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Tibieza vermelha

Por Cláudio Prisco Paraíso
23/06/2023 - 08h00
Urna Eletrônica - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Divulgação

Santa Catarina conta com 295 municípios. Temos cidades de pequeno, médio e grande porte. Entre as principais, poderíamos relacionar de 12 a 15 municípios. Que representam pouco mais da metade do contingente eleitoral catarinense. 

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No pleito passado, o número total de eleitores bateu na casa dos 5,5 milhões. O PT, partido dos trabalhadores, não administra um município sequer entre esses 15 maiores. Nada, zero. 

No Oeste, onde se concentram os votos mais fieis dos petistas, é a mesma coisa. Nenhuma cidade mais expressiva é pilotada pelo PT.

Quem acaba pegando uma carona já histórica nestes municípios com eleitorado de perfil mais canhoto é o MDB, elegendo especialmente prefeitos de pequenas e médias cidades. 

Quinteto

Em 2018, o PT elegeu cinco deputados. Um federal, Pedro Uczai, quatro estaduais, quarteto reeleito em 2022 (Neodi Saretta, Luciane Carminatti, Padre Pedro e Fabiano da Luz). Ou seja, a bancada na Alesc foi preservada. 

Sexteto

Entre os 16 federais, Pedro Uczai renovou o mandato no ano passado, mas o partido ganhou outra cadeira com  Ana Paula Lima elegendo-se. Há quatro anos e meio, havia faltado um voto para ela chegar lá. 

Oestinos

Os cinco reeleitos pelo PT são do Oeste. O partido acrescentou uma representante do Vale do Itajaí. Na majoritária, ante a boa apresentação e estofo de Décio Lima, o partido quebrou um paradigma e foi para o segundo turno em 2022. 

Parceria

O catarinense é amigo e compadre de Lula da Silva, o que lhe favoreceu no contexto da votação entre os eleitores antibolsonaristas, mas não necessariamente petistas de carteirinha. 
Lula e Décio bateram na casa dos 30% dos votos no segundo turno em Santa Catarina. 

Decisivo

A dobradinha federal a favor de Décio ajudou-lhe a impor pequena, mas decisiva vantagem sobre o ex-governador Moisés da Silva. 

Lado

No round decisivo, os eleitores de centro e de direita descarregaram em Jorginho Mello, que se transformou no candidato bolsonarista em SC. 

Quarteto

Vale lembrar que houve outras quatro candidaturas de primeiro turno neste espectro político. Além de Moisés, tivemos Gean Loureiro, Esperidião Amin e Odair Tramontin. Somando-se o projeto do hoje governador, eram cinco opções contra apenas uma de esquerda com viabilidade eleitoral, justamente a de Décio Lima.

Ventos

Todo esse contexto foi decisivo para o sucesso dos petistas na majoritária em 2022. De modo que na próxima eleição, em 2026, o PT terá que ser um pouco mais assertivo. Além de ampliar o número de prefeitos catarinenses e também de vereadores petistas, cuja representação é quase irrelevante no território estadual. 

Lastro

Sem base, convém lembrar, fica difícil para uma nova investida consistente na eleição estadual de 2026. Em que pese o fato de Décio Lima estar à frente do poderoso Sebrae, que tem orçamento de R$ 5,5 bilhões este ano. A proa da entidade nacional pode ajudar o próprio Décio lá adiante e certamente será usada para tentar reforçar a presença petista nos municípios a partir da eleição de 2024. 

Dúvida

Mas não dá pra afirmar que haverá uma explosão de votos pelo simples fato de o PT estar no poder central e o catarinense Décio pilotando o rico Sebrae. Em 40 anos de história, o PT chegou mais perto do governo catarinense agora em 2022. 

Onda

A sigla já administrou cidades grandes como Joinville, Blumenau e Chapecó. Nestas duas últimas, foram oito de mandato para Décio Lima e José Fritsch. Todas cidades conquistadas na primeira década do século. Os petistas, registre-se, nunca mais voltaram ao poder nas grandes cidades de SC.

Acordão PL-PP

Por Cláudio Prisco Paraíso
22/06/2023 - 08h15
Esperidião Amin - Foto: Divulgação

Os movimentos políticos, partidários e eleitorais de Esperidião Amin (PP) e Jorginho Mello (PL) podem gerar uma convergência entre eles já no pleito municipal do próximo ano. Vale lembrar que ambos foram eleitos ao Senado na disputa de 2018. Em 2022, eles buscaram o governo do estado. Jorginho foi bem sucedido. Só que agora a dupla vislumbra o futuro sob o diapasão da parceria político-eleitoral.

Outro aspecto que aproxima Jorginho e Esperidião neste momento da história política: o PP nacional está na oposição a Lula da Silva, diferentemente do PSD, que indicou três ministros na Esplanada.

Não por acaso, há articulações envolvendo dois municípios da maior importância como Criciúma, o principal do Grande Sul do estado; e Blumenau, o mais importante de todo Vale do Itajaí, região que é o principal colégio eleitoral do estado.

A convivência entre os líderes maiores, o governador e o senador, é boa. Suas perspectivas em 2026 são diferentes. Devem buscar a reeleição para os cargos onde estão. Não está descartada inclusive uma composição entre os dois para a majoritária.
Isso significa que os dois partidos vão se aproximar em Santa Catarina. O PP já está no governo Jorginho com Silvio Dreveck na Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços, além de outros cargos.

Quadro que pode fazer com que lideranças do MDB, do PSD e de outras legendas deixem seus partidos rumo ao PL ou ao PP. Até porque Santa Catarina é conservadora e bolsonarista na essência.

Conexão sulista

No Sul, Ricardo Guidi, deputado federal, tem tudo para virar secretário do Meio Ambiente de Jorginho Mello para, ali adiante, assumir a candidatura à prefeitura de Criciúma. Pelo PL. Clésio Salvaro foi para o PSD, partido para o qual está levando o seu candidato de estimação, o secretário e vereador licenciado Arleu da Silveira.

Porta de saída

Trocando em miúdos, o PSD está enxotando Ricardo Guidi, deputado federal e presidente da sigla em Criciúma. Imaginando que essas projeções ganhem corpo ali adiante, o PP pode indicar o candidato a vice-prefeito do PL, que teria Ricardo Guidi na cabeça.

Vale

De Criciúma, passemos para o Vale do Itajaí. Na próxima semana, Esperidião Amin vai visitar o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, assim como fez na semana passada em Joinville, onde esteve com Adriano Silva. O alcaide joinvilense sinaliza a disposição de seguir filiado ao Partido Novo.

Pule de 10

Silva, ao natural, é candidatíssimo e favoritíssimo à reeleição. O PP poderá apoiá-lo? Hipótese não descartável. Já no Vale do Itajaí, Hildebrandt estaria avaliando concretamente a possibilidade de trocar o Podemos pelo PP.

Domínio

Vale lembrar que tanto Criciúma quanto Blumenau são territórios dominados pelo conservadorismo e pelo bolsonarismo. O Vale do Itajaí é a região mais bolsonarista do país. Criciúma, a seu turno, é um dos principais municípios catarinenses ligados ao movimento político liderado por Bolsonaro.

Companheirada

Um dos equívocos de Clésio Salvaro foi esse. Ele sempre bateu de frente com o PT, mas passa às fileiras do PSD, sigla de Gilberto Kassab que está confortavelmente assentada na esplanada vermelha em Brasília.

Assertividade

O líder blumenauense, a seu turno, está olhando para frente. Evidentemente que pensando em novos mandatos, Hildebrandt tem que estar em uma legenda afinada com o bolsonarismo, sintonizada com o ex-presidente da República. O PP representa tranquilamente um desses endereços atualmente.

Perspectiva

No Vale, o candidato governista (municipal e estadual) poderia vir a ser o atual presidente do BRDE, e ex-prefeito de dois mandatos, João Paulo Kleinübing.

Visibilidade

A proa do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul é posição de destaque. JPK, não custa rememorar, foi derrotado no segundo turno do pleito de 2022 pelo próprio Hildebrandt.

Relógio

O tempo passa e um acordo parece que vai se tornando possibilidade real entre eles. O atual prefeito, uma vez tendo ingressado nas fileiras do PP, poderia indicar o vice de João Paulo, um nome que poderia sair inclusive do PL. Aí teríamos Jorginho e Esperidião, além do próprio Hildebrandt apoiando Kleinübing. Sem sombra de dúvidas, seria uma composição robusta.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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