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Bolsonaro na mira

Por Cláudio Prisco Paraíso
21/06/2023 - 08h00
Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil/Divulgação

Todas as atenções do picadeiro político tupiniquim voltadas para o “julgamento” de Jair Bolsonaro pelo TSE. O espetáculo começa esta semana. É um contexto que tem seus traços dos tempos do impeachment de Dilma Rousseff, embora com encaminhamentos diferentes. Ela foi apeada do poder. Ele deve ter seus direitos políticos suspensos por oito anos. A intenção é tirá-lo do jogo sucessório.

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O ex-presidente não deve ser preso até para não ser martirizado e potencializar sua força entre o eleitorado conservador e o de centro. A corte eleitoral já deixou isso muito claro. Além do processo cujo julgamento se inicia esta semana, há outras ações na agulha para o caso desta não vingar conforme o desejado pelo narcoestado.

É muito provável, contudo, que a ação em tela venha a ser liquidada ainda em junho. Com Bolsonaro fora do jogo, o caminho da direita está aberto para um governador liderar o segmento daqui a três anos: Romeu Zema, de Minas, ou Tarcísio de Freitas, de São Paulo. Michelle Bolsonaro está no cenário. Muito provavelmente seria opção para compor chapa.

Ao natural

Os dois mandatários são nomes naturais. Poderia ser resgatada a velha e tradicional política do café com leite, que marcou a primeira metade do século passado. Teria um paulista e um mineiro na chapa.

Dupla forte

Não resta a menor dúvida de que uma composição envolvendo Tarcísio e Zema ficaria muito forte e competitiva.

Grande eleitor

Bolsonaro pode até ser retirado da disputa eleitoral. Mas não vão caçá-lo no seu direito de circular pelo país – é o que se imagina, mas...- pedindo votos para candidatos do PL ou candidatos conservadores.

Perseguição

O fato dele se tornar inelegível não tirará musculatura eleitoral do ex-presidente. A perseguição, uma vez escancarada, pode até fortalecê-lo ainda mais. Seria o grande cabo eleitoral do próximo pleito.

Perfil

Caso típico de Santa Catarina Por aqui, em 2018, o conservadorismo liderado por Jair Bolsonaro elegeu um governador. Por 18 mil votos não elegeu senador, mas emplacou quatro federais e seis estaduais.

Reonda

Em 2022, a onda ganhou ainda mais força. Novamente a direita a reboque do ex-presidente elegeu o governador, além da vice, um senador, seis federais e nada mais nada menos do que 11 deputados na Alesc.

Incógnita

Como virá o pleito de 2026 para os catarinenses? Mais próximo de 2018 ou de 2022? Ainda é muito cedo para qualquer projeção mais abalizada, mas que a direita terá força no Estado, isso não se discute. Não se imaginava, por exemplo, que no ano passado Bolsonaro teria uma influência ainda maior do que teve há quatro anos no estado.

Limites petistas

Em SC, convém lembrar, o PT nunca elegeu um governador. O partido já administrou algumas das maiores cidades do Estado, mas foi um período. Nunca mais retornou ao poder em Joinville, Blumenau, Criciúma e Chapecó, por exemplo.

Avanço

É bem verdade que ano passado a união de quase todas as esquerdas levou Décio Lima, um petista de carteirinha, ao segundo turno da eleição estadual. Foi a primeira vez na história que o PT carimbou passaporte para o round decisivo do pleito Barriga-Verde. Mesmo assim, o ex-prefeito de Blumenau fez 30% dos sufrágios. Salvo algo extraordinário, trata-se do teto canhoto entre o eleitorado catarinense.

A derrapada pessedista no Sul

Por Cláudio Prisco Paraíso
20/06/2023 - 08h00
Prefeito de Criciúma, Césio Salvaro - Foto: Divulgação/PMC

Tudo leva a crer que o PSD-SC fez um movimento absolutamente equivocado ao trazer o prefeito Clésio Salvaro, de Criciúma, para a sigla. Evidentemente que estão pensando no ex-tucano pra compor uma chapa majoritária no pleito de 2026.

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Quem sabe um outro nome para a composição seria o de João Rodrigues, desde que ele consiga a reeleição em Chapecó no próximo ano. Vale lembrar que os dois tentaram formar uma dobradinha ao governo pra esvaziar a candidatura de Jorginho Mello no ano passado.

Chegaram até a convidar o empresário Luciano Hang para o Senado. Do convite à negativa do brusquense passou-se um mês e meio em 2022. Como o dono da Havan negou fogo, os dois prefeitos desistiram do projeto e não renunciaram para tentar o voo estadual.

Muito bem. Agora tanto Clésio quanto o João vão estar no mesmo partido, o PSD-SC, após a oficialização da chegada dos sulistas às hostes pessedistas.

Juntos

Aliás, quando o prefeito de Criciúma assinou a ficha (no dia 16 de maio), que será oficializada em grande evento no dia 26, na Capital, João Rodrigues esteve no gabinete do colega no Sul.

Tiro no pé

Só que o PSD se encontra na iminência de levar uma invertida. Essa que é a grande realidade. O partido conta hoje com dois deputados federais em Santa Catarina.

Dupla

Ismael dos Santos, de primeiro mandato, e Ricardo Guidi, reeleito pelo Sul tendo a sua base principal em Criciúma. Vem a ser filho de um ex-prefeito de dois mandatos, o saudoso Altair Guidi, que também foi deputado estadual e secretário estadual dos Transportes no segundo governo Esperidião Amin.

Tratorada

Ocorre que resolveram atropelar Ricardo Guidi. Só que esqueceram que, em pesquisas internas, ele aparece em primeiro lugar na intenção de votos para 2024.
A cúpula do PSD, contudo, resolveu apostar na força política de Clésio, acreditando que ele vai eleger o sucessor. Trata-se do vereador licenciado e secretário municipal Arleu da Silveira.

Trabalho

Nome que poderá ganhar competitividade, mas vai depender muito mais do padrinho do que dele próprio. Ricardo Guidi, embora jovem, já tem sua própria trajetória política.
Está no terceiro mandato de deputado (Um de estadual e dois de federal).

Sangue

Detalhe importante: quem impediu a filiação de Clésio Salvaro ao PL é a mesma liderança que está ajudando a trazê-lo para o partido de Jair Bolsonaro. A deputada federal Julia Zanatta, que vem a ser sua prima. Os avós de Ricardo e Julia são irmãos. Basta lembrar que o sobrenome da mãe de Ricardo Guidi, viúva de Altair, é Sandra Zanatta.

Proximidade

Sandra já foi suplente senador de Esperidião Amin. Outro aspecto: Ricardo Guidi poderá assumir a Secretaria de Meio Ambiente, a única que ainda não foi preenchida no governo de Jorginho Mello. O informe é do competente colega Anderson Silva, do Grupo NSC.

Musculatura

Sem dúvidas, seria uma vitrine a mais para fortalecer o projeto de Guidi à prefeitura. A questão ambiental tem tudo a ver com a região carbonífera.

O retorno

De quebra, a investidura do sulista abriria caminho para o retorno de Darci de Matos a Brasília. O que seria visto como um gesto do governador Jorginho Mello na direção do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira. O alagoano tinha em Darci o parlamentar mais próximo dele da legislatura passada.

Tabuleiro

Mais um componente neste xadrez. No pleito criciumense, Júlia Zanatta obviamente retiraria a sua candidatura em favor de Ricardo Guidi, movimento que poderá atrair outros partidos ao projeto, como o próprio PP (partido onde Lira é o todo-poderoso hoje).

Laços históricos

Considerando-se, ainda, a proximidade de Esperidião Amin tanto com seu falecido pai quanto com a sua mãe. Lembrando ainda que Ricardo já foi filiado ao PP, sigla que foi preterida por Clésio Salvaro ao escolher o PSD.

Contabilidade

Resumo da ópera: tanto o PSD quanto o próprio Clésio Salvaro podem ter pisado, literalmente, na bola. Derrapada que tem componentes passíveis de favorecerem justamente Ricardo Guidi no contexto municipal como também o projeto de reeleição do atual governador. Não custa lembrar que Criciúma é o principal município do Grande Sul do Estado.

Na estrada

O que não dá pra entender é o porquê de Clésio Salvaro ter deixado Acélio Casagrande pelo caminho. O ainda secretário municipal fez a maior votação de um candidato proporcional em Criciúma no ano passado. Expressivos 26 mil votos. Impulsionado pelo próprio prefeito naturalmente. Mesmo assim, foi um belo resultado.

Aposta

Agora o alcaide criciumense elegeu um vereador relativamente desconhecido, para tentar fazê-lo seu sucessor.

Currículo

Acélio, registre-se, já assumiu como deputado federal e foi secretário de Estado da Saúde. Quem deve estar achando graça dessas trapalhadas tipicamente pessedistas é o governador Jorginho Mello.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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