalhadores na Educação em Santa Catarina. Historicamente ligado às esquerdas, mais especificamente ao PT. Há alguns meses, a entidade se movimenta com pauta reivindicatória no âmbito estadual. Chegaram a entrar em estado de greve recentemente, tentando pressionar a administração.

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Nesta semana, houve a assembleia decisiva do sindicato para aquilo que seus dirigentes imaginavam que seria a decretação de greve por tempo indeterminado na rede estadual de ensino. Foram para o voto. E aí veio a surpresa. Repetiram (democraticamente, claro) a votação. Nada.

Os petistas, sindicalistas, perderam. Por pequena margem, é verdade. O resultado, no entanto, não é comum. Eles sempre levaram e ganharam todas com folga na história recente deste estado. Normalmente 80%, 90% dos presentes respaldavam o encaminhamento de greve.

Dessa vez foi diferente. Ainda não está claro se o governo também se mobilizou e enviou professores para oferecer o contraponto à pelegada no intuito de tentar evitar a paralisação, que seria a primeira no governo Jorginho Mello.

Engatinhando

A gestão atual tem pouco mais de oito meses. Só por isso seria uma forçação de barra se iniciar uma greve politiqueira, tendo como pano de fundo as eleições municipais de 2024.

Burros n’água

O PT e a pelegada se deram mal. Jorginho derrotou os petistas pela segunda vez no período de 10 meses. Foi no final de outubro de 2022 que Décio Lima foi goleado no segundo turno do pleito estadual pelo atual governador.

Tiro no pé

Essa decisão, que pegou a esquerda no contrapé, pode estar a traduzir, ainda, uma outra situação. Digna de formulação e avaliação. Será que os servidores públicos, que tradicionalmente votam em candidatos e partidos de esquerda, já começam a reavaliar suas posições com contornos mais conservadores no território catarinense?

Termos

Nem vamos falar em bolsonarismo. Será que o funcionalismo começa a perceber que pode estar sendo usado, há muito tempo, como simples massa de manobra? Talvez haja professores se perguntando se é por aí mesmo o caminho? Muito estrategicamente, o governo fez alguns acenos recentes à Educação. Discretos, mas fez. Já numa demonstração de boa vontade.

Calendário

A decisão de ontem fulminou com a greve esse ano. Se tiver paralisação, será lá em março de 2024, com o calendário já se aproximando da campanha eleitoral.

Digno de registro

Ao fim e ao cabo, a derrota do PT e do Sinte é um fato quase que inédito em Santa Catarina. Desde Esperidião Amin, que venceu a eleição direta de 1982, o Sinte se especializou em fazer greves. Em todos os governos desde então até porque o PT nunca governou Santa Catarina.

Golpe de sorte

Em 2022, pela primeira vez, colocaram um candidato no segundo turno. Muito mais pela pulverização de candidaturas na centro direita e em função, ainda, de alguma de transferência de votos de Lula da Silva do que propriamente pela força da canhotada estadual.

Quinteto

No ano passado, tivemos, além de Jorginho Mello, Esperidião Amin, Gean Loureiro, Carlos Moisés (disfarçado, pois a cada dia ficam mais claras suas convicções esquerdistas) e Odair Tramontin concorrendo contra apenas uma chapa do outro lado, a do PT liderada pelo próprio Décio.

União

Em 2018, ele disputou sozinho pelo seu PT. No ano passado, a esquerda concentrou apoios e votos no ex-prefeito de Blumenau. Mas foi a pulverização no espectro oposto que levou o petista, por pouco mais de 20 mil votos, à vaga no round final, espaço que, ao natural, seria do ex-governador Moisés.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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