Fechar [x]
APOIE-NOS
Tubarão/SC
21 °C
12 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

Histórico conservador

Por Cláudio Prisco Paraíso
08/03/2024 - 08h10

O eleitorado catarinense é essencial e potencialmente conservador. Disso não resta a menor dúvida.  Basta observarmos o histórico eleitoral desde 1982, quando foram restabelecidas as eleições diretas para governadores. 

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Santa Catarina jamais elegeu um governador de esquerda. O que chegou mais perto foi Jaison Tupy Barreto, que perdeu para Esperidião Amin por apenas 12,5 mil votos, algo em torno de 0,5% dos votos. O então emedebista passou raspando exatamente no pleito de 82. 

Depois, tivemos a onda vermelha com Lula da Silva em 2002, quando José Fritsch por pouco não carimbou o passaporte para o segundo round. Faltaram a ele 3% dos votos. Quem encarou o turno decisivo contra o governador à época, Esperidião Amin, foi Luiz Henrique da Silveira, do MDB. O emedebista surpreendeu e ganhou a eleição. 

O terceiro episódio ocorreu agora em 2022, quando Décio Lima, do PT, chegou ao segundo turno. Muito mais pela pulverização das candidaturas de centro e de direita, com cinco nomes contra apenas um da esquerda, o próprio Décio. 

Tibieza

Ou seja, o petista chegou lá não por sua expressiva liderança ou pelo apoio do então candidato Lula. No segundo turno do último pleito, todo mundo já sabia qual seria o resultado em SC. A candidatura de direita com Jorginho Mello atropelou o PT e as esquerdas. Foi uma verdadeira lavada. 

Não se cria

Esse retrospecto é apenas para deixar caracterizado que em SC não há espaço para candidaturas de esquerda. O estado tem o segundo eleitorado mais politizado do país, ficando atrás apenas dos vizinhos gaúchos. 

Olho vivo

Por aqui, o eleitor tem capacidade de discernimento, a maioria não entra em narrativas, promessas mirabolantes, conversa-mole. O catarinense não costuma votar em oportunistas, salvo algumas exceções. 

Bolsonarismo

Além disso, Santa Catarina é um estado bolsonarista. Basta olhar o fenômeno Carlos Moisés em 2018. Um ilustre desconhecido que virou governador. Foi eleito de graça para pilotar o estado. 

É ou não?

João Rodrigues, prefeito de Chapecó, favorito à reeleição na cidade, é do PSD. O oestino fica posando de bolsonarista, mas seu partido está fechadíssimo com o governo Lula. Ocupa três ministérios na gigantesca esplanada sob Lula III. A bancada do PSD no Senado é a maior. E faz bloco com quem? Com o PT. 

Lorota

Então, é difícil querer enrolar os catarinenses com esse papinho quando a realidade é que o PSD é governo Lula, é parceiro de primeira hora do PT.

Militância eletrônica

João Rodrigues não fica 15 dias sem gravar um vídeo solidarizando-se com Jair Bolsonaro ou apoiando alguma bandeira da direita e do ex-presidente. Tenta sinalizar que está afinado com o ex-presidente. Algumas vezes chega ao cúmulo de forçar a barra, querendo parecer mais bolsonarista do que o próprio Bolsonaro! A dúvida é: quem Rodrigues está traindo? Seu partido ou Jair Bolsonaro?

Lado

Não seria melhor o prefeito assinar ficha no PL, partido que causa arrepios na espinha canhota? Não se sabe, aliás, se Rodrigues seria aceito nas hostes do partido. Ocorre que João Rodrigues encontra-se na expectativa de que Jair Bolsonaro venha a apoiá-lo neste pleito municipal.

Impedimento

Se o PL lançar um candidato em Chapecó, contudo, Bolsonaro fica impedido de prestigiar o palanque pessedista. Por mais que seja amigo do chapecoense. 

Personalista

Há outro aspecto relevante neste cenário. Ao mirar apenas seu projeto pessoal de reeleição em Chapecó, João Rodrigues perde de vista que, em outros municípios, o PT poderia descarregar, até pela circunstância nacional, votos no PSD. 

Alternativas

Os petistas poderiam ajudar candidatos do PSD no segundo turno, ou em composições, ou lançando um número maior de candidaturas para favorecer o nome mais forte. 

Porta fechada

Mas Rodrigues só olha para o próprio umbigo, o que já começa a criar um desconforto entre seus próprios correligionários. Até porque, em todos os municípios, o PT tem sua fatia de eleitores. Percentual que, em alguns casos, pode decidir o pleito. 

Nariz torcido

Prefeitos, especialmente no Oeste catarinense, andam contrariados. Na região, o PT costumava estar com o MDB. Os vermelhos, no entanto, estavam dispostos a procurar novos parceiros. Mas não os encontrarão nas fileiras pessedistas, considerando-se que Rodrigues e outros líderes declaram que a sigla, em Santa Catarina, é de direita. Outro detalhe: dizem que o PSD local é conservador, mas o partido não participa e nem apoia o governo de direita pilotado por Jorginho Mello.

Guidi, Kassab e o PSD

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/03/2024 - 08h31

Gilberto Kassab, o todo-poderoso presidente do PSD, reúne, de quinta a sábado, no Rio de Janeiro, os mais de 40 deputados federais eleitos pela sigla. 

Os catarinenses marcarão presença: Ismael dos Santos e Darci de Matos, suplente que ocupa a vaga de Ricardo Guidi, hoje secretário do Meio Ambiente e da Economia Verde do governo Jorginho Mello. Em pauta, a avaliação da perspectiva do PSD, entre outros assuntos. 

 

Ricardo Guidi aproveitará essa estadia e essa convivência com Kassab para discutir seu futuro político. Afinal, ele aceitou o convite de Jorginho Mello para integrar o colegiado, percebendo, apenas no ano passado, a disputa interna a que foi submetido pelos dirigentes estaduais do PSD.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Isso desde a filiação do prefeito Clésio Salvaro, que trocou o PSDB pelo PSD, sinalizando claramente a vinda do secretário Arleu da Silveira, escolhido por Clésio para concorrer à sua sucessão, o que, aliás, ocorreu nesta quarta-feira em um grande evento do PSD em Criciúma.

Este evento microrregional contou, além do próprio Arleu, com vereadores e lideranças, todas trazidas pelas mãos de Cléo Salvaro, um prefeito eficiente, competente e bem-sucedido, que cumpre seu quarto mandato e é um excelente cabo eleitoral para Arleu. 

Governador

Contudo, Jorginho Mello já deixou claro que deseja ter um candidato em Criciúma, o que, evidentemente depende do comportamento de Ricardo Guidi, que nesta segunda-feira até se reuniu com dois deputados do PL, Daniel Freitas (federal) e Jessé Lopes (estadual), enquanto a outra federal, Júlia Zanatta, estava em viagem. 

PL com Guidi

Os dois deixaram claro que estarão com Ricardo Guidi, seja ele candidato pelo PSD ou pelo PL. A questão partidária ficou em segundo plano para Jorginho. Até porque, uma vez eleito, Ricardo Guidi deverá se filiar ao PL, o que também faz com que o PSD não aceite sua candidatura e apoie firmemente Arleu da Silveira. 

Histórico

Esse cenário ocorre agora porque, anteriormente, o PSD prejudicou Ricardo Guidi. Portanto, ele conversará com Kassab para buscar a garantia do presidente nacional de que aquele que se sair melhor nas pesquisas será o candidato. 

Liderança

Em todas as pesquisas, o secretário do Meio Ambiente está à frente de Arleu. Guidi, aliás, é deputado federal reeleito e preside a sigla no município. No entanto, o diretório estadual está agindo fortemente contra seu correligionário. 

Respostas

Ele quer saber de Kassab como o partido, no âmbito nacional, se posicionará. Imaginar que Kassab adotará uma postura contrária aos seus líderes em Santa Catarina é pouco provável. Mas, talvez, com Jorginho Mello acionando Tarcísio de Freitas, de quem é muito amigo e colega na função de governador, pode haver uma chance. 

Ligações

Kassab é secretário de governo em São Paulo. É ele quem faz a articulação junto à Assembleia Paulista. 

Talvez ele libere Guidi para trocar de partido sem reivindicar o mandato posteriormente, via Justiça Eleitoral, algo que os catarinenses duvidam que aconteça. 

Canais

Ricardo Guidi tentará de todas as formas se viabilizar como candidato dentro do PSD e, se não der, em último caso, irá para o PL concorrer à prefeitura. 

Polarização

O PSD não deseja que ele seja candidato pelo PL. Existe o temor que a eleição se torne muito polarizada e, talvez, arriscada, pois Guidi não receberia apenas o apoio de Jorginho Mello, mas também de Jair Bolsonaro, que é muito forte em Criciúma. 

Corrente

O grupo que pilota a cidade tem uma grande identificação com Bolsonaro, mas estão no PSD, que é governo Lula, com três ministérios. Em Santa Catarina, o PSD faz oposição a Jorginho Mello, especialmente nos bastidores, com uma atuação ardilosa de algumas de suas lideranças. 

Enfoque

A eleição de Criciúma tem tudo para ganhar dimensão estadual. Tudo vai passar, naturalmente, pelo comportamento de Gilberto Kassab. Se ele não liberar Ricardo Guidi, há quem aposte que mesmo assim, o deputado mudaria de partido para concorrer à prefeitura, já ocupada em duas oportunidades pelo seu pai, Altair.

 

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

+Lidas

Revista Única
www.lerunica.com.br
© 2019 - 2026 Copyright Revista Única

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR