A deputada federal Carol De Toni consolidou-se, ao longo de dois mandatos, como uma das principais vozes catarinenses no Congresso Nacional. Eleita pela primeira vez em 2018, no embalo da onda liderada por Jair Bolsonaro, obteve uma votação expressiva. O desempenho no primeiro mandato foi tão consistente que garantiu a reeleição, já pelo PL, com quase 250 mil votos — um feito relevante em qualquer cenário.
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Mais do que isso: Carol De Toni figurou entre um seleto grupo de 17 deputados federais em todo o país que não dependeram do coeficiente eleitoral partidário para se eleger. Ou seja, conquistou a vaga exclusivamente com votação própria — um indicativo claro de densidade eleitoral. Foi, inclusive, a deputada federal mais votada de Santa Catarina.
No campo proporcional, apenas Ana Campagnolo, com quase 200 mil votos à Assembleia Legislativa, aproximou-se desse desempenho, sem, no entanto, superá-la. Os demais 15 deputados federais eleitos no estado ficaram abaixo da marca de Ana — o que reforça o protagonismo da parlamentar dentro da chamada trincheira liberal.
Na proa
No segundo mandato, que se encaminha para o fim, Carol ampliou sua presença institucional. Presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais poderosa da Câmara dos Deputados, com desempenho consistente. Também exerceu a liderança da minoria — função estratégica que exige articulação política e domínio do regimento. Naturalmente, seu nome passou a ser cogitado como opção viável ao Senado.
Derrapada
Articulada e com trânsito político relevante, vinha construindo um caminho sólido. Até a semana passada. Em participação em um podcast, a deputada levantou a hipótese de o senador Esperidião Amin não disputar a reeleição, sendo alçado a um eventual ministério em um hipotético governo de Flávio Bolsonaro. Em contrapartida, o PP catarinense apoiaria a reeleição do governador Jorginho Mello.
Tiro no escuro
A proposta, além de politicamente sensível, desconsidera um arranjo previamente estabelecido: a dobradinha entre Amin e Carol De Toni para o Senado, articulada desde o início pelo próprio Jorginho Mello, com o MDB indicando o vice.
Cavalo de pau
Esse desenho, no entanto, sofreu alterações com a entrada do então prefeito de Joinville, Adriano Silva, como vice — movimento que também abriu espaço para Carlos Bolsonaro, o “Carluxo”, na composição majoritária, por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fora dessa
O rearranjo político acabou retirando Amin da chapa majoritária. E é nesse contexto que surge a sugestão de transformá-lo em ministro — o que, na prática, significaria excluí-lo da disputa eleitoral.
Reação e ruído
A reação de Esperidião Amin foi imediata e contundente. Até um pouco ríspida, fugindo ao seu estilo. Classificou a proposta como uma “ofensa debochada” e invocou um princípio básico da política e do mundo das negociações: não oferecer ao outro aquilo que não se aceita para si.
Eu, não
O argumento do senador encontra respaldo em fatos recentes. Quando sua própria posição na disputa ao Senado esteve sob ameaça — justamente diante da possibilidade de composição envolvendo Amin e Carlos Bolsonaro —, Carol De Toni reagiu cogitando mudança de partido, com alternativas como o Novo e outras siglas que lhe ofereceram legenda.
Nada disso
Também houve especulações sobre sua eventual indicação a vice de Jorginho Mello, hipótese mencionada por Valdemar da Costa Neto, mas que não prosperou — em parte por falta de aceitação da própria deputada. A contradição, portanto, é evidente: o que não serve para si, seria aceitável para o outro?
Efeito colateral
Politicamente, o episódio produz um efeito inverso ao pretendido. Em vez de enfraquecer, fortalece a posição de Esperidião Amin no tabuleiro eleitoral. A reação firme, somada à sua trajetória de mais de 50 anos de vida pública e mais de quatro décadas de mandatos, reforça a imagem de liderança experiente e respeitada — não só em Santa Catarina, como em Brasília.
Tibieza
Ao mesmo tempo, o episódio acaba por expor fragilidades na construção da candidatura de Carlos Bolsonaro, que ainda não demonstrou aceitação suficiente no cenário catarinense. A simples necessidade de uma articulação dessa natureza já indica que o projeto não engrenou como esperado.
Fora do tom
Carol De Toni construiu, com mérito, uma trajetória política ascendente, ancorada em votos, visibilidade e desempenho institucional. Mas política é também percepção — e movimentos mal calibrados podem custar caro. A sugestão envolvendo Esperidião Amin foi, no mínimo, um erro de avaliação estratégica. E, no máximo, um ruído desnecessário que reconfigura forças no jogo eleitoral. Pisou na bola. Feio.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
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