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Derrota Histórica e o fim de Lula

Por Cláudio Prisco Paraíso
01/05/2026 - 09h24

A rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado Federal não é apenas um revés circunstancial — é um marco político de grandes proporções. O episódio expõe, com nitidez, o esgotamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato, fragilizado econômica, moral e, sobretudo, politicamente. Trocando em miúdos: o (des)governo sob Lula III acabou, exauriu-se. Deu.

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O povo brasileiro, aliás, está contando as horas para no dia 4 de outubro se livrar definitivamente de tudo isso que está aí. Ninguém aguenta mais. A incapacidade de articulação com o Congresso Nacional, já perceptível há meses, ganhou contornos definitivos. O Planalto perdeu o controle da agenda e, mais grave, perdeu a autoridade. O resultado da sabatina e da votação no Senado funciona como um atestado inequívoco: Lula sofreu sua maior derrota política, histórica, acachapante, no exercício da presidência.

Marco histórico

A última vez que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal foi em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro. Trata-se de um precedente remoto, de outra era institucional, social, econômica e política.

Lado a lado

Ao repetir esse feito, Lula não apenas entra para a história — entra da pior forma possível. Equipara-se, simbolicamente, a um governante militar frequentemente criticado por ele próprio ao longo de sua trajetória política. E sempre, naturalmente, de forma ácida, crítica e debochada, que é como Lula e seus camaradas enxergam as Forças Armadas deste país.

Fragilidade

A derrota evidencia algo mais profundo: a perda de condições de governabilidade. Lula já não consegue coordenar sua base, tampouco impor sua vontade política.
A rejeição de Messias também reflete o ambiente de desgaste do Supremo Tribunal Federal junto à opinião pública. Os atuais integrantes do STF arrastaram a Corte para a maior crise de sua história, e os reflexos começam a ganhar forma, saindo dos discursos indignados. O Senado captou esse sentimento e reagiu.

Pressão ao STF

A decisão abre um flanco relevante. Se o Senado foi capaz de barrar uma indicação presidencial para o STF, também sinaliza que pode avançar sobre pedidos de impeachment de ministros da Corte.

E não faltam pedidos nesse sentido. Há dezenas deles na direção de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Dino. O risco, portanto, deixa de ser teórico e passa a ser concreto.

Bastidores

Não se pode ignorar o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Sua atuação foi decisiva para o desfecho. Alcolumbre operou politicamente, como de costume, condicionado a interesses e reivindicações não atendidas pelo governo. Ainda assim, o dado central permanece: o Senado deu o recado — ainda que sob liderança circunstancial e pouco confiável deste cidadão.

Efeito eleitoral

O impacto é imediato no tabuleiro eleitoral. A derrota de Lula fortalece o campo oposicionista e, dentro dele, nomes como o de Flávio Bolsonaro, que esteve presente tanto na sabatina quanto na votação. Ele é senador pelo Rio de Janeiro.

Senil

A mensagem é direta: Lula perdeu densidade política e energia eleitoral. Sua eventual candidatura a um quarto mandato, que já estava sob desconfiança, passa a ser seriamente questionada.
Aos 80 anos, submeter-se novamente ao crivo das urnas, sem base parlamentar sólida e com a popularidade ladeira abaixo, torna-se uma equação de alto risco.

Agenda travada

Sem maioria consistente na Câmara e no Senado, Lula perde capacidade de propor e aprovar qualquer agenda relevante. Projetos sensíveis, especialmente na área econômica, enfrentam resistência crescente, inclusive do empresariado. O risco de derrotas sucessivas desestimula o próprio governo a pautar temas estratégicos.

Desfecho

O que se viu no Senado não foi um episódio isolado, mas o gatilho de uma reorganização política mais ampla. A rejeição de Jorge Messias desencadeia uma série de efeitos institucionais, administrativos e eleitorais.

Em síntese: a derrota não é apenas acachapante — é estruturante. Marca o início de um novo ciclo, no qual o governo Lula deixa de ser protagonista para se tornar refém das circunstâncias. E que venha logo o dia 4 de outubro.

Futuro do MDB-SC em xeque

Por Cláudio Prisco Paraíso
30/04/2026 - 08h38

O MDB de Santa Catarina carrega uma história que se confunde com a própria redemocratização brasileira. É um partido que marcou época — no país e, sobretudo, no estado —, forjado na resistência, na coragem e na capacidade de articulação em momentos decisivos da vida política catarinense.

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Desde 1965, quando nomes como Doutel de Andrade assumiram o comando da sigla, passando por lideranças como Dejandir Dalpasquale, eleito prefeito pelo PTB em Campos Novos e depois integrado ao MDB. O partido construiu uma trajetória robusta. Ao longo das décadas, figuras como Pedro Ivo Campos, Jaison Barreto, Ernesto De Marco, Chico Libardoni e Laerte Ramos Vieira ajudaram a consolidar o MDB como protagonista da política estadual.

Foi uma agremiação que quase chegou ao governo já em 1982. No retorno das eleições diretas, Jaison Barreto perdeu para Esperidião Amin por uma margem estreita de 12.500 votos.

Consagração

Em 1986, a vitória veio com Pedro Ivo Campos, ainda que seu mandato tenha sido completado por Casildo Maldaner. Em 1994, o partido elegeu o jovem Paulo Afonso Vieira. Já em 2002, sob a liderança de Luiz Henrique da Silveira, o MDB voltou ao topo, derrotando o próprio Amin, sendo posteriormente reconduzido ao cargo e abrindo caminho para a ascensão de Raimundo Colombo, no contexto da chamada tríplice aliança.

Ladeira abaixo

Mas a trajetória recente é bem menos gloriosa. Em 2018, com Mauro Mariani, o MDB ficou fora do segundo turno — um fato inédito até então. Em 2022, repetiu-se o cenário: o partido integrou a chapa de Carlos Moisés com Udo Döhler como vice, mas novamente não alcançou a fase decisiva. A partir daí, o declínio eleitoral tornou-se evidente. Agora, em 2026, o partido enfrenta talvez sua crise mais profunda.

Racha exposto

A promessa de composição com Jorginho Mello — que incluiria o MDB como vice — não se concretizou. Houve mudança de rumo: Jorginho optou por Adriano Silva e tenta, agora, manter o MDB em sua base. O problema é que o partido está literalmente rachado.

Experiência

E não se trata de uma legenda que desconheça conflitos internos. O MDB já viveu embates históricos: Jaison Barreto contra Pedro Ivo Campos; depois, Pedro Ivo contra Luiz Henrique da Silveira; mais adiante, Eduardo Moreira enfrentando Mauro Mariani e Dário Berger. Divergências sempre existiram — mas nunca nesse nível ao qual estamos assistindo.

Vácuo

A diferença central está na ausência de lideranças com densidade política. Hoje, o MDB carece de nomes capazes não apenas de formular e articular estratégias, mas de mobilizar a militância e arrastar apoio popular. Essa lacuna é determinante para o cenário atual.

Lideranças divididas

Neste momento, a maior parte das lideranças relevantes do partido sinaliza preferência por estar ao lado de Jorginho Mello, mesmo após o MDB ter sido preterido da vaga de vice na chapa majoritária.

Suplência

Há, como compensação, a oferta da primeira suplência ao Senado — possivelmente para Antídio Lunelli na chapa de Carol De Toni. Mas, evidentemente, não se trata do mesmo peso político.

Cavalo paraguaio

Por outro lado, essas mesmas lideranças não enxergam em João Rodrigues um nome com capacidade de liderar um projeto eleitoral sólido que reposicione o MDB em condição competitiva no Estado.

Pavimentado

O favoritismo de Jorginho Mello, neste cenário, é considerado amplo. O MDB esteve dentro do governo por três anos e meio. Houve um afastamento recente, um “chega para lá”, mas o governador volta a acenar com espaço em um eventual segundo mandato.

A carta abissal

A situação, que já era delicada, se agravou com a carta aberta do presidente estadual, deputado federal Carlos Chiodini. O documento, duro e considerado por muitos precipitado e fora do tom, rejeita o movimento de grande parte do partido — incluindo deputados estaduais, federais, senador e cerca de 80% dos prefeitos e vice-prefeitos — favorável à aliança com Jorginho. Esse gesto escancarou o racha.

De cima

Chiodini tem respaldo. Conta com o apoio do presidente nacional Baleia Rossi, de quem é vice no diretório nacional. Além disso, detém maioria formal dentro do partido, especialmente na convenção, já que os delegados são, em grande parte, presidentes municipais da sigla. Mas há um detalhe crucial: essa maioria controla o CNPJ, mas não necessariamente os CPFs mais destacados.

CNPJ versus CPF

O MDB vive hoje um dilema clássico: a estrutura formal está de um lado, enquanto o capital político mais expressivo está, majoritariamente, do outro. Se o partido formalizar apoio a João Rodrigues sem levar consigo suas principais lideranças, o cenário que se desenha é de esvaziamento progressivo.

Pulando fora

Considerando o favoritismo de Jorginho Mello à reeleição, a tendência é que, em caso de vitória, ele consolide ainda mais sua base política, pilotando a máquina estadual. Isso ampliaria, e muito, o risco de debandada no MDB a partir de 2027.

Encruzilhada

O impacto pode ser profundo, especialmente olhando para as eleições municipais de 2028. Sem presença no governo estadual e com lideranças dispersas, o partido corre o risco de perder uma parcela significativa de seu capital político e eleitoral.

Coadjuvante

O MDB, que por seis décadas foi protagonista em Santa Catarina, pode entrar em um ciclo de irrelevância. O racha atual não é apenas mais uma crise interna — é, potencialmente, um ponto de inflexão na história da sigla no estado.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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