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Racha exposto

Por Cláudio Prisco Paraíso
21/05/2026 - 08h44

A segunda passagem de Romeu Zema por Santa Catarina em menos de 30 dias deixou marcas profundas dentro do Novo catarinense. E, principalmente, escancarou aquilo que até então era tratado apenas nos bastidores: Adriano Silva e Zema definitivamente não estão na mesma trincheira política.

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O ambiente interno do partido ficou estremecido depois que o ex-governador mineiro resolveu atacar publicamente Flávio Bolsonaro por conta do áudio vazado envolvendo o liberal e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Zema classificou o episódio como “um tapa na cara dos brasileiros” e disse tratar-se de algo “imperdoável”.

A declaração teve repercussão nacional. Mas em Santa Catarina o impacto foi ainda mais delicado.

Constrangimento

Aqui, o principal nome do Novo abriu mão do comando da maior prefeitura catarinense — Joinville — para integrar o projeto de reeleição do governador Jorginho Mello, aliado direto de Flávio Bolsonaro.

Ou seja: Zema atingiu frontalmente o presidenciável do grupo político ao qual Adriano Silva está prestes a se integrar oficialmente.

Tiro no pé

O desconforto foi imediato. E tão logo desembarcou em Santa Catarina para o novo roteiro político, Zema precisou sentar à mesa com Adriano, os deputados Gilson Marques e Matheus Cadorin, além de Eduardo Ribeiro, catarinense que preside a agremiação no plano nacional.

Ali houve uma tentativa evidente de pacificação. O próprio Zema sinalizou recuo e tratou de colocar panos quentes na crise que ajudou a criar.

Distância

Mas Adriano Silva agiu cirurgicamente. Nenhuma foto dos dois juntos foi divulgada. Nem na reunião reservada. Nem nas agendas públicas.

Mais do que isso: Adriano simplesmente não acompanhou Zema nos compromissos realizados em Palhoça e São José, tampouco esteve presente no painel do Conexa 26, promovido pela Associação Empresarial de Florianópolis, mediado pelo presidente da entidade, Célio Bernardi.

Incontrolável

E foi justamente ali que Zema voltou a acionar a metralhadora giratória. No calor do debate, reafirmou que não se arrependia das críticas dirigidas a Flávio Bolsonaro. Ou seja: depois de tentar apagar o incêndio nos bastidores, reacendeu tudo em praça pública. Acrescentando, ainda, mais gasolina.

Prudência

A ausência de Adriano no evento não foi casual. Foi política. O ex-prefeito de Joinville buscou transmitir um sinal inequívoco de prudência e distanciamento estratégico. Até porque o Novo catarinense já havia divulgado nota crítica às declarações de Zema. E as lideranças liberais ligadas a Jorginho Mello passaram a cobrar posicionamentos internos mais firmes.

Pisando em ovos

Adriano Silva sabe que, daqui para frente, precisará pilotar essa relação com extremo cuidado. Porque hoje Zema deixou de ser apenas um presidenciável do Novo. Transformou-se em potencial fator de desgaste para a futura chapa majoritária catarinense.

Incômodo

Politicamente, o problema é menos interno do que externo. Em princípio, ninguém trabalha com rompimento da aliança entre Novo e PL em Santa Catarina. Muito menos com a saída de Adriano Silva da composição governista. Mas a exploração política desse ruído tornou-se inevitável.

Sem noção

E o curioso é que os primeiros a explorar o episódio foram justamente aliados liberais do próprio campo governista. Agora, evidentemente, os adversários também passarão a fazê-lo.

Agora, o que estes e estas liberais sem noção não devem estar levando em consideração é que Adriano Silva era cotado para cabeça de chapa numa composição com o PSD. Com potencial de crescimento, diferentemente de João Rodrigues, que tende a derreter. Como diria a sabedoria popular, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Limiar

Principalmente porque a situação criou uma imagem desconfortável: o principal nome nacional do Novo atacando justamente o presidenciável do grupo político ao qual Adriano pretende se vincular. É bastante perceptível que há liberais, com e sem mandato, desfilando em salto 18, o que não é aconselhável em momentos como o que estamos vivendo.

Isolamento

O cenário ainda pode se agravar. Caso Romeu Zema leve sua candidatura presidencial até o fim e Flávio Bolsonaro também confirme presença na disputa nacional, o ex-governador mineiro encontrará enormes dificuldades para voltar a Santa Catarina com protagonismo político. Porque Adriano Silva dificilmente lhe oferecerá palanque no contexto atual.

Tchau, tchau

E isso já ficou bastante claro nesta segunda passagem pelo estado. Na prática, Adriano até pode administrar institucionalmente a convivência com Zema dentro do Novo. O que ele não fará é vinculá-lo politicamente à futura coligação liderada por Jorginho Mello.

As imagens — ou melhor, a ausência delas — falaram por si. A conferir os desdobramentos.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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