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Declínio político e econômico

Por Cláudio Prisco Paraíso
05/10/2023 - 08h00

Recentemente, saiu o ranking das 14 principais cidades do sul do Brasil, aquelas que apresentam a melhor performance econômica e de desenvolvimento, ou seja, as mais ricas dos três estados da região.

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O que mais chamou a atenção é a perda de espaço do Rio Grande do Sul. Surpreendente. Até onde alcança a memória política do articulista - estamos falando da Década de 1960 - o Rio Grande era o grande estado do Sul do país. Não só isso, era o quarto maior do Brasil.

Quando se falava em economia pujante, desenvolvimento, os gaúchos eram a referência depois de São Paulo, que sempre foi a locomotiva tupiniquim, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Nesta terceira década do Século 21, o estado vizinho perdeu relevância até sob o aspecto eleitoral. O quarto maior colégio eleitoral atualmente é a Bahia.

Seguindo a inconsistência política, os gaúchos vão perdendo terreno na economia também. Santa Catarina sempre foi considerada o zero da BR 101, mas parece que essa pecha vai mudando de endereço.

Topo

Vamos ao ranking das cidades de maior PIB na região. O Paraná emplacou sete entre as 14 mais. A metade, portanto. Santa Catarina aparece com quatro municípios e o Rio Grande com apenas três. E quem lidera não é mais Porto Alegre. A capital gaúcha foi ultrapassada por Curitiba. A principal cidade catarinense, Joinville, fecha o pódio com a terceira colocação.

Litoral

Itajaí, registre-se, está nos calcanhares de Joinville. A ex-cidade portuária inclusive deixou Caxias do Sul para trás. De SC também destaque para Florianópolis e Blumenau.

Fotografia

Temos, portanto, um retrato do Sul brasileiro. O Paraná não deixa mais dúvidas de seu poderio econômico. Não só pelo desempenho de Curitiba, mas de várias outras cidades como Londrina, Foz do Iguaçu, Araucária, Maringá, São José dos Pinhais, Ponta Grossa e daí por diante.

Dúvidas

Qual a explicação para isso? O que ocorreu com o Rio Grande do Sul? Essa depressão econômica é resultado de que exatamente? Dos governos que lá se sucederam desde a redemocratização. Especialmente gestões de esquerda, começando nos anos 1990 com Alceu Collares, do PDT. Ele foi governador do Rio Grande do Sul, um canhoto convicto, apoiado por Leonel Brizola.

Vermelhada

Houve dois governos nas mãos do PT, com Olívio Dutra e Tarso Genro e mais os do MDB e do PSDB. Só esquerda, canhotada domina o estado. Pelo MDB, foram eleitos Pedro Simon, Antônio Brito, Germano Rigotto e Ivo Sartori. Pelo PSDB, uma esquerdinha disfarçada, chegaram lá Yeda Crusius e agora o reeleito Eduardo Leite.

Gostam muito

Os gaúchos vem experimentando, e pelo visto aprovando, a esquerda continuamente no poder mesmo com o Estado se afundando na seara econômica, social, de Segurança Pública, política, enfim. É um estado em decadência, o que é uma péssima notícia para o Sul e também para o país.

Outros tempos

Porto Alegre, outrora tão cantada em verso e prosa, e com toda a justiça, ficou 16 anos nas mãos do PT, além de ter estado sob gestões esquerdistas de outras legendas. Hoje é uma cidade absolutamente insegura, violenta e de futuro incerto, onde a criminalidade deita e rola. O Rio Grande do Sul segue o péssimo exemplo do Rio de Janeiro nessa área, o que acaba afetando todo o conjunto social.

Rumo certo

Paraná e Santa Catarina, a seu turno, nunca caíram nas mãos dos vermelhos, dos comunistas, declarados ou disfarçados. Nestas duas unidades federadas, as gestões emedebistas não comprometeram.

Atualidade

O resultado está aí: a exuberância paranaense e o fortalecimento contínuo, constante e progressivo do estado catarinense por sua economia diversificada e de perfil essencialmente exportador, empreendedor e com geração de emprego e renda.

Terminais

Cortando todo o litoral, nós temos um verdadeiro desfile de portos que sustentam a nossa economia, além de um modelo absolutamente exitoso de pequenas propriedades produtivas e uma indústria forte  em todas as regiões.

Questão de identidade

Por Cláudio Prisco Paraíso
04/10/2023 - 10h24

O MDB, Movimento Democrático Brasileiro, que no passado foi conhecido como Manda Brasa, é hoje um partido de esquerda, de direita ou de centro? Estamos falando sob o aspecto ideológico.

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Centro, contudo, lembra Centrão, aquele bloco de figuras dos mais variados partidos e fisiológicos em potencial. Onde tem governo, eles, os centristas do Centrão, são governo.

Assim foi na era FHC, com Lula da Silva, Dilma Roussef, Michel Temer, Jair Bolsonaro e agora novamente sob Lula III.
Vários parlamentares do MDB estão inseridos no bloco do Centrão nesta cronologia. Outros tantos emedebistas estão fazendo o jogo do PT no plano federal.

Até porque o deputado federal Baleia Rossi, que assumiu a proa do partido em substituição a Michel Temer, atua em finíssima sintonia com o Planalto.

O MDB pilota três ministérios na gigantesca esplanada vermelha. A começar pelo Planejamento, com Simone Tebet, a presidenciável que garantia em alto e bom som que não aceitaria cargos de quem vencesse o pleito de 2022. Pois é.

Figurinhas carimbadas

Em outras duas pastas estratégicas, foram nomeados filhos de duas raposas felpudíssimas do MDB, de ficha corrida quilométrica, duas figurinhas manjadas da política brasileira. Jader Barbalho e Renan Calheiros, senadores por Pará e Alagoas, emplacaram seus descendentes no topo de ministérios.

Tudo em casa

Renan Filho também elegeu-se senador, mas acabou ministro dos Transportes. Jader Barbalho Filho, deputado federal, é outro que está na esplanada, onde comanda a pasta das Cidades. O MDB está bem instalado, confortável.

Incógnita

E o MDB catarinense, como se posiciona nesse contexto? Não venham com esse papinho de que a seção Barriga Verde da legenda é de centro. Conversa mole. Em Santa Catarina não existe centro. Ou se está à direita ou à esquerda, seguindo a polarização entre o ex-mito e Jair Bolsonaro. Ponto.

Posicionamento

Por aqui, há emedebistas em sintonia com Jorginho Mello, Bolsonaro e a direita. Outros estão ligados com o PT de Décio Lima e Lula da Silva. É o caso daquele que foi nomeado por Baleia Rossi para presidir a comissão provisória do MDB estadual, Carlos Chiodini. Ele vem votando com o governo, assim como Valdir Cobalchini.

Câmara Alta

No Senado, Ivete Appel da Silveira raramente não atende as necessidades governistas. Portanto, da bancada federal do MDB-SC, de quatro parlamentares, três estão com o PT. Apenas Rafael Pezenti, que era fiel escudeiro de Rogério Peninha Mendonça, o catarinense que mais precocemente se aproximou de Jair Bolsonaro, faz oposição.

Fica

Até especulamos aqui que Pezenti poderia sair do MDB. Ele assegurou que não sai, mas afirma que o seu MDB não é canhoto. Segundo ele, a direção do partido em SC é de esquerda. Para Rafael Pezenti, o comando partidário local precisa ganhar rumo.

Futuro breve

As afirmações do correligionário são uma sinalização de que Carlos Chiodini poderá enfrentar dificuldades daqui para frente.
Até mesmo seu conterrâneo e amigo, o deputado estadual Antídio Lunelli, o terceiro mais votado na eleição do ano passado para a Alesc, se posiciona à direita.

Tripés

Como vai ficar isso? Pezenti, Antídio e Jerry Comper, deputado licenciado e secretário da Infraestrutura, numa ponta. Na outra extremidade, Cobalchini, Chiodini e Ivete.

Trajetória

Aqui abrimos um parêntese. Jerry Comper é mais uma liderança em ascensão, que vem ocupando espaços preciosos. Sua votação para estadual, em 2022, foi quase a mesma conquistada por Rafael Pezenti para federal. Fecha parêntese.

Fiel da balança

Por fim, temos o presidente da Alesc, outro quadro emedebista em curva ascendente. Seu posicionamento poderá definir o rumo do MDB-SC. Se mais à direita ou mais à esquerda. Com a palavra, o deputado Mauro de Nadal!

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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