Na última quinta-feira, 20 de abril, o ministro Renan Calheiros Filho passou por Santa Catarina. Veio para entregar pequenas obras, atendendo caminhoneiros com um ponto de descanso, que nada mais é do que um estacionamento para os grandes veículos, e um novo viaduto. O que é muito bom e SC agradece, sensibilizada.
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Mas no principal, a União segue devendo ao estado. O titular dos Transportes sob Lula III sinalizou que não há recursos de maior monta para a infraestrutura no atual exercício.
Ou seja, melhorias reais em algumas das principais BR’s é o de sempre: talvez, quem sabe, um dia pode acontecer.
Aquilo que mais angustia momentaneamente os catarinenses é a situação da BR-101 Sul, que teve o trânsito interrompido por 36 horas esta semana, gerando enormes prejuízos e transtornos.
A solução é a construção de um túnel, com custo bilionário. Nestes termos, Renan deixou claro que isso não é prioridade para Brasília.
Passos de cágado
A duplicação da BR-101, vale rememorar, foi uma novela já nos anos 1990 e primeira década do século 21. Duplicações de trechos curtos da 470 e da 280 se arrastam há 10, 15 anos. Sem falar no contorno viário da Grande Florianópolis, atrasado há quase 13 anos. Esse é o modus operandi do PT.
Soluções
Sobre o túnel no Morro dos Cavalos se não há recursos públicos, que se faça pela via privada o urgente e necessário túnel.
Teto
No primeiro ano de Lula III até que alguns recursos vieram para as rodovias, muito mais significativos do que nos quatro anos de Bolsonaro. O que só foi possível pelo estourou bilionário do teto de gastos, conta que logo, logo começará a chegar para todos.
Realidade
Mas esse ano já se percebe que a coisa vai bater na trave mais uma vez. Agora não se pode perder de vista que a ausência do governador, que estava em Brasília, nas agendas com Renan Filho no estado enfraquece os pleitos catarinenses.
Alhos e bugalhos
Sim, Jorginho Mello é da oposição ao lulopetismo, correligionário de Bolsonaro e governa um estado conservador e bolsonarista. Mas independentemente disso, é preciso reivindicar à União, articulando-se com as federações empresariais e a bancada federal catarinense.
Negócio lucrativo
Em 2022, Santa Catarina foi o quinto estado que mais mandou dinheiro para Brasília, só ficando atrás do poderoso São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.
Na outra ponta, no que se refere ao retorno de verba federal ao estado, ficamos em antepenúltimo lugar, só à frente de Roraima e DF, atrás de Mato Grosso e Rondônia.
Inaceitável
Não se pode aceitar esse quadro. O ranking de 2023 ainda não foi liberado pela Secretaria do Tesouro Nacional, o que deverá ocorrer em maio. Mas não vai mudar o quadro.
SC despontando no envio de verba ao governo federal e ficando na rabeira quando o assunto é o retorno.
Trabalho e meritocracia
O estado é de ponta, produtor, organizado e com as mais variadas etnias de origem europeia que tornam Santa Catarina uma unidade federada diferenciada.
Caminhamos com as próprias pernas no dia a dia, mas para grandes investimentos, principalmente na questão da infraestrutura, dependemos da União. Que debocha e escarnece dos catarinenses há décadas.
Soltar o verbo
Passou da hora de deixar de lado questões ideológicas e partidárias. Tanto por parte de Jorginho Mello como de Lula da Silva, que, aliás, já está chegando a 16 meses no poder e ainda não pisou no estado.
O julgamento do senador catarinense Jorge Seif patina no TSE. No intervalo de duas semanas, houve dois movimentos procrastinatórios. Primeiro, a votação no pleno da corte foi adiada. Nesta semana, o processo foi retirado da pauta porque o relator, Floriano Marques, não compareceu por problemas de natureza familiar.
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Só que Alexandre, presidente do tribunal eleitoral, não sinalizou quando o julgamento voltará à pauta.
Não se sabe até agora, se ficou para a semana que vem.
As leituras políticas são as mais variadas. A primeira indica que o governador paulista, Tarcísio de Freitas, fez uma segunda conversa com Alexandre, tentando dar uma distensionada no que se refere ao aspecto político do julgamento de Seif, que é o 06 de Jair Bolsonaro.
Abuso de poder econômico é a alegação do PSD, que pede a degola do senador. Não fica de pé essa tese jurídica e também nem mesmo tem consistência sob qualquer outro aspecto técnico.
Por isso, o processo está carimbado: é meramente político, ou politicagem, o que está em jogo.
Sem votos
Até porque o PSD-SC não quer nova eleição, pede a recontagem dos votos e a investidura, via tapetão, do segundo colocado, o ex-governador Raimundo Colombo.
Golpismo canhoto
Uma excrescência inédita que, na eventualidade da cassação, não vingará. Fora isso, estaremos acompanhando um verdadeiro golpe, pois teríamos um senador eleito com mais de 1,5 milhão de votos perdendo o mandato para alguém que ficou a quase 1 milhão de sufrágios atrás do eleito. É esse o estado democrático de direito de que tanto se fala?
Na berlinda
Alexandre vive um momento de fragilidade, enfraquecido com o STF dividido na queda-de-braço do presidente do STF, Luís Barroso, com ele, Alexandre, e o decano e notório falastrão, Gilmar Mendes.
Na moleira
Não bastasse isso, o imperador enfrenta a ofensiva do megaempresário Elon Musk e suas revelações escandalosas sobre a ditadura da toga que já vigora há um bom tempo neste país.
A repercussão é internacional e enorme. Humor nada favorável ao STF e ao próprio Alexandre dentro do Congresso Nacional. As contestações se avolumam e vão ficando mais agudas.
Trincheira
De quebra, há o presidente da Câmara, Arthur Lira, ameaçando colocar em funcionamento cinco CPIs contra o governo Lula, além de PEC’s que limitem a ação do Supremo sobre o Legislativo federal, como, por exemplo, a prisão de parlamentares sem o devido flagrante, como determina a Constituição.
Ágape
A apreensão é generalizada. Tanto é que Gilmar Mendes recebeu, esta semana, Lula, Alexandre, e os dois ministros indicados pelo petista, Cristiano Zanin e Flávio Dino, para um convescote.
Preocupados que estão com o quadro. Pela via interna, Arthur Lira; no viés externo, Elon Musk.
Incógnita
Talvez, ainda se considerando a conversa do governador do maior estado brasileiro, Alexandre poderia estar reavaliando sua disposição de cassar Seif por ele ser próximo de Bolsonaro.
Todo poderoso
A alternativa é que o imperador possa estar querendo pagar para ver, mostrando força mesmo fragilizado. Ocorre que ele pode ainda não ter os quatro votos necessários para degolar Jorge Seif.
Placar
Vale lembrar que o TSE é constituído de sete ministros. Dois deles lá estão pelas mãos de Alexandre. Inclusive o relator, Floriano Marques. Contando o voto do próprio imperador, seriam três pela imolação. Seif, a seu turno, teria três votos a seu favor. O desempate estaria na indefinição da ministra Carmen Lúcia, que também compõe o STF.
Tucanou
Consta que ela não teria assegurado voto para nenhum dos dois lados. Aí estaria o X da questão, obrigando Alexandre a postergar o julgamento.
Holofotes
Todas as atenções estão voltadas para Brasília. Até porque, dependendo do resultado desse julgamento, se a cassação for consumada, seria um grande revés para Seif, evidentemente, mas beneficiaria por demais o PL catarinense.
Polarização
Explica-se: uma eleição majoritária estadual paralelamente ao pleito municipal, com Bolsonaro marcando presença no estado, poderia implicar em um resultado ainda mais alentador para os liberais do estado, pois polarizaria de vez a disputa municipal.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.