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Arranjo político tira o governador de SC em meio a novas previsões de chuva forte

Por Cláudio Prisco Paraíso
20/10/2023 - 12h30

Essa história de o presidente da Assembleia Legislativa ou do Tribunal de Justiça de Santa Catarina assumir interinamente o governo começou a ganhar força na Era Luiz Henrique da Silveira.

Ocorreu, com menos frequência, em governos anteriores, como os de Jorge Bornahusen e Esperidião Amin. No período de LHS, contudo, foi uma festa. Todo o presidente de outro poder acabava assumindo o Executivo.

Convenhamos que isso não tem o menor cabimento. O Governador foi eleito para governar. Se acaba impedido por alguma situação de força maior, ok, que o vice ou a vice assuma.

Jorginho Mello iria para os Emirados Árabes no começo de outubro, viagem que acabou cancelada em função do dilúvio que assolou Santa Catarina. Lá ficaria por duas semanas.

Agora inventaram uma agenda no Panamá, sem o menor sentido prático para Santa Catarina. Toda a engenharia política é para que o presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, João Henrique Blasi, assuma por cinco dias o governo. Cinco dias!

Visita de médico

Para que isso ocorresse ontem - a transmissão do cargo foi efetivada às 14h de terça-feira, 24 - a vice-governadora, Marilisa Bohem, voou ao Chile também em uma agenda com ares de perfumaria; e o presidente da Assembleia, Mauro de Nadal, acompanha Jorginho à América Central.

Correria

Tudo em ritmo de Fórmula 1, já que Blasi renunciará à presidência do TJSC no começo de novembro. A complexa e célere engenharia envolve, ainda, a eleição, por consenso, do sucessor de Blasi no Tribunal. Houve um grande acordo para que o atual vice, Altamiro de Oliveira, assuma por quatro meses.

Tudo certo

A eleição no Tribunal será em dezembro e a posse lá em fevereiro de 2024. O acerto é para eleger o desembargador Francisco José Rodrigues de Oliveira Neto e evitar nova disputa interna na corte estadual.

Pijama

João Henrique Blasi vai se aposentar ao longo do próximo exercício, ou seja, também em 2024. Antes de assumir como desembargador, Blasi foi deputado estadual. Era filiado ao MDB e conviveu por pelo menos dois mandatos com Jorginho Mello no Parlamento estadual. A presidência da Alesc hoje está sob a batuta do Manda Brasa.

Gesto fora de hora

Jorginho liderou todo esse arranjo para agradar um velho conhecido e colega de Parlamento e que hoje tem grande influência nas hostes do Judiciário catarinense?

Perigo iminente

Não custa contextualizar, ainda, que o governador estará fora de Santa Catarina durante o fim de semana, quando as previsões indicam nova onda forte, e preocupante, de chuvas sobre o estado. Aqui é imperioso abrirmos um parêntese. Jorginho liderou com muito trabalho, energia e assertividade a prevenção e a reação de Santa Catarina diante da quantidade assombrosa de chuvas que caíram no território estadual neste outubro que já entra para a história. Fecha parêntese.

Timing

Passou da hora de puxar o freio de arrumação neste tipo de arrumação política que, no final das contas, só atende a interesses muito pontuais.

Cara de paisagem

Outro aspecto que confirma a correria para construir todo este cenário. Não foi emitida sequer uma nota oficial do governo do Estado informando sobre a viagem de Jorginho Mello e comitiva, bem como a posse interina de João Henrique Blasi. Ou seja, os acordos foram no abafadinho e meio que na surdina.

Barraco on line

Fabrício Oliveira, o prefeito de Balneário Camboriú que se filiou ao PL na reta final da campanha eleitoral de 2022 – um movimento deveras oportunista – e que estará desempregado a partir de 1ᵒ de janeiro de 2025, segue aprontando das suas.
Ao celebrar na internet a amizade eterna (nas palavras dele) com o ex-prefeito Rubens Spernau, criado por Leonel Pavan, o alcaide mereceu uma resposta provocativa de outro ex-prefeito, Edson Piriquito.

Barril de pólvora

Piriquito citou a Cosip, setor que é alvo de desconfianças desde o primeiro governo de Fabrício, e sugeriu que o plano diretor é conduzido por Spernau, que atende a interesses e grupos bem conhecidos.

Nível

Fabrício baixou o nível ao devolver a provocação afirmando que o importante era que o encontro deles não fosse no Gaeco (insinuação aos problemas policiais que envolveram a gestão Piriquito).

Extrema esquerda

Na tréplica, Piriquito tornou público aquilo que todo mundo sabe nos bastidores. Um advogado do PT, que atende pela alcunha de Pingo, tem grande influência no governo.
É de extrema esquerda assim como outros colaboradores de Fabrício, que se diz cristão e de direita. Será mesmo?

Raízes

Por fim, não custa lembrar que o próprio Fabrício começou para a política no PSDB e ligado a Pavan e a seu grupo.
Estaria o prefeito fazendo o jogo político baixo de sufocar o projeto do PL na cidade para devolver o comando de Balneário à sua raiz política?

PSD-SC se reforça em cima de aliados

Por Cláudio Prisco Paraíso
20/10/2023 - 08h00

O ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, foi o candidato do PSD ao governo do estado em 2022. Chegou em quarto lugar. Ele foi para a disputa abrigado no União Brasil, resultado da fusão do PSL com o Democratas. O PSD integrou a chapa majoritária, indicando o candidato a vice, o atual presidente do partido do estado, Eron Giordani.

E para o Senado o nome foi o de Raimundo Colombo. Ou seja, duas vagas para os pessedistas na majoritária que não obteve êxito. Gean Loureiro passa uma temporada na Austrália, devendo retornar só no final do ano.

Seu sucessor no paço florianopolitano foi Topázio Neto, que assumiu em 31 de março do ano passado com a renúncia de Gean para concorrer ao governo.

O empresário e hoje prefeito acabou se filiando ao PSD. Até para que ficasse como um fiador do entendimento entre as duas siglas. O PSD-SC vem avançando, filiando novos prefeitos e lideranças importantes.

Modus operandi

Muitos atribuem essas adesões a cooptações, o modus operandi do comando pessedista mesmo dentro do círculo de partidos que podem ser seu aliado ali adiante novamente, como é o caso do União Brasil. Na realidade atual, o assédio do PSD sobre os prefeitos não preserva o UBl. Vamos ficar só num caso que não é único.

Data

O prefeito de Navegantes, Liba Fronza, deve anunciar e consumar a filiação ao PSD-SC no próximo dia 26. Ele é candidato à reeleição na cidade portuária e está deixando o UB para engrossar as hostes pessedistas.

Destino

Considerando que o PSD é o partido de Topázio, a dedução óbvia é a de que Gean Loureiro seguirá o mesmo caminho, buscando abrigo no PSD-SC. Por que ele continuaria no União Brasil nesse contexto de enfraquecimento para aqueles que foram aliados dele no ano passado?

Natimorto

Aliás, o União Brasil não tem a menor perspectiva de futuro, seja em Santa Catarina ou no Brasil. Constitui-se num partido natimorto. A grande verdade é que a fusão de PSL e DEM não deu certo. Isso nos permite raciocinar que o PSD transforma-se no grande bastião de resistência ao projeto de reeleição de Jorginho Mello ao governo do estado em 2026. Atuando em sintonia com o PT, evidentemente.

Projeções

Ah, mas o governo Jorginho Mello sequer completou o primeiro ano de mandato. Sim, mas tanto ele quanto os seus adversários, os que ocupam a trincheira oposicionista, já estão de olho em 2026. Processo que passa, naturalmente, pelas "prévias" municipais de 2024.

Ladeira abaixo

Outro partido nesse espectro é o PSDB que, a exemplo do UB, definha à luz do dia. Outros partidos poderão participar de um grande consórcio eleitoral visando desalojar Jorginho Mello do Centro Administrativo em 2026.

Canhotos

Essa construção de esquerda e centro-esquerda passa, ainda, pela eleição da nova mesa diretora da Assembleia Legislativa em fevereiro de 2025, quando o PSD-SC já articula em favor da petista Luciana Carminatti. Já há indicativos fortes de que o PSD, o União Brasil e o PSDB vão estar todos juntos. O entendimento com o PT para o primeiro turno poderá ser informal para depois se unirem em eventual segundo round no próximo pleito estadual.

Tríplice

Diante dessa grande articulação só restará Jorginho Mello um movimento claro, cristalino. Trazer ainda mais para perto de si e para dentro do governo o MDB e o PP. Simples assim. Estamos falando de dois partidos antagônicos desde o restabelecimento das eleições diretas aos governos estaduais lá em 1982.

Experiência recente

Só que no próprio governo Moisés já houve uma aproximação entre emedebistas e progressistas. E tiveram uma convivência harmoniosa, que não foi eleitoral, mas foi administrativa e na Assembleia. Agora mais do que nunca a rivalidade vai ficando cada vez mais restrita aos municípios.

Nomes

Novamente, o MDB e o PP ocupam o mesmo espaço administrativo. Pelo Progressistas, temos o ex-presidente do partido e da Alesc, o ex-deputado estadual Silvio Dreveck, hoje respondendo pela Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços. Representando o MDB está o deputado estadual Jerry Comper, titular da pasta da Infraestrutura e Mobilidade.

Mexidas

Os sinais vão indicando que, ao natural, Jorginho Mello venha a reforçar a participação dessas duas legendas na reforma do secretariado que vier a implementar muito provavelmente ainda no primeiro bimestre de 2024.

Duas frentes

Ali deve ocorrer a desincompatibilização daqueles colaboradores, especialmente de primeiro escalão, que vierem a concorrer nas eleições municipais. Ou seja, é o PL de Jorginho formando uma tríplice aliança com o MDB e o PP para enfrentar PSD, PT e agregados que venham a se posicionar como resistência ao atual governo em Santa Catarina.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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