Lula - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil Definitivamente, o brasileiro não tem como se dar por satisfeito com os representantes dos três poderes. No Executivo, o atual inquilino do Planalto já se prepara para mais uma viagem internacional. Será na semana que vem. O destino? Roma. O descondenado irá ao Vaticano tomar as bênçãos do Papa Francisco. Depois, um pulinho em Paris. Afinal, ninguém é de ferro.
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Agendas “oficiais” na Capital francesa não costumam fazer mal a ninguém. Na terra de Voltaire, o petista será recebido pelo presidente Emmanuel Macron, que é um adversário tradicional do Brasil. O francês, no entanto, será cortejado pelo presidente que saiu das urnas nacionais.
Com essa viagem, considerando-se que estamos nos aproximando do fim do primeiro semestre, o ex-mito vai contabilizar 30 dias no exterior.
Cinco no país e outro se entretendo mundo afora, não raro com gigantescas, desnecessárias e dispendiosas comitivas.
Tudo evidentemente bancado com o seu, o meu, o nosso.
Cargo dos sonhos
O vice Geraldo Alckmin não tem do que reclamar até aqui. Nesse ritmo, considerando-se que o mandato presidencial é composto por oito semestres e projetando que o atual chefe do Executivo chegará até o final de 2026, o ex-tucano teria oito meses no exercício da Presidência. Dos 48, oito seriam com o vice.
Nada a declarar
Vamos agora para o segundo poder. Na quarta à noite, um espetáculo vergonho, jocoso, na Câmara dos Deputados. Ali, resolveram aprovar um projeto para blindar políticos bichados.
Cala a boca
Políticos e altos funcionários públicos, que são mantidos com fartas verbas coletas dos impostos, não poderão, se a proposta virar lei efetivamente, mais ser homenageados pelo brasileiro nas ruas. Ninguém mais poderá ser chamado de ladrão ou de corrupto, mesmo o sendo. Sob pena de o pagador de impostos, além de ter que pagar uma multa estará sujeito a pegar de dois a quatro anos de prisão. Típica medida de pseudo republiquetas autoritárias, onde a tal democracia é apenas um sonho distante.
Regra de ouro
Por aqui, será assim em pouquíssimo tempo: o povo que trabalhe, pague os impostos e cale a boca porque os políticos e alguns membros do Judiciário serão realmente supremos e inatingíveis.
Envergadura
O tal projeto não valerá somente para deputados. Alcançará prefeitos, governadores, o presidente, procuradores e, claro, ministros dos tribunais superiores. Uma verdadeira festa antidemocrática.
De costas à sociedade
Voltemos ao Parlamento federal. Deputados e senadores estão lá para legislarem em favor da sociedade e ficam aprovando projetos para protegê-los diante de possíveis comportamentos nada republicanos ou inadequados. Já prenderam e estão condenando pessoas comuns que estavam em frente aos quarteis. A ditadura avança a passos céleres sob aplausos e olhares incrédulos.
Trocando em miúdos
Ou seja, se roubarem não poderão ser chamados de larápios nas ruas o que certamente será um reforço, ainda, ao patrulhamento que já existe nas redes sociais. Vejam só a que ponto chegamos neste país, na cleptorepública associada ao narcoestado em que se transformou o Brasil.
Grande líder
O “espetáculo” na Câmara foi pilotado pelo poderoso e impoluto Artur Lira, que ignorou as comissões. Levaram a matéria direto ao Plenário, onde aprovaram o regime de urgência e dá-lhe votação goela-abaixo. A vergonheira foi aprovada com mais de 250 votos entre 513 federais.
Sempre ele
Não bastasse tudo isso, temos novamente o Judiciário em cena. Sempre com ele, obviamente, o imperador tupiniquim. O todo-poderoso. A suprema toga vinha sendo desafiada nos últimos dias por um senador que não serve de exemplo em termos comportamentais, um dos 81 que parece um pouco fora de foco. É Marcos do Val, do Podemos do Espírito Santo.
Data marcada
Na quinta-feira, do Val foi homenageado pelo xerifão que nunca teve um voto popular. O senador já estava em seu estado, quando o imperador determinou busca e apreensão na residência e no gabinete dele em Brasília. Era o dia do aniversário do senador. A batida dos federais ocorreu na quinta à tarde.
Ilegalidades
Qual a motivação? Simplesmente porque o senador resolveu desafiar o xerifão. Como ele tem dois inquéritos ilegais e imorais funcionando à sua disposição há quatro anos, o supremo juiz simplesmente manda a PF bater onde e contra quem ele quiser.
Lorota
Desta feita, o “argumento” foi baseado em supostos atos antidemocráticos que teriam sido realizados, segundo o STF, no governo Jair Bolsonaro. Portanto, há alguns anos atrás. Não tem nada a ver com o 8 de janeiro, que já foi no governo atual.
Canetada
E pronto. O imperador resolveu atravessar e avançar na direção do Senado pela primeira vez. Até então, os ataques do imperador eram só na Câmara.
Voz rouca
Ou o povo ocupa o asfalto como ocorreu em junho de 2013, encurralando e pressionando o Congresso a ter um comportamento diferente em relação a seus atos e em relação aos atos do Judiciário, especialmente aos do dono deste país, ou nós definitivamente estaremos caminhando para o precipício porque a ditadura da toga está instalada no Brasil.
Deputados durante sessão do último dia 15 de junho - Foto: Bruno Collaço/Alesc/Divulgação O governo Jorginho Mello vai ter, definitivamente, que trabalhar sua articulação com a Alesc. Está mais do que provado que a relação entre o Executivo e o Legislativo carece de um melhor entrosamento.
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Não há nenhuma má vontade dos parlamentares em geral. Tirando, claro, uma meia dúzia de sete ou oito. Alguns por questões ideológicas. Outros por já estarem olhando para 2026 e que buscam desestabilizar o atual governador.
Ao natural, Mello será candidato à reeleição.
Tirando este pequeno bloco de oposição, a maioria dos deputados estaduais está aberta às negociações.
Evidentemente que as emendas parlamentes e cargos aqui e ali, além de obras e investimentos nas regiões representadas pelos deputados, entram neste contexto. De falta de articulação.
Nada, contudo, que não se possa contornar. Tudo dentro de uma lógica republicana, naturalmente. Mas se a coisa correr solta como está correndo, sem uma coordenação eficiente, ficará muito difícil para o chefe do Executivo aprovar matérias do seu interesse.
Sinalização
Não custa lembrar que já há alguns vetos derrubados pela Alesc, incluindo o do IPVA. Claro que o Executivo tem tudo para acionar a PGE e judicializar essa questão. O que não poderá ser uma prática corriqueira na relação entre o Centro Administrativo e o Palácio Barriga Verde sob pena de azedar de vez as relações.
Praxe
Em tempo. Abre parêntesis: a reforma administrativa deverá ser aprovada com alguns ajustes. É aquele voto de confiança. O famoso prazo de carência, tanto da sociedade como da Assembleia costumeiramente concedido ao governador que chega ao cargo.
Peso das urnas
Ainda mais para Jorginho Mello, que teve uma vitória esmagadora, de 70% dos votos. Se foi ou não impulsionada pelo bolsonarismo, pelo conservadorismo, muito forte, robusto em SC, isso é outra história. O fato é que ele está no exercício do governo. Fecha parêntesis.
Universidade Gratuita
É preciso balizar essa convivência com o Parlamento Estadual o quanto antes. Há um projeto do maior interesse do governo, o Universidade Gratuita, pois foi compromisso de campanha e que vai demandar muita articulação, até agora praticamente inexistente.
Perfil
Está faltando a participação direta de lideranças ou de secretários que possam fazer a ponte. O líder do governo, de primeiro mandato na Alesc, não parece talhado para esta missão mais espinhosa. O Chefe da Casa Civil também é um deputado de primeiro mandato. Licenciou-se da Alesc e está diante do desafio de azeitar a aprovação desta matéria estratégica. Salvo engano, também terá dificuldades.
Entrando no circuito
O próprio governador, assim como Lula da Silva no plano nacional, terá que entrar no circuito. Jorginho cumpriu quatro mandatos na Assembleia, Casa que presidiu. Foi duas vezes deputado federal, senador e agora governador. Além de um mandato de vereador. Ou seja, nove mandatos para o atual chefe do Executivo. É um político pra lá de experiente.
Jogo duro
Ele sabe como é o jogo, a relação envolvendo Executivo e Legislativo. Se não se articular, considerando-se a queda-de-braço entre as universidades comunitárias e as articulares, terá grandes dificuldades para aprovar o Universidade Gratuita. Na toada atual, o projeto pode até mesmo vir a ser descaracterizado de seu texto original.
Timing
O momento é agora, daqui a pouco a Alesc estará entrando no recesso de meio de ano. Na pior das hipóteses, o governo tem que se movimentar para ingressar no segundo semestre com o pé direito na relação com a Alesc. Buscar, efetivamente, algo que foi construído por antecessores como LHS e Raimundo Colombo, que governaram com 30 deputados.
Estrada
Isso não ocorreu com Moisés da Silva, neófito e desconhecido. Tanto é que o ex-governador não conseguiu carimbar o passaporte para o segundo turno da eleição em 2022, suplantado que foi pelo petista Décio Lima.
Bem diferente de Jorginho Mello. O liberal é articulado, atilado e enxerga política como poucos.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.