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O Dia D, de Dino, o Ladino

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/12/2023 - 14h42

Marquem esse dia: 13 de dezembro de 2023. Eis a data da sabatina de Flávio Dino no Senado. Ele também é conhecido por Flávio Ladino. Talvez por isso tenha sido indicado por Lula da Silva para a vaga de Rosa Weber, que atingiu a idade da expulsória do STF.

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O senador eleito pelo Maranhão (PSB) e atual ministro da (in) justiça passará pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Após sabatinado e da votação, uma vez aprovado, o nome vai a plenário. 

Ele necessita de maioria absoluta: 41 dos 81 senadores. A data, que não é, obviamente, coincidência, foi marcada por Davi Alcolumbre, notório senador do Amapá, que já foi apoiador de Bolsonaro e agora está com Lula. É filiado ao União Brasil, é do centrão de Gilmar Mendes e Arthur Lira. 

O 13 identifica, desde sempre, o PT. Muito embora Dino, o Ladino, pertença ao PSB. 

Em SC

Essa semana começou a circular, na internet, uma campanha em que estão compartilhando o telefone da senadora Ivete Appel da Silveira. A pressão é para ela votar contra a indicação do patético Flávio Dino ao STF. 

Arroubos

Vale lembrar que, da bancada do MDB na Câmara Alta, ela é a única que às vezes diverge nas votações quando há pautas conservadores. Os demais, a esmagadora maioria do Norte e Nordeste, vota bovinamente com o Planalto. Estão acostumados com o cabresto. E não vivem longe do poder. 

Dois a zero

Dos três catarinenses no Senado, dois já se manifestaram publicamente. Esperidião Amin e Jorge Seif têm argumentos de sobra para votarem contra a indicação, que fortalece o regime lulonazista, um conluio entre extrema-esquerda e o STF, que vem sendo implantado a fórceps neste país.

Cara de paisagem

Somente dona Ivete está quietinha, não há registro de posicionamento público dela a respeito. A mídia nacional já publica matérias informando que líderes do MDB garantiram a Dino que ele pode contar com o voto da catarinense.

Remexendo-se

Se isso for verdade, é um golpe à memória de Luiz Henrique da Silveira – de quem Ivete é viúva – e pode gerar mais desgaste ao MDB estadual. Inclusive com reflexos nas eleições municipais do ano que vem.

Alô, Dona Ivete

Veja o texto que circula com o número de celular da senadora.“Boa tarde, estamos pedindo para Senadora Ivete, viúva do Luiz Henrique da Silveira, votar NÃO para indicação de Flávio Dino(Partido Comunista) para o STF. Se você também não deseja ter um Comunista assumido no STF, faça sua parte, mande uma mensagem para a Senadora Ivete.”

Luz do dia

Jorge Seif, aliás, é autor de uma proposta para que a votação no plenário seja aberta. 

Patético

Entre os oposicionistas, há a certeza de que se o voto for fechado, Flávio Dino, um sacripanta que debocha do povo brasileiro, será aprovado para integrar o STF. Sim, um comunista juramentado, conhecido nos bastidores por gravar conversas comprometedoras e chantagear deus e o mundo. 

Fio de esperança

Agora se a escolha for por voto aberto, o placar pode complicar Dino. À luz do dia, o desgaste para quem aprovar esse nome será brutal. Os senadores gostam de se esconder no voto secreto, no anonimato. É quase consenso entre a sociedade não aparelhada que a dobradinha Flávio Ladino e Alexandre, o diminuto, será um desastre incalculável, colocando o Brasil num atoleiro que talvez o país jamais consiga sair.

Descuidos fatais

Por Cláudio Prisco Paraíso
05/12/2023 - 13h59

O auge do MDB, Movimento Democrático Brasileiro, foi na década de 1970. O partido foi criado na segunda metade dos anos 1960 em meio ao regime militar. Mas o vigor oposicionista ganhou contornos mais nítidos justamente na década seguinte. 

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Na eleição de 1974, o MDB elegeu 16 senadores. Entre eles, o catarinense Evelázio Vieira, o Lazinho, radialista e ex-prefeito de Blumenau. 

Ele derrotou ninguém mais ninguém menos do que o ex-governador Ivo Silveira, o sucessor de Celso Ramos. Silveira foi o último eleito antes dos governadores biônicos indicados pelos militares. 

Nesse período, o governo catarinense foi pilotado por Colombo Salles, Antônio Carlos Konder Reis e Jorge Konder Bornhausen. 

Com o retorno das eleições diretas para governadores, Esperidião Amin Helou Filho foi eleito em 1982. 
Em 1978, o regime impôs a indicação de um senador biônico em cada unidade federada. Foram 27 nomes governistas. Jaison Tupy Barreto foi eleito naquele ano. 

Câmara

Na década de 1970 quem brilhou de maneira absoluta em Brasília, mais especificamente na Câmara dos Deputados, foi Laerte Ramos Vieira. Ele se revezava com o paranaense Alencar Furtado na liderança do MDB na Câmara. Era uma rivalidade ferrenha, mas respeitosa e honesta. 

Dom 

Os dois deputados sulistas eram grandes tribunos, especialmente o catarinense. Laerte era muito intelectualizado. Preparado, tricotava naturalmente com figuras do calibre de Tancredo de Almeida Neves e Ulysses Guimarães. 

Escorregão

Foi justamente na segunda metade da década de 1970 que ele teve a sua supremacia como líder, mas descuidou-se da província. Descuidou da base eleitoral. 

Opositor

O que ocorreu? Juarez Furtado, que havia sido prefeito de Lages e fez o seu vice de sucessor, Dirceu Carneiro, que mais adiante se elegeu deputado federal e senador, foi à Câmara no pleito de 1978. Partindo de Lages, base de Laerte Ramos Vieira. 

Consequência

Ele deixou de ser um dos grandes líderes nacionais do Manda Brasa. Perdeu essa condição porque ficou sem mandato. Juarez Furtado, que depois se elegeu deputado estadual e presidiu a Alesc, derrotou Laerte naquela eleição. 

Ideologia
 
A origem dele era a UDN, União Democrática Nacional. Como ficou sem mandato, Jorge Bornhausen, eleito pela Assembleia em 1978, criou, em 1979, a Consultoria Geral do Estado e convidou Laerte Ramos Vieira para ocupar o cargo. Ele aceitou. Estava sem mandato. Só que a turma do Manda Brasa não engoliu a guinada. JKB havia sido indicado pelo regime militar. 

Gelo

Situação que acabou criando um constrangimento ao ex-deputado. Na década de 1980, Ulysses Guimarães veio a Santa Catarina, mas não procurou o ex-correligionário. 

Vale pra hoje

São lições que a história ensina e que servem de lição para aqueles que estão no exercício do mandato. O eleitor verifica, fiscaliza. O mandatário não pode se descuidar da base. Aquele que se isolar em Brasília, deixando de lado o eleitorado na província, pode ser surpreendido na eleição subsequente. 

Curral

Aroldo Carvalho, que foi deputado federal por muitos anos pela Arena e concorreu ao Senado em 1978, na sublegenda com Vilmar Dallagnol, acabou sendo conhecido como deputado Copa do Mundo. Aparecia nas bases a cada quatro anos. Como tinha um curral eleitoral sempre se reelegia. Hoje, os currais são raros e quem se descuidar pode colher o que plantou nos últimos quatro anos.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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