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Água e óleo

Por Cláudio Prisco Paraíso
10/11/2023 - 11h20

O PSD reuniu-se, esta semana, em Joinville com lideranças do Partido Novo. Na verdade, foi um convescote, um almoço, mas que teve como ponto alto a assinatura de um documento firmando compromisso de apoio – uma carta de intenções – para que as duas legendas possam caminhar juntas. Não apenas em Joinville. 

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O namoro pode virar noivado e, quem sabe, casamento também em Blumenau, Florianópolis e Chapecó. 

Aliás, João Rodrigues, que é candidato à reeleição pelo PSD na maior cidade do Oeste, marcou presença. 

Topázio Neto, que também busca a recondução na Capital dos catarinenses, não foi ao Norte na medida em que Florianópolis enfrenta uma situação esdrúxula em função da greve criminosa da Comcap. 

Blumenau também está no mapa do flerte entre Novo e PSD. Evidentemente que a carta sinaliza para 2026, ano de eleições estaduais. 

Azeitando

O Novo sempre foi contrário a coligações. Suas lideranças, contudo, vão se enquadrando ao sistema e já admitem alianças eleitorais. 

Din-din

Os Novistas, que não são noviços, já assimilam a ideia de fazer uso dos famigerados fundos partidário e eleitoral. Bilhões de dinheiro público que fazem falta na Saúde, na Infraestrutura, enfim. Até então, eram recursos que o Novo sempre devolveu à Justiça Eleitoral. Dá pra dizer então que o Novo já não é mais tão puritano. Está gostando da brincadeira. 

Atuação

Apesar da identificação ideológica teórica entre Novo e PSD, convenhamos que há uma grande diferença de perfil de suas lideranças. 

Joinville 

Vamos nos fixar em apenas dois nomes do Novo. Adriano Silva, empresário bem sucedido e respeitado em Joinville, onde faz bela gestão. É dono de uma ficha corrida limpa, é ficha limpa. 

Semelhanças

Em Blumenau, Odair Tramontin, recém aposentado depois de décadas no Ministério Público, é dono de biografia inatacável. 

Hummmm

Esses dois e outras figuras irretocáveis do Novo passam a conviver com o que há de pior na política de Santa Catarina. E com conexões na esquerda inclusive. 

Bomba

O PSD é pura nitroglicerina. Duas das três principais lideranças da sigla já estiveram presas. Um na Papuda, em Brasília; o outro em prisão domiciliar – estes dois detentores de mandato -; e o terceiro, que é preposto de ambos, por onde passa a Polícia Federal costuma fazer suas visitas. 

Figurinha carimbada

Foram os casos de batidas e operações policiais/judiciais em Chapecó, Florianópolis e na presidência da Assembleia Legislativa mais recentemente.

Chapa

Passa a ser, para o Novo, uma convivência meio promíscua. O PSD abrirá mão de uma natimorta terceira candidatura do deputado Darci de Matos em Joinville – ele assumiu em Brasília com a investidura de Ricardo Guidi no primeiro escalão de Jorginho Mello – para apoiar a reeleição de Adriano Silva e Rejane Gambim. 

Promiscuidade

Evidentemente que mesmo sem o acordo pré-nupcial Darci de Matos não seria candidato. Sem ele, aliás, os pessedistas não teriam nem nome para indicar o vice na maior cidade do estado. Então até onde o Novo ganha realmente com essa aproximação? Acaba é contaminado!

No Vale

Em Blumenau, a suplente do senador Esperidião Amin, Denise dos Santos, esposa do deputado federal Ismael dos Santos, poderá ser a vice de Odair Tramontin. Ali, considerando-se o fator religioso, a composição pode até contribuir um pouco para o projeto do Novo. Ismael e a mulher são líderes evangélicos. 

Alto lá

Em Florianópolis a direção do Novo já largou uma nota deixando claro que não haverá alinhamento automático à reeleição de Topázio Neto. 

A reboque

E em Chapecó, onde a chapa já está fechada? João Rodrigues vai à reeleição com Eron Giordani de vice. O que ganha o Novo?

Desequilíbrio

Ou seja, o namoro interessa muito mais ao PSD do que ao Novo no contexto estadual. Os Novistas terão que carregar o peso dos pessedistas que são conhecidos e reconhecidos pela sua forma, digamos, nada convencional de fazer política. 

Mergulho

Por fim, chama a atenção a ausência permanente do ex-governador Raimundo Colombo de todos os eventos de filiação de prefeitos ao PSD. Ele também não apareceu em Joinville esta semana para o acordo com o Novo. 

Passado e futuro

O sumiço de Colombo guardaria relação com o fato dele estar querendo tomar no tapetão o mandato do senador Jorge Seif ou seria porque o ex-governador sempre deixou muito claro que não concordava com os métodos do deputado Julio Garcia? 
Com a palavra, Raimundo Colombo.

PL filia mais um prefeito importante nesta quinta-feira, 09

Por Cláudio Prisco Paraíso
09/11/2023 - 09h55

Depois da filiação de quatro prefeitos na última terça-feira, 07 de novembro, em Brasília, com direito à bênção de Jair Bolsonaro, Jorginho Mello filiará, ainda esta semana (provavelmente nesta quinta-feira, 09), o prefeito de Caçador, Alencar Mendes. 

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Na Capital Federal, assinaram ficha no Partido Liberal os mandatários Eduardo Freccia (Palhoça), André Vechi (Brusque - cuja mudança de sigla foi acertada antes das eleições suplementares desse ano na cidade), Juliana Maciel (Canoinhas) e Osnar Martarello (Xanxerê). 

São cinco municípios importantes e estratégicos em suas regiões. Depois de um período de reforço nas fileiras do PSD, o governador reage e filia prefeitos em bloco.

O PL se aproxima dos 50 alcaides em Santa Catarina, já rivalizando com os pessedistas, que serão os grandes adversários de Jorginho e do PL em 2026. 

As duas siglas estão numa disputa acirrada por prefeitos. Evidentemente o fator Bolsonaro tem pesado nesta atração de novas lideranças ao PL catarinense. 

Definhando

Por outro lado, quem está no módulo perde-perde (observando prefeitos baterem asas para o PL ou para o PSD) é o PSDB. Nesta leva de Brasília, o ninho deu baixa em mais dois prefeitos: Osnar Martarello e Juliana Maciel. 

Só baixas

Recentemente a sigla comandada pelo deputado Marcos Vieira já havia perdido André Moser, de Indaial, também para o PL. 

Quarteto

No ato de filiação dos quatro prefeitos em Brasília, além de Bolsonaro e Jorginho, marcaram presença Waldemar da Costa Neto e a deputada federal Caroline De Toni. 

Fila anda

Aliás, entre os seis federais do partido por Santa Catarina, somente Carol compareceu. Mais um sinal claro de que ela é o nome natural para eventual eleição suplementar ao Senado em Santa Catarina caso o TSE casse o mandato de Jorge Seif. No TRE-SC ele foi absolvido. 

Carol e Ana

Outro nome especulado, Ana Campagnolo, declarou ao blog que seu apoio é para Carol De Toni se houver novo pleito à Câmara Alta. 

Merisio sinaliza

Mais um aspecto: o prefeito de Xanxerê, Osnar Martarello, que era filiado ao PSDB, partido pelo qual se elegeu na época em que Gelson Merisio ainda estava nas fileiras tucanas. A cidade é a base política original do ex-deputado. Merisio ajudou o PT catarinense em 2022 e agora estaria flertando com o PP. Mas, de fato mesmo, encaminhou o prefeito de sua cidade para o Partido Liberal, considerando sua aproximação com Jorginho Mello. 

Seif absolvido

O plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) rejeitou, por unanimidade, sete votos a zero, o pedido de cassação do mandato do senador Jorge Seif na sessão do pleno que terminou nesta terça-feira, 7, à noite. 

Goleada

Ocorre que a votação ficou em 5 a 2 quanto à acusação do suposto crime de abuso do poder econômico, que envolve o empresário Luciano Hang e a Havan. É neste ponto que o TSE deve se apegar, considerando-se que se trata de uma corte capciosa, tendenciosa, militante. 

Lupa

A defesa de Seif, a cargo do advogado Juliano Cavalcanti, vai aguardar a publicação do acórdão para se inteirar do posicionamento de cada desembargador nas três situações distintas que envolvem o processo. 

Embargo

Acerca da questão do suposto abuso de poder econômico, Cavalcanti adianta que o voto da relatora foi vencido (5 a 2 a favor de Seif) e que se esse ponto não for detalhado no acórdão, ele pedirá o embargo da publicação. Noutro questionamento, o placar foi de quatro a três, também favorável ao senador. 

Incógnita

Juliano Cavalcanti se mostra animado em relação ao julgamento no TSE. Acredita num julgamento técnico e salienta que alguns votos de desembargadores catarinenses deixaram muito claras as diferenças entre os processos do ex-prefeito de Brusque, sede da Havan, Ari Vequi - cassado pelo TSE - e a ação contra Jorge Seif. Os autores da ação em Santa Catarina já anunciaram que vão recorrer da decisão do TRE.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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