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Movimentos calculados

Por Cláudio Prisco Paraíso
09/12/2025 - 09h45

A semana passada se encerrou com a novidade apresentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que, mesmo preso e incomunicável, mandou um recado pelo primogênito, senador Flávio Bolsonaro, indicando que o 01 é o nome para concorrer à Presidência da República.

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É possível afirmar que, internamente, esse movimento de Bolsonaro busca duas situações: a reaglutinação da unidade partidária e a recomposição familiar.

Vamos começar pelo componente da prole. Michelle Bolsonaro estava correndo o país como presidente nacional do PL Mulher e já se insinuando com um discurso que ganhava contornos presidenciais. Chegou a comentar que toparia ser vice, inclusive, de Tarcísio de Freitas.

Depois, houve aquele ruído familiar quando ela, em visita a Fortaleza, declarou apoio a Eduardo Girão, do Novo, ao governo do Estado. Ela foi além e acionou a metralhadora giratória contra a direção estadual do PL por ter fechado com Ciro Gomes. A aliança implodiu.

Contra-ataque

Os quatro irmãos — incluindo Jair Renan, vereador de Balneário Camboriú — vieram e bateram pesado na ex-primeira-dama. Ato contínuo, Flávio pediu desculpas à madrasta, na qualidade de enteado mais velho. Fica claro, portanto, que o lançamento do nome do senador carioca para a sucessão foi também para acertar o baralho no contexto familiar e deixar claro que o nome é Flávio.

Freio de arrumação

No contexto partidário, a movimentação também foi necessária porque, se uma parte do partido — inclusive nas bancadas da Câmara e do Senado — segue fielmente as orientações do ex-presidente, outra parcela já vinha se ensaiando e se assanhando para pegar carona no Centrão e fechar com Tarcísio.

Blindagem

Paralelamente a isso, imaginou-se que poderia ser um blefe, uma jogada de Bolsonaro para preservar o governador de São Paulo de investidas do governo, da esquerda e do PT. Mais adiante, Flávio poderia retirar a pré-candidatura e todos fechariam com Tarcísio — quem sabe com o próprio primogênito compondo como vice.

Moeda

Surpreendentemente, neste domingo, Flávio — com menos de 48 horas como pré-candidato — disse que poderia bater em retirada. Admitiu retirar seu nome, mas que isso teria um preço. E ficou de anunciá-lo nesta segunda-feira, em Brasília. Muito se comenta que a moeda de troca seria uma anistia geral e irrestrita.
 

Desagradou a todos

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/12/2025 - 08h47

É muito descaramento, prepotência, arrogância — um transbordar de dominação. É assim que podemos definir o comportamento do ministro decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

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Monocraticamente, ele deliberou que, a partir de agora, acolhendo uma liminar do Partido Solidariedade e também da Associação Brasileira dos Magistrados, somente o Procurador-Geral da República pode ingressar com pedido de impeachment contra ministros do STF. Ou seja, ele está deliberando em causa própria, em relação a si mesmo e aos seus colegas. Essa é a preliminar.

O segundo aspecto: existe uma lei de impeachment de 1950 que deixa muito claro que o pedido pode ser resultado de iniciativa popular. E ele, de uma hora para outra — preocupado porque o centro e a direita poderão fazer, em 2026, maioria significativa no Senado — se antecipa para tentar brecar qualquer risco de um pedido de impeachment ser submetido ao plenário do Senado. Exatamente como estabelece a Constituição, que é clara.

Rasgando

Gilmar adota, além de uma medida corporativista, uma decisão individual cujo julgamento virtual começará no próximo dia 12. A suprema toga faz isso no apagar das luzes e na véspera de uma eleição, como quem deseja blindar a si mesmo e a todos os seus colegas, usurpando atribuições do Senado e impondo mais um chega-para-lá à população brasileira.

Tapa na cara

Um pedido de impeachment pode ser de iniciativa popular, e os senadores têm direito de ingressar com a solicitação. Eles representam os estados — assim como os deputados representam a população na Câmara.

Fechem o Congresso

Estamos diante da ditadura da toga, escancarada, sem cerimônia nem constrangimento. A ponto de até senadores governistas, esquerdistas e petistas condenarem a iniciativa de Gilmar Mendes, por ser descabida, despropositada, vergonhosa e escandalosa.

Soberba

A verdade é que esses ministros se comportam como se fossem deuses do Olimpo, inalcançáveis e inatingíveis. Podem tudo. E impera aquela sensação de que “tudo está dominado”, ninguém diz nada e ninguém reage.

Contenção

Eles precisam ser contidos. Nenhum deles conquistou um único voto popular, e agora ainda restringem ao procurador-geral da República, indicado pelo presidente, a possibilidade de pedir impeachment. É a festa sem fim do consórcio.

Balaio de siri

O atual procurador, Paulo Gonet, foi sugestão do próprio Gilmar Mendes e de Alexandre de Moraes a Lula da Silva — o mesmo Lula que ambos tiraram da prisão e recolocaram na Presidência da República. Era preciso retribuir. Este é o Brasil atual: desmandos e roubalheira sem fim, executados e legalizados por um grupo restrito que há muito solapou a democracia.

Sociedade

E tem mais: Paulo Gonet foi sócio do instituto que já pertenceu ao próprio Gilmar Mendes. Ambos eram sócios. Gilmar passou a empresa para o filho, e Gonet vendeu a sua parte, também para o filho. Uma promiscuidade generalizada. Está tudo em família. Um Supremo sem limites.

Tudo em casa

Ano passado, decidiram que ministros podem se manifestar em processos em que parentes — até esposas — atuem como advogados(as). Ou seja, vale tudo.

Brasilllll

O Congresso precisa reagir. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teve um raro rasgo de independência ao se posicionar criticamente. Na Câmara dos Deputados, a CCJ já aprovou a proposta que limita decisões monocráticas. A matéria foi enviada ao Senado. É necessária mobilização e reação do Congresso diante desses ministros descarados que aí estão.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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