Santa Catarina receberá, no próximo dia 19, os dois protagonistas da disputa presidencial. Lula estará em Florianópolis, enquanto Flávio Bolsonaro terá compromissos em Joinville e Chapecó.
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As visitas colocam a polarização nacional dentro da campanha catarinense. E deixam João Rodrigues diante de um problema: como disputar espaço entre o bolsonarismo de Jorginho Mello e a candidatura de Gelson Merisio, apoiada por Lula?
Lula na Capital
O ato petista está previsto para a manhã de sábado, na Praça Tancredo Neves, repetindo o endereço utilizado na campanha de 2022. A presença do presidente deverá dar maior visibilidade a Merisio e tornar mais clara sua identificação com o eleitorado de esquerda. Para João, isso representa uma dificuldade adicional: o adversário pode consolidar os votos de quem rejeita Jorginho e procura uma candidatura vinculada a Lula.
Flávio no Norte
Joinville tem peso eleitoral e econômico suficiente para justificar a passagem de Flávio. A agenda também valoriza a composição de Jorginho com Adriano Silva, que deixou a prefeitura para compor de vice. A recepção de Rejane Gambin, que assumiu o município, reforça a presença dessa aliança na cidade. O encontro oferece uma vitrine para a ligação entre a candidatura presidencial do PL e o projeto estadual.
Disputa no Oeste
Chapecó acrescenta um recado político. É a principal base de João Rodrigues, onde sua trajetória como prefeito lhe assegura identificação com o eleitorado. Levar Flávio até ali, ao lado de Jorginho, significa disputar o voto conservador no território do adversário. A mensagem é direta: o eleitor pode reconhecer a gestão municipal de João e, ainda assim, escolher o palanque bolsonarista para o governo estadual.
Agenda apertada
A duas semanas da votação, uma nova passagem dos presidenciáveis por Santa Catarina fica praticamente descartada. Os grandes colégios eleitorais e as regiões decisivas para a disputa nacional exigirão atenção. Sábado será uma oportunidade de transformar apoio presidencial em identificação política. Depois, restará pouco tempo para corrigir uma campanha sem mensagem clara.
Merisio encosta
A aproximação de Merisio já aparece em levantamento divulgado. Na pesquisa AtlasIntel encomendada pelo Grupo ND, Jorginho registra 51,6%, enquanto João e Merisio aparecem tecnicamente empatados na segunda colocação. Isso não autoriza anunciar Merisio como segundo colocado isolado. Mas desmonta a ideia de que João tem posição confortável entre os adversários do governador. A visita de Lula poderá acirrar essa disputa.
Aliança rachada
João também enfrenta dissidências na própria coligação. Prefeitos do PSD, do MDB e do PP têm declarado apoio a Jorginho, expondo a distância entre os acordos partidários e as escolhas das lideranças municipais. O efeito vai além da fotografia. Prefeitos ajudam a organizar agendas, reunir apoiadores e sustentar candidaturas nos municípios. Quando escolhem o adversário, enfraquecem a mobilização de quem deveria contar com eles.
Risco para o PSD
Uma candidatura ao governo com dificuldade para crescer também gera insegurança entre os candidatos a deputado. O palanque majoritário deveria impulsionar as nominatas; quando perde força, cada candidato passa a cuidar da própria sobrevivência. É cedo para cravar cadeiras, mas uma campanha enfraquecida pode comprometer a ambição do PSD de ampliar suas bancadas em Brasília e na Assembleia.
O fantasma de 2022
Jorginho reúne condições para buscar a vitória no primeiro turno, embora a eleição ainda dependa das urnas. João precisa evitar que a disputa se organize inteiramente em torno dos campos de Lula e Flávio. Enquanto Jorginho e Merisio recebem seus presidenciáveis, João precisa mostrar por que sua candidatura continua indispensável.
A bagunça é generalizada. Edson Fachin tentou convencer o país de que havia assumido o controle da crise. Os acontecimentos mostram uma presidência que centraliza processos, mas ainda não consegue transmitir unidade.
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Quando cada ministro anuncia sua própria solução, a autoridade do tribunal se desgasta. O brasileiro já não sabe se acompanha uma Corte ou uma disputa permanente por poder.
O passado pesa
Cristiano Zanin foi advogado de Lula antes de ser indicado por ele ao Supremo. Flávio Dino chegou ao tribunal depois de comandar o Ministério da Justiça do mesmo governo. Essas trajetórias exigem independência visível, sobretudo em decisões capazes de produzir desgaste para o presidente que os nomeou.
Duas decisões
Lula saiu da prisão em 2019, após a mudança do entendimento do STF sobre a execução da pena em segunda instância. Em 2021, Fachin anulou suas condenações por reconhecer a incompetência da Justiça Federal de Curitiba.,A anulação não foi uma absolvição de mérito, mas retirou a validade das condenações. Politicamente, devolveu a Lula a elegibilidade. É esse histórico que torna pouco convincente qualquer tentativa de apresentar sua relação com o Supremo como distante.
O poder de Moraes
O inquérito das fake news se tornou símbolo da concentração de poderes em Alexandre de Moraes. Para a direita, passou a representar uma atuação judicial marcada por excessos e restrições à liberdade de expressão. Retirar seu comando das mãos do ministro foi um movimento relevante. Mas trocar o responsável não resolve a discussão sobre limites, duração e controle das investigações. A cobrança precisa alcançar o método, além do nome na relatoria.
Mendonça atingido
Agora, Fachin assumiu o caso envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro e determinou a paralisação de apurações do Banco Master e do INSS, diante da discussão sobre possíveis conflitos de interesse. O movimento também atinge André Mendonça. A pergunta é inevitável: a centralização vai dar segurança às investigações ou reduzir seu ritmo justamente quando elas se aproximam de autoridades? A resposta terá de aparecer nos atos.
Zanin entra em cena
Neste domingo, Zanin determinou que a Polícia Federal encaminhasse ao seu gabinete a íntegra do conteúdo do celular de Vorcaro. Sustentou que não existe hierarquia entre os ministros e que precisa conhecer as provas para formar sua convicção. Assim como Gilmar Mendes, ele recebeu todos os informes solicitados à PF. O acesso às provas exige critérios claros. Às vésperas da sessão, porém, a sucessão de ordens reforça a imagem de um Supremo incapaz de organizar sua própria crise sem expor novas divergências.
O interesse de Lula
Uma investigação rigorosa sobre Moraes poderia permitir a Lula tentar se afastar politicamente do ministro. Uma apuração sem consequências, por outro lado, alimentaria a acusação de blindagem. Isso não prova um acordo. Mas a defesa que aliados de Lula fizeram e continuam fazendo de Moraes agora cobra explicações. Afinal, ambos foram escolhidos pelo próprio presidente.
Meia-sola não resolve
A sessão de 15 de setembro precisa oferecer mais do que uma resposta para as manchetes. Autorizar uma investigação e deixá-la sem perspectiva de conclusão não restaurará a confiança pública. O país precisa conhecer o alcance da apuração, suas garantias de independência e os fundamentos das decisões. Suspeitas não equivalem a culpa, mas a toga também não pode funcionar como proteção contra o escrutínio.
Reforma de verdade
A saída exige responsabilização individual, limites ao poder monocrático e reformas pelos caminhos constitucionais. O Senado também precisa exercer suas atribuições de fiscalização. Uma Corte respeitada não depende de ministros intocáveis. Depende de regras que valham para todos, inclusive para quem veste a toga. Autorizada a investigação (se ninguém pedir vista, o que parece improvável), Alexandre Moraes teria que ser afastado do Supremo. Fachin quer demonstrar comando. Terá de provar que centralizar processos significa fazer a Justiça avançar. Porque administrar o desgaste dos colegas é muito diferente de recuperar a credibilidade do Supremo.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.