Em primeiro de janeiro do ano passado, assumiram os novos governadores, parte do Senado, os deputados federais e o presidente da República.
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O primeiro semestre geralmente é uma espécie de carência para os eleitos tomarem pé da situação, especialmente no Executivo. Transcorrido o primeiro semestre, em Santa Catarina já foi possível perceber movimentos aguçados do PSD, do PL, do PP e até do MDB.
Foram os quatro partidos que efetivamente imprimiram um ritmo mais acelerado de novas adesões, filiações de potenciais candidatos às prefeituras, reforços para as chapas proporcionais e por aí vai. Destaque maior para o PL, presidido pelo governador, e para o PSD, que hoje encarna efetivamente a principal oposição ao atual governador.
Zero
E o PT? Não se têm notícias, não se vê absolutamente nenhuma articulação coordenada com vistas às eleições deste ano.
Liderança de gabinete
Assim como Jorginho Mello, Décio Lima, que foi derrotado pelo liberal no segundo turno de 2022, preservou o comando do PT estadual, apesar de ficar muito mais em Brasília e viajando pelo mundo na condição de presidente nacional do Sebrae. Não se vê Décio Lima se movimentando para reforçar o PT no contexto estadual.
Quarteto
Não estamos fazendo alusão à bancada estadual, que é atuante. Os quatro – Luciane Carminatti, Neodi Saretta, Fabiano da Luz e Padre Pedro – têm atuação focada e equilibrada.
Dupla
Em 2022, o partido elegeu um segundo federal com a eleição de Ana Paula Lima. Pedro Uczai foi reeleito à Câmara.
Localização
Destes seis mandatos vermelhos, cinco são do Oeste. O partido hoje é nitidamente voltado para essa região de Santa Catarina, muito embora Décio e Ana Paula sejam do Vale do Itajaí.
Fincou o pé
Foi justamente ali que Jair Bolsonaro conquistou sua vitória mais expressiva entre o eleitorado catarinense. Aliás, o Vale do Itajaí é a região mais bolsonarista do país. Blumenau é a base de Décio Lima, que nasceu em Itajaí mas fez carreira na terceira maior cidade do estado.
Decepção
Mas tanto numa cidade quanto na outra, a votação de Lula foi absolutamente decepcionante, frustrante sob todos os aspectos.
Fraco
Isso enfraquece o PT porque seu presidente e principal nome ocupando cargo na esfera federal não têm o controle sobre o quintal.
Cara de paisagem
E mais. Não se vê o comando petista se preparando para enfrentar o pleito deste ano. O que é presságio de um resultado extremamente negativo para o partido do atual inquilino do Planalto. Desastre antevisto até mesmo por lideranças do partido. Também porque Santa Catarina é o estado mais conservador do Brasil.
Cresce no ambiente interno das bancadas estadual e federal do PL o desejo de provocar o expurgo de Jorge Goetten dos quadros partidários. Vale lembrar que ele, tendo tido o número 2222 nas últimas eleições, alcançou 150 mil votos. Um resultado expressivo, favorecido pela numeração.
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Também não se deve desconsiderar a ligação do deputado com Jorginho Mello. Já na campanha eleitoral, Jorge Goetten, que é empresário, mantinha uma longa relação de proximidade com o senador. O atual governador não deixou a presidência do PL estadual. E, se depender exclusivamente dele, a expulsão, via Conselho de Ética do PL, não ocorrerá.
Primeiro, porque Jorginho não deseja perder um deputado federal. Seis federais foram eleitos em 2022. Muito provavelmente, o chefe do Executivo estadual entrará nesse circuito para desarmar a ofensiva contra Goetten.
Dissonância
Dos seis federais, vale lembrar, apenas ele não assinou o pedido de impeachment de Lula da Silva. E foi barrado no trio elétrico de Jair Bolsonaro, por ordem do próprio, na Avenida Paulista, no domingo passado.
Fio da navalha
O deputado, que tem votado com o PT na Câmara, precisará reavaliar suas posições. Até porque, nos bastidores, já aumentam os ecos sobre negócios no contexto de sua empresa que estariam prestes a ser contemplados pelo governo federal. Goetten é um homem de negócios.
Tradição
Virou moda em Brasília, aliás, o balcão de negócios na Câmara dos Deputados. Tudo começou em 1998 com a mudança na legislação — via PEC — para permitir a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.
Só alegria
De lá para cá, a festa continua. A única mudança foi no governo Bolsonaro. A criação do orçamento secreto o livrou da convivência com figuras inescrupulosas do Congresso.
Primeira linha
Tanto é assim que o ex-presidente montou um ministério técnico. Como surgiu o mensalão? Pela relação promíscua do governo do PT com deputados que recebiam mesada para votar a favor do Planalto.
Saque
Depois tivemos o petrolão, com a nomeação de apadrinhados de deputados e senadores que saquearam e quase quebraram a Petrobras.
O Brasil voltou
A saga continua. Dos 140 deputados que já assinaram o pedido de impeachment, muitos devem retirar as assinaturas.
Bolada
Na semana passada, Lula, em reunião com Arthur Lira e as lideranças da Casa, acenou com a liberação bilionária de emendas aos deputados. Além de cargos.
Chantagem
Na outra frente, a ameaça, a chantagem. Os da base que assinaram o documento podem sofrer retaliações e passar a ser tratados a pão e água. É uma festa democrática. O Brasil voltou. Voltou muito pior do que se poderia imaginar, com absolutamente tudo girando à base do toma lá dá cá no Planalto Central.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.