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Do Sul para o Estado

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/04/2024 - 17h20

A eleição em Criciúma tem tudo para ganhar dimensão estadual. E não só porque é a maior cidade do Grande Sul catarinense. Também porque o município é administrado por Clésio Salvaro.

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Nenhum outro prefeito catarinense tem uma aprovação tão consolidada, definitiva, como ele, que está completando o quarto mandato à frente do paço criciumense. Os eleitores têm uma verdadeira adoração por Salvaro.

O prefeito escolheu o vereador Arleu da Silveira como o seu candidato por considerá-lo da mais absoluta confiança.

Salvaro está vacinado. Lá atrás, quando a Justiça Eleitoral catarinense anulou sua eleição e impediu sua investidura, o vice era Márcio Búrigo, que participou de eleição suplementar elegendo-se com o apoio de Clésio Salvaro e, mais tarde, rompendo com ele.

No último trimestre do ano passado, todos imaginavam que Clésio Salvaro iria respaldar aquele que recebeu a maior votação proporcional em Criciúma no pleito de 2022: Acélio Casagrande.

Segurança

Mas não, o prefeito optou por Arleu, que não tinha a mesma visibilidade. Acélio fez mais de 26 mil votos no município. Evidentemente porque foi respaldado pelo prefeito, um grande cabo eleitoral.

Somatório

Acélio Casagrande conquistou mais votos do que todos os outros candidatos proporcionais (estaduais e federais) por Criciúma na eleição passada.

Faro afinado

Pelo visto, no entanto, o feeling de Salvaro foi bem-sucedido. Acélio Casagrande acabou dando uma rasteira no prefeito. Ele era secretário da Saúde desde meados de 2019, quase cinco anos, portanto. Deixou a Prefeitura no dia 12 de abril, mas já havia assinado a ficha no PL no dia 6.

Escola

Acélio fez com Salvaro o que Marta Suplicy fez com Ricardo Nunes, o prefeito de São Paulo.

Ela era secretária municipal, mas ainda no exercício do cargo, foi a Brasília, chamada por Lula, e assumiu o compromisso de ser vice de Guilherme Boulos, que será candidato contra o próprio Nunes na disputa pela prefeitura mais rica do país. Marta filiou-se novamente ao PT.

Em família

Não se sabe ainda se o próprio Acélio será candidato a vice-prefeito de Ricardo Guidi ou se vai indicar a filha, que já se filiou ao PL. Nesse caso, ele seria nomeado secretário adjunto de Saúde do Estado.

Caminho

Parece o encaminhamento lógico. Se ele for o candidato a vice, será massacrado na campanha. O suplente de deputado e agora ex-integrante do primeiro escalão criciumense estava filiado ao PSDB.

Times

Certamente não foi um bom encaminhamento por parte de Casagrande. Nunca é demais lembrar que ele já foi muito ligado a Eduardo Moreira (MDB), depois vinculou-se a Salvaro (PSD) e agora fechou com o governador Jorginho Mello.

SC não existe para a União

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/04/2024 - 09h36

Santa Catarina vem sendo mais uma vez duramente castigada pelas chuvas. Embora a expectativa seja de melhoria no tempo, os estragos desde a noite de sexta perduram até este começo de semana. Isso realmente exige uma ação coordenada do governo do estado com os municípios mais atingidos. E a União?

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Bem, parece que o governo federal não está preocupado com Santa Catarina. Apesar de termos um catarinense, Décio Lima, à frente do Sebrae nacional, amigo, correligionário e compadre de Lula da Silva, e além dos investimentos do ano passado em rodovias federais, a realidade é outra.

Os recursos próprios prometidos ao Senado, sinalizados para neutralizar os efeitos das enchentes de outubro, chegaram? Os valores são reduzidíssimos, muito aquém da necessidade e do prometido.

Lados opostos

Hoje, o que se verifica é uma total falta de sintonia e um absoluto distanciamento entre as administrações federal e estadual. A grande verdade é que Lula III e Jorginho Mello não querem conviver.

Noite e dia

Eles preferem manter distância no contexto político, considerando as questões partidárias e as eleitorais. E o componente administrativo que deveria prevalecer num caso desses? Lula da Silva, com 15 meses no cargo, não pisou em Santa Catarina. Nas cheias do ano passado, enviou vários ministros e nada mais.

Troco de bala

As verbas? Irrisórias. Um levantamento da Secretaria da Fazenda, relativo a 2022, mostra que a receita global do estado, 94.9%, é oriunda de arrecadação própria. As transferências federais representam apenas 5.1%.

Mão única

Para se ter uma ideia, em 2002, Santa Catarina foi o quinto estado que mais transferiu recursos para Brasília de tributos federais e foi o penúltimo no que diz respeito ao retorno desses recursos pela União.

Justiça fiscal

Ah, mas o estado catarinense é redondo, anda com as próprias pernas, sendo essencialmente exportador, empreendedor, gerador de emprego e competitivo em inovação. Isso mantém a máquina funcionando, mas para os grandes investimentos, como obras de porte no contexto infraestrutural que possam neutralizar os gargalos logísticos, dependemos de recursos externos.

Custos elevados

Nenhum estado, com exceção de São Paulo, que é a locomotiva econômica do país, nem mesmo Minas Gerais ou Rio de Janeiro, dispõe de recursos para bancar essas obras.

Iniciativa privada

Então, se a União não tem dinheiro ou não quer transferir, que desenvolvamos um programa de concessões para que a iniciativa privada entre e banque os investimentos. O que não é possível é, a cada 4 ou 5 meses, enfrentar novas enchentes e cheias, enquanto a manutenção das estradas fica pela hora da morte.

Caos total

Tivemos nos últimos dias na BR-101 Sul, no Morro dos Cavalos, uma queda de barreira e o trânsito foi interrompido, mas já restabelecido. É possível fazer consertos, mas o necessário em termos de infraestrutura é continuamente adiado. E são rodovias federais!

Nem aí

A União parece desinteressada. Fica a sensação de que chegou o momento tanto para o governador quanto para o presidente da República esquecerem ou deixarem de lado as diferenças e buscarem uma convivência administrativa, pelo menos institucional.

Boleto

Caso contrário, será Santa Catarina quem pagará a conta. O problema é que o eleitorado catarinense derrotou Lula em 22. Dentre os principais estados, aqui foi a maior derrota proporcionalmente do PT.

Afasta de mim

E Jorginho Mello, por sua vez, não quer imagem, não quer foto, não quer vídeo com Lula, porque isso pode prejudicar sua reeleição em 2026 em um estado essencialmente conservador e potencialmente bolsonarista. Me parece que chegou a hora dos dois praticarem conjuntamente um gesto em nome de uma prosperidade ainda maior de Santa Catarina.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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