Na prática, segunda-feira começaram os trabalhos na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que no sábado elegeu a sua nova mesa diretora.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
Mais uma vez, de forma eclética, tendo à frente o deputado Julio Garcia, do PSD, para o seu quarto mandato na proa do Parlamento. Institucionalmente, a expectativa é que a relação com Jorginho Mello seja a mais amistosa possível. Aliás, é uma característica de Garcia no trato.
Mas no seu discurso, ele foi muito claro: independência entre os poderes. Ou seja, o Legislativo estadual terá toda a liberdade para conduzir as matérias que lá chegarem. Ele fez questão, também, de colocar que a Assembleia não vai se posicionar contra os projetos de origem do Executivo, mas que vai apreciá-los de maneira adequada.
Foi além. No discurso, ele disse, olha, Santa Catarina pode mais. Também fazendo uma crítica indireta, ou quase direta, à administração liberal.
Diferenças
Institucionalmente, a convivência com Jorginho Mello tende a ser tranquila. Mas, no ambiente político, partidário e eleitoralmente falando, a história é outra. Julio Garcia é do PSD, que está fora do governo Jorginho Mello e ao qual faz oposição.
Marca
Julio Garcia não consegue se desvincular, também, da condição de parlamentar de um partido onde ele é um dos principais líderes e que já tem pré-candidato ao governo, o prefeito reeleito João Rodrigues, que terá sua pré-candidatura formalmente lançada, no próximo 22 de março, na Capital do Oeste.
Turbulências
Então, não resta a menor dúvida de que será um ano desafiador para Jorginho Mello. O governador não perdeu tempo para fazer o contraponto no enfrentamento a Julio Garcia. Ele trouxe alguém com experiência de parlamento, Kennedy Nunes, que ficou 16 anos na Assembleia. Mas mesmo assim, não será parada fácil, na medida em que é o ano que antecede o pleito majoritário estadual.
Holofotes
Evidentemente que João Rodrigues vai procurar ganhar visibilidade, até porque seria ou será, se ele concorrer ao governo do Estado, sua primeira eleição estadualizada.
Conhecido
Jorginho Mello vai para a sua terceira disputa estadual. Tem a máquina do Estado, tem o maior número de prefeituras conquistadas no ano passado, 90 de 295. Há, ainda, um outro componente, que aí favorece a Jorginho Mello.
Municipalismo
O governador conseguiu colocar como presidente da Fecam o prefeito da Capital, reeleito no primeiro turno, Topázio Silveira Neto, que coligou com o PL. Os liberais indicaram a vice, Maryanne Mattos. Sim, Topázio é filiado ao PSD, correligionário de João Rodrigues e Julio Garcia.
Lado
Tudo isso é verdade, mas o prefeito de Florianópolis já declarou que está fechado com a reeleição de Jorginho Mello. E quer o PSD na aliança.
Isolamento
Tanto é que o próprio João Rodrigues, no fim de semana, disse que Topázio Silveira Neto não lidera nenhuma ala dissidente no PSD de apoio a Jorginho Mello. Até porque Topázio é o único dissidente declarado. Só que não se pode perder de vista que, além de prefeito da Capital, ele já é presidente da Fecam.
Replicando
Ou seja, algo semelhante ao que faz o governador, que além de pilotar o Estado, é presidente estadual do PL.
Imã
E os dois, em dobradinha, não resta a menor dúvida, vão tentar atrair prefeitos do PSD. Porque Topázio e mais trinta e nove foram eleitos e reeleitos. Então, trinta e nove estão aí, de repente, ávidos por verbas estaduais, obras e benfeitorias.
Contrapeso
Portanto, Topázio à frente da Fecam é um dado que pode ajudar Jorginho Mello, considerando os obstáculos que enfrentará com Julio Garcia na presidência da Assembleia.
O ex-deputado Kennedy Nunes inicia hoje a sua segunda semana à frente da articulação política do governo Jorginho Mello. Essa interlocução do Executivo não se restringe ao Legislativo, mas também aos demais poderes.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
No contexto do Judiciário, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público Estadual e também junto ao Tribunal de Contas do Estado, que é um órgão auxiliar da Assembleia Legislativa.
O adjunto da Casa Civil, Marcelo Mendes, que vinha respondendo interinamente pela pasta, ficará com toda a parte burocrática; aquela parte administrativa do governo, que se esgota dentro dele próprio. Inclusive as demandas jurídicas.
Agora, tudo aquilo que é da administração estadual para fora fica sob o controle de Kennedy Nunes, que recebeu carta-branca de Jorginho Mello. Para se ter uma ideia, de sexta para sábado, houve uma ocorrência de falta de luz durante três ou quatro horas em Balneário Camboriú.
Vários deputados o acionaram e ele, imediatamente, no sábado pela manhã, contactou com o presidente da Celesc, explicou a situação, repassou aos parlamentares. Uma nota oficial foi redigida e publicada em conjunto pela Celesc e pela Secretaria de Comunicação.
Apagando incêndio
Ou seja, Kennedy Nunes não deixou acúmulos pelo caminho a ponto de desgastar a gestão de Jorginho Mello. Ele, inclusive, num determinado dia da semana passada, entre prefeitos, vice-prefeitos e parlamentares, atendeu mais de cinquenta.
Empoeirada
Aliás, muitos não pisavam na Casa Civil desde o tempo de Nelson Serpa, que foi o último titular do governo Raimundo Colombo. Era conhecido como Serpinha. Ou seja, estamos falando de quatro anos de Carlos Moisés e a metade da gestão de Jorginho Mello. Então, a engrenagem está funcionando de forma diferente.
Conexão
Com a experiência de quatro mandatos na Alesc, ele passa, efetivamente, a ser a ponta de lança do governo nessas negociações. Até porque conhece a esmagadora maioria dos parlamentares. Há outro aspecto: Jorginho Mello formou um novo quadro de colaboradores. Essa é a grande realidade. E em sua esmagadora maioria, técnicos.
Perfil
Quais são os políticos que estão à frente de posições de relevo da administração estadual, do secretariado? O próprio Kennedy Nunes, Paulinho Bornahusen, na Articulação Internacional, ele já foi deputado estadual e federal; e o ex-presidente da Assembleia, Sílvio Dreveck, à frente do Desenvolvimento Econômico e Sustentável.
MDB
Finalmente, Jerry Comper, deputado estadual licenciado do MDB, que está na Infraestrutura. Então, Kennedy só tem três com visão política. Também por isso, ele está fazendo essa interlocução internamente com aqueles colaboradores e colegas de colegiado que não têm experiência política.
Na ponta
Suponhamos que um determinado assunto encaminhado pela Secretaria do Meio Ambiente e Economia Verde, se é algo que, com a sua experiência e com o aval do governador, ele percebe que não tem como avançar, Kennedy já vai nesse secretário e trata do assunto.
Antecipando
Até para que, efetivamente, a questão possa ser já eliminada da pauta e não fique provocando desgaste ao governo estadual. Com relação às lideranças políticas que hoje estão no secretariado, faltou dizer, evidentemente, que além de Jerry Comper, Sílvio Dreveck e Paulinho Bornhausen, na mesma condição de Kennedy Nunes, chegaram agora dois ex-prefeitos, ambos de dois mandatos.
Dupla
Mário Hildebrandt, de Blumenau, à frente da Defesa Civil; e Adeliana Dal Pont, de São José, que já está comandando a Assistência Social. Por fim, nos próximos dias, Jorginho estará chamando uma reunião do colegiado para explicar aos seus principais assessores o novo papel do chefe da Casa Civil, que acaba de assumir e tem um belo desafio pela frente.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.