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Vexame vermelho

Por Cláudio Prisco Paraíso
03/05/2024 - 16h40

O 1º de maio, Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho, foi um fiasco retumbante para o PT, Partido dos Trabalhadores, criado em 1980. Quem foi o primeiro signatário desta legenda? Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi presidente do partido por longa temporada e depois Zé Dirceu, o todo-poderoso intimamente ligado a Lula. Ele, condenado no Petrolão, no Mensalão, esteve preso, assim como o próprio Lula, que foi solto para disputar a presidência da República. Na quarta-feira, o líder petista foi a São Paulo.

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Para aquela grande mobilização do Dia do Trabalho. E o que viu? Eles, quando na oposição e até em alguns momentos quando no governo, conseguiam atrair público. À base de muita mortadela, é verdade. A primazia de colocar o povo na rua foi por muitos anos exclusividade do PT. Pelo menos foi isso que se vendeu à sociedade. 

Mas após passar pelo governo, o segundo mandato de Lula da Silva já foi meio capenga, principalmente com Dilma Rousseff, que fez uma série de trapalhadas no segundo mandato, essa “realidade mudou.” Ela acabou cassada. Também houve a Lava Jato e uma série de prisões. 

A evidência de corrupção e tudo mais calcificou o fato de que eles hoje não reúnem mais ninguém. Lula fez uma campanha inteira com eventos externos fechados. E só entrava quem fosse do time do PT, lideranças de esquerda, centrais sindicais que queriam o fim do governo Bolsonaro.

Fora de circulação

Já ingressamos no 17º mês do governo Lula. Ele não circula pelo Brasil; quando o faz, em ambiente fechado, devidamente blindado. Aí resolveu, na quarta-feira, dia primeiro de maio, ir para São Paulo, seu berço eleitoral. 

Berço

Aliás, o PT surgiu no ABC. Santo André, São Bernardo e São Caetano, mas foi à capital paulista que a deidade vermelha tentou mostrar força. Ocorreu que, além de ter violentado a lei eleitoral, pedindo voto a Guilherme Boulos, do PSOL, pré-candidato à prefeitura, não apareceu nada além de meia dúzia de mortadelas. 

Liberado

Ah, sim, mas Lula pode. Pode tudo.  Todos os demais partidos, especialmente de direita, especialmente o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, esses não podem nada, mas ele pode e o TSE não vai fazer absolutamente nada. 

Cara de paisagem

O “presedente” Lula não reuniu 1 mil pessoas, sendo que quase todos que lá estavam eram líderes sindicais. Líderes partidários, simpatizantes levados à base de mortadela. É um contraste se fizermos um cotejamento, um paralelo com Jair Bolsonaro, que por onde passa, arrasta multidões. 

Comparação

Nós vamos citar só os dois episódios: 25 de fevereiro, na Paulista, onde compareceram mais de 700.000 pessoas e agora, recentemente, dia 21, em Copacabana, com outras tantas milhares de pessoas. E o presidente da República, líder sindical, torneiro mecânico, retirante nordestino, não reúne 1.000 pessoas?

Culpado

O “presedente” reclamou do ministro (sim, a culpa é sempre do ministro ou de Bolsonaro), que eles, a PTzada, não mobilizam mais gente na rua. Nunca foi uma mobilização natural, como muitos fazem. No século XXI Bolsonaro chama pelas redes sociais e as pessoas vão sem motivação outra, e tampouco motivadas por pão e mortadela. 

Realidade local

Então a gente começa a observar que efetivamente a coisa não está nada boa para a PTzada. Vamos estadualizar a realidade. Na terça-feira, os professores fizeram uma mobilização diante do centro administrativo do governo, em meio à greve capenga. Que não tem nem 15% de adesão. Mais um factoide. 

Aham

 Daí divulgaram que reuniram 10.000 pessoas. Conversa mole. Não reuniram nem mil e seguramente 80 a 90% dos presentes só estavam lá à base de pão com mortadela.  Simpatizantes de partidos de esquerda, líderes sindicais, professor que era bom, nada, representou 5% dos presentes. 

Modus operandi

Isso é o discurso político em ano eleitoral, ou seja, PT, os partidos de esquerda, as centrais perderam espaço, perderam discurso, perderam credibilidade. Aliás, centrais sindicais que estão incomodadas com o governo Lula e que têm se manifestado nessa direção. Mais uma dorzinha de cabeça. Para aquele que deixou as instalações da Polícia Federal como presidiário. Para assumir a presidência da República graças à generosidade do Supremo Tribunal Federal.

Lula só reúne meia dúzia de mortadelas e comete crime eleitoral

Por Cláudio Prisco Paraíso
03/05/2024 - 10h14
Lula da Silva subiu ao palanque – o qual frequenta há 50 anos – para fazer campanha eleitoral fora de época - Foto: Reprodução

Em um evento com meia dúzia de mortadelas, alusivo ao Dia do Trabalho, Lula da Silva subiu ao palanque – o qual frequenta há 50 anos – para fazer campanha eleitoral fora de época para o líder dos invasores de propriedades privadas, Guilherme Boulos.

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O texto e as informações abaixo são do Site O Antagonista.

“Durante o ato alusivo ao Dia do Trabalhador, o presidente Lula (à direita na foto) pediu voto abertamente para o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP, à esquerda na foto), pré-candidato à Prefeitura de São Paulo.

Pela lei das eleições, a 9.504, o candidato ou seus aliados podem fazer pré-campanha eleitoral, mas a norma veda de forma clara o pedido explicito de voto em torno do eventual candidato. Segundo analistas eleitorais consultados por O Antagonista, isso pode ser configurado como crime eleitoral, passível, inclusive, de perda de mandato, caso Boulos venha a ser eleito.

Ao elogiar Boulos, Lula disse que o pré-candidato enfrentaria adversários nos três níveis de poder, federal, estadual e municipal. Depois disso, o petista pediu explicitamente votos ao seu aliado.

“Eu queria dizer desse companheiro aqui: esse rapaz [Boulos], esse jovem, ele está disputando uma verdadeira guerra aqui em São Paulo. Ele está disputando com o nosso adversário nacional, ele está disputando contra o nosso adversário estadual, ele está disputando contra o nosso adversário municipal. Ele está enfrentando três adversários. Ninguém vai derrotar esse moço aqui se vocês votarem no Boulos para prefeito de São Paulo nas próximas eleições”.

O apelo

Não satisfeito, Lula ainda complementou: “Eu vou fazer um apelo: cada pessoa que votou no Lula em [19]89, em [19]94, em [19]98, em 2006, em 2010, em 2018, em 2022, tem que votar no Boulos para prefeito de São Paulo”.

Segundo a lei 9.504, mais precisamente o artigo 36, “a propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 15 de agosto do ano da eleição”.

Ainda conforme a legislação, “não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet”.

Traduzindo: Lula poderia até exaltar as qualidades de seu amigo do PSOL, desde que não pedisse votos de forma explícita.

Com a palavra, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).”

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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