Certas estatísticas eleitorais dispensam discurso. Não é novidade que bandido prefere Lula, isso já havia se confirmado em 2022. E o candidato a presidente Flávio Bolsonaro resolveu fazer exatamente isso ao divulgar um levantamento sobre a votação presidencial em unidades prisionais no primeiro turno.
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Mas, além disso tudo, um resultado chama atenção e se refere a uma unidade prisional catarinense. No Presídio Regional de Chapecó, por exemplo, Lula recebeu 38 dos 40 votos válidos, ou 95%, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 2 votos, 5%. O resultado foi confirmado a partir do boletim da seção eleitoral.
Em outras unidades, a vantagem de Lula também foi expressiva. No Centro de Detenção Provisória de Caraguatatuba, foram 206 votos para Lula contra 22 para Flávio, equivalentes a 89,6% e 9,6%, respectivamente. Na região de Campinas, a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu e o CDP de Campinas somaram 216 votos para Lula contra apenas 13 para Flávio.
O contraste em Santa Catarina fica ainda mais interessante. Enquanto o estado elegeu Flávio Bolsonaro com ampla vantagem no primeiro turno, o Presídio Regional de Chapecó produziu um resultado praticamente invertido.
Foram 95% para Lula e no conjunto das 12 urnas instaladas em unidades prisionais catarinenses, Lula terminou com 55% dos votos válidos, contra 39,8% de Flávio.
Obviamente Lula se identifica mais com bandido não apenas porque já foi preso, mas pela sua política de conivência ao crime. E não apenas para "ladrãozinho" de celular.
Passada a euforia da eleição estadual de domingo, é hora de olhar para os números e começar a fazer algumas leituras sobre o que politicamente nos espera em Santa Catarina.
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Os números da nova composição da Assembleia Legislativa chamam atenção. Dos 40 deputados eleitos, o PL elegeu 16, o Republicanos, 3, o Podemos 2 e o Novo, 1. Essas 4 siglas estão na majoritária do governador reeleito Jorginho Mello.
É uma base que já sustenta a maioria na Alesc, ou seja, o governador chega para o segundo mandato com uma base parlamentar bastante confortável. Isso significa que Jorginho, a princípio, não precisa sair correndo atrás de uma maioria na Alesc. Ele já tem na própria casa.
Partidos que estavam do outro lado na eleição, como MDB, Progressistas, União Brasil e PSD, terão suas bancadas e, naturalmente, serão importantes nas articulações. Mas existe uma diferença muito pontual. O governador não depende necessariamente de trazer essas siglas para dentro do governo para conseguir governar.
Neste cenário é que me desperta curiosidade. Jorginho vai optar por governar essencialmente com os partidos que estiveram ao seu lado na eleição ou vai ampliar a base, incorporando essas outras siglas já de olho em 2030?
Ficou muito claro que alguns desses deputados estavam na coligação de João Rodrigues, mas, de certa forma, não abraçaram a sua candidatura, vamos dizer assim. E a primeira grande resposta deve aparecer já no início de fevereiro, com a posse da nova legislatura e, principalmente, a eleição da Mesa Diretora da Alesc.
A escolha do presidente da Assembleia e a composição da Mesa serão importantes para indicar como será a relação entre Legislativo e Executivo no segundo mandato.
Naturalmente as decisões tomadas agora não dizem respeito apenas à governabilidade a partir de 2027. As alianças construídas nos próximos quatro anos irão influenciar diretamente a próxima eleição estadual e a disputa de Jorginho Mello ao Senado.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.