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Dilemas de MDB e PSD

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/06/2023 - 08h00
Carlos Chiodini - Foto: Divulgação

Enquanto o MDB faz exercício para manter o bom convívio entre lideranças de posições ideológicas distintas, casos de Antídio Lunelli e Carlos Chiodini, dois jaraguaenses que vão estar no palanque de reeleição do prefeito Jair Franzner – que assumiu com a renúncia de Antídio para candidatar-se a deputado estadual - o PSD começa a enveredar pelo mesmo rumo.

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A chegada de Clésio Salvaro às hostes pessedistas é um dilema. O prefeito de Criciúma é um crítico contumaz, e ácido, do PT e das esquerdas.

Está, contudo, trocando o PSDB pelo PSD, sigla que ocupa três ministérios no governo Lula da Silva. O dono do PSD, ou melhor, o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, abençoou a ocupação dos três ministérios por lideranças de seu partido.

Braço direito

Ao mesmo tempo tornou-se o homem forte do governador paulista Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Jair Bolsonaro. Kassab esteve em Florianópolis nesta segunda-feira para abonar a ficha de Salvaro.

Duas canoas

Em São Paulo, o partido está com a direita. No plano nacional, com a esquerda.
Mas em Santa Catarina, a legenda quer distância de Jorginho Mello, eleito no movimento conservador.

Fatura

Ao fim e ao cabo, emedebistas e pessedistas precisam decidir o que querem. Se continuarem querendo tudo, uma hora a fatura chegará.

Década

O ex-deputado federal Carlito Merss deixou a prefeitura de Joinville ao final de seu primeiro e único mandato. Foi em 2012. A eleição vitoriosa do petista foi a de 2008. Antes disso, o PT já havia administrado cidades-polo como Chapecó (José Fritsch 1997-2004), Blumenau (Décio Lima 1997-2004) e Criciúma (Décio Góes 2001-2004).

Nem pensar

Das seis principais cidades catarinenses, o PT só não chegou lá em Florianópolis e Lages.

Sem volta

Ocorre que depois da despedida de Carlito do paço joinvilense, o Partido dos Trabalhadores jamais voltou a pilotar qualquer grande cidade estadual. Nem mesmo aquelas medianas que ficam entre as 15 principais.

Rastro

O partido também nunca mais voltou ao poder por onde passou. Em Joinville o desgaste foi tão expressivo em único mandato que Carlito deu com os burros n’água. Sequer chegou ao segundo turno.

Desgaste

O turno decisivo em Joinville naquela eleição foi disputado por Udo Döhler (que elegeu-se prefeito) e Kennedy Nunes. Em Criciúma, a situação foi ainda mais crítica. Décio Góes nem se candidatou à reeleição.

Neutralização

O prefeito de Chapecó, João Rodrigues, gravou um vídeo reforçando a lealdade a Jair Bolsonaro. O oestino mostrou um pix de R$ 1 mil que enviou para que o ex-presidente possa pagar advogados e se defender da perseguição a cargo da Organização.

Futuro

O prefeito garantiu que o movimento não tem relação com o futuro e sim com gratidão pelo passado. O gesto pode até ter um componente de gratidão. João Rodrigues passou por momentos bem difíceis. Mas obviamente que o vídeo e o auxílio financeiro guardam total relação com o pleito do ano que vem.

O prefeito é candidatíssimo à reeleição. Pelo PSD, partido que está no governo Lula. O PL, de Bolsonaro e do governador de SC, terá candidato, ou candidata, na maior cidade do Oeste. Cenário que pode acabar dividindo os votos da centro-direita e favorecer o PT, que tem dois nomes fortes na cidade: Pedro Uczai e Luciane Carminatti.

De fora

A esperança de João Rodrigues é a de que pelo menos Jair Bolsonaro não se envolva diretamente no pleito, pedindo em favor da candidatura do PL. Para ele, o fundamental é que Bolsonaro não suba no palanque liberal.

MDB-SC: rumos diferentes

Por Cláudio Prisco Paraíso
24/06/2023 - 08h00
Antídio Lunelli (MDB) - Foto: Reprodução/TVAL/Divulgação

Na semana que vai se encerrando, o deputado estadual mais votado do MDB no ano passado, o ex-prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli, foi a Brasília. O parlamentar cumpriu extensa agenda no DF com representantes do Fórum Parlamentar, deputados e senadores.

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A cereja do bolo foi o encontro com Jair Bolsonaro. Aliás, o clima da conversa entre o catarinense e o ex-presidente foi descontraído. E muito caloroso. Além dele quem também esteve com o Bolsonaro foi parlamentar catarinense, o deputado federal de primeiro mandato, Rafael Pezenti, correligionário de Antídio.

Pezenti é o sucessor de Rogério Peninha Mendonça, amigo de Bolsonaro há mais de 30 anos e que acompanhou o pupilo na agenda em Brasília. Encontros ocorridos na véspera do início do julgamento do TSE que pretende tornar inelegível o líder que ressuscitou a direita neste país.

Peninha, vale lembrar, foi o primeiro político a trazer Jair Bolsonaro para Santa Catarina, isso quando o ex-deputado era apenas um azarão com vistas ao pleito de 2018.

Quem fazia as apresentações nos eventos com o pré-candidato a presidente naqueles dias pelo território catarinense era justamente Rafael Pezenti, hoje deputado federal.

Este contexto nos aponta para uma clara divisão, pelo menos em relação à questão nacional, envolvendo lideranças do Manda Brasa catarinense.

Dois lados

Antídio e Pezenti fizeram fotos sorridentes ao lado de Bolsonaro. Coincidentemente, a bancada federal do MDB-SC reuniu-se pela primeira vez este ano no gabinete da senadora Ivete da Silveira. Ela ascendeu à Câmara Alta porque era a primeira suplente de Jorginho Mello, candidato que encarnou o bolsonarismo na campanha de 2022.

Pelo meio

O MDB tinha, digamos, o “costume” de ter entre seis e oito congressistas a cada legislatura dentre os 19 catarinenses. Hoje tem apenas quatro, a metade de cadeiras que costumava deter até um passado recente.

Dois a dois

Dos quatro emedebistas em Brasília, Pezenti é de direita, alinhado a Bolsonaro e de oposição a Lula da Silva. O presidente estadual do partido, Carlos Chiodini, se aproximou do governo pilotado pelo PT. Chiodini e Antídio, registre-se, são de Jaraguá, mas estão em trincheiras opostas no plano federal.

Prestígio

Tanto é assim que ele costurou a agenda e será o grande anfitrião da visita que o ministro Renan Calheiros Filho, senador alagoano licenciado, fará ao Estado nesta segunda e terça-feiras (26 e 27).

Bem-vindo

Obviamente que Santa Catarina receberá bem o ministro. O estado carece de recursos, de infraestrutura, de investimentos. Somos sempre preteridos pelas cabeças coroadas que povoam Brasília, apesar da imensidão de recursos que os empreendedores e trabalhadores catarinenses mandam para aquela ilha da fantasia todos os meses.

Convivência

O calendário e as agendas recentes dos emedebistas de SC, contudo, evidenciam a divisão. Numa semana, um grupo esteve com Bolsonaro em Brasília. Na outra, outro grupo receberá o filho do notório Renan Calheiros para agendas em Santa Catarina.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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