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Sem bússola

Por Cláudio Prisco Paraíso
09/06/2023 - 08h00
Mauro Mariani - Foto: MDB/Divulgação

Desde o prematuro desaparecimento de LHS, o MDB-SC não acertou mais o passo. Ele faleceu em 2015. Depois também ocorreu a partida de Casildo Maldaner, que liderou a sigla por mais de uma década. 

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Mauro Mariani acabou assumindo a presidência do Manda Brasa após a partida dos dois. Ele foi candidato ao governo em 2018. Pela primeira vez em 40 anos, o MDB não chegou ao segundo turno da eleição estadual. 

Mariani deixou a vida pública e partidária logo após a derrota. Quem assumiu o comando emedebista foi o irmão de Casildo, o então deputado federal Celso Maldaner, que viabilizou uma candidatura ao Senado em 2022. Ficou em quinto lugar. O partido sequer lançou candidato a governador e apoiou a frustrada tentativa de reeleição de Moisés da Silva.

Bastidores

Maldaner seguiu o mesmo caminho de Mariani, cuidando de seus negócios privados. Após as eleições de 2022, Baleia Rossi, deputado federal e presidente nacional do partido, entregou a comissão provisória de SC para o amigo Carlos Chiodini.

No ar

O que se esperava com a ascensão do ainda jovem parlamentar Chiodini? Renovação e oxigenação das fileiras emedebistas, especialmente diante dos resultados pouco favoráveis das últimas duas eleições estaduais.

Lacuna

Agora, observa-se que o MDB não possui nomes fortes para as principais cidades do estado, com exceção de Jaraguá do Sul.

Bancadas

Dos nove deputados estaduais, o partido conquistou seis vagas na legislatura que se iniciou este ano. Em relação aos deputados federais, são três das 16 cadeiras. O MDB-SC não elegeu nenhum nome para a majoritária. Quanto aos prefeitos, a sigla ainda possui quase 100 por toda SC, porém, a maioria está em pequenos e médios municípios.

Retrovisor

Ao mesmo tempo que sinaliza renovação, Carlos Chiodini indica o desejo de ter Dário Berger de volta ao MDB. Filiado ao PSB, de esquerda, Dário concorreu à reeleição ao Senado na chapa liderada pelo PT de Décio Lima e apoiou Lula da Silva.

Vice

O MDB catarinense, por sua vez, esteve presente com Moisés. No segundo turno, boa parte do partido apoiou Jorginho Mello. Na bancada, quase todos estavam alinhados ao conservadorismo.

Afinidades

No entanto, Carlos Chiodini está alinhado com os três ministros que o MDB indicou para o governo Lula. Existe um descompasso nesse sentido. Em meio a tudo isso, Jorginho selecionou Mauro Mariani para ocupar um cargo de diretor do BRDE. 

Parceria

Mariani, que como candidato a governador em 2018, abriu espaço para Jorginho Mello disputar o Senado – uma empreitada que foi vitoriosa.

Solidão

Em 2018, Mariani era deputado federal e só contava na bancada com Chiodini, que exercia mandato estadual. Todos os outros estavam alinhados a Eduardo Moreira.

Opções do Norte

Agora, chegou a vez de Jorginho buscar Mauro Mariani. Lá na frente, quem duvida que o ex-deputado possa ser uma opção, assim como Antídio Lunelli, para compor a majoritária de reeleição do governador em 2026? Chiodini pode ficar de fora.

Pisando em ovos

A situação é delicada. A própria bancada estadual não está satisfeita com a aproximação de Chiodini com o governo Lula. Não que o emedebista tenha algum compromisso, mas está próximo do PT.

Perfil

Os deputados estaduais sabem que o eleitorado catarinense é essencialmente conservador e bolsonarista. Isso ficou mais do que evidente em 2018 e 2022. Há cinco anos, Bolsonaro elegeu um grande número de deputados estaduais. No ano passado, foi decisivo para a vitória do atual governador. 

O PL conquistou 20 mandatos em SC graças ao apoio de Bolsonaro. Como os emedebistas vão considerar uma aproximação com o PT? O MDB está precisando de um timoneiro. Ou, no mínimo, que todas as principais lideranças se sentem e busquem alguma convergência.

Recado a Lira

Por Cláudio Prisco Paraíso
08/06/2023 - 08h00
Arthur Lira - Foto: Reprodução

Lula da Silva, o ex-tudo do PT, não é Dilma Rousseff. Isso é inquestionável. O atual presidente é bem mais astuto e preparado politicamente. Ela foi cassada pelos deputados que estavam sob a presidência de Eduardo Cunha lá em 2016 porque se achou a toda poderosa.  

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Por mais que tenha falado asneiras, bobagens, Lula III tem senso de sobrevivência política. E sabe fazer o jogo. Quando percebeu que o deputado Arthur Lira tinha derrubado seus decretos e seus projetos, o ex-mito puxou o freio de arrumação e chamou o parlamentar para conversar.

Lira derrotou Lula da Silva no Marco Temporal e em outras medidas. O deputado mandou claros recados. O Planalto recuou mas também mandou seus recados. É recado pra lá, pra cá.
Uma beleza.

Agora vai

Lula assumiu a articulação política, mas a Polícia Federal realizou operações em Alagoas e em Brasília, tendo Arthur Lira na mira. Não ficou só nisso. O ministro Dias Toffoli desengavetou uma denúncia de 2019 contra Lira. O processo já havia sido julgado e o deputado foi condenado.

Alto lá

Dias Toffoli pediu vistas antes do resultado final do julgamento. Ficou três anos sentado em cima da denúncia, apesar da condenação do deputado.

Colo do pai

Arthur Lira seguramente se comprometeu a ser mais obediente ao Planalto e a denúncia foi soterrada.

Musculatura

Lira, presidente da Câmara e chefe do Centrão, é poderoso. O governo e o STF mandaram recados a ele. Se fosse um cidadão inatacável, tudo bem. Mas o alagoano não serve para santo. E não tem interesse em uma conflagração, numa rebelião contra o governo.  

Mundo encantado

Lula da Silva deve ter dias mais tranquilos a partir de agora quando o assunto é a Câmara dos Deputados. No Senado, ele já tem lá um vassalo. Essa denúncia contra Lira foi para a gaveta. Mas tem outras contra o poderoso parlamentar das Alagoas.

Falando grosso

Supremo e Planalto mandaram recado ao presidente da Câmara. Inclusive as conversas sobre semipresidencialismo, que avançavam, subiram no telhado. Nos bastidores, Arthur Lira vinha conjecturando nessa direção.

Lula III
 
A ideia era transformar Lula numa Rainha da Inglaterra, tese defendida por Michel Temer e Gilmar Mendes lá atrás. O tal semipresidencialismo. Diante da reação pesada do STF contra Lira, esse assunto certamente saiu da pauta.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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