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Lista tríplice de dois

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/03/2025 - 12h43

O governador Jorginho Mello recebeu a lista tríplice, mas com apenas dois nomes, resultado da eleição à Procuradoria-Geral de Justiça, para escolher o novo chefe do MPSC.

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Em última análise, o dirigente do Ministério Público em Santa Catarina concorreu a uma recondução. Estamos falando de Fábio Trajano, atual PGJ.

Como candidatura alternativa, não daria para dizer que de oposição, aparece a promotora Vanessa Cavallazzi, que na eleição há dois anos, ficou em quarto lugar e agora conquistou uma belíssima votação.

À época, o procurador Fernando Comin conseguiu colocar os seus três nomes na lista tríplice, com uma diferença de dez votos entre o primeiro, Trajano, e o último. Na oportunidade, a própria Vanessa já ficou muito bem posicionada.

Comin entregou o comando do Ministério Público a Fábio Trajano, que foi nomeado pelo governador. Agora, Jorginho Mello só tem duas opções.

Retrovisor

Vanessa ficou a 31 votos de Trajano, um belo desempenho. Só que, ao natural, a tendência seria o governador reconduzir o procurador geral. Até porque ele liderou também a nominata que foi entregue a Jorginho Mello.

De cima

O que ocorre é que, nos últimos dias, durante o Carnaval, o governador sofreu forte pressão.

Brasília

Não partiu de Santa Catarina. É proveniente de Brasília, especialmente ministros do Supremo Tribunal Federal.

Quarteto

Pelo menos quatro supremas togas entraram no circuito, pedindo por Vanessa, cujo marido trabalha no gabinete do ministro Edson Fachin.

CEP

Aliás, ela já está atuando hoje no contexto do Ministério Público Federal, em Brasília. Mas, pergunta-se: o que os ministros do Supremo têm a ver com o preenchimento da vaga de Procurador-Geral de Justiça em Santa Catarina?

O pedido formulado por alguém já caracteriza um movimento político.

Disfarce

Eles são magistrados e, como tal, têm que se comportar restritos aos autos dos processos a eles direcionados.

Mas não, eles vivem dando entrevista, viajando para o exterior, participando de conferências, de painéis, de seminários.

O que menos fazem é julgar algo de real interesse da nação.

Jurisprudência

E tem precedente do ano passado, quando Alexandre de Moraes pediu pelo terceiro da lista em São Paulo. E Tarcísio de Freitas o atendeu.

Até porque o primeiro da lista, que seria nomeado pelo governador paulista, era adversário, inimigo regional de Alexandre de Moraes.

Gesto

Com esse gesto praticado pelo governador Tarcísio de Freitas, a situação foi distensionada pela absolvição de Jorge Seif, que vinha tendo seu mandato questionado.

Escaninhos

Ele ainda não foi absolvido, mas a situação já foi devidamente aliviada e está tudo bem. O seu mandato, que esteve ameaçado de ser cassado, não o será mais, embora o julgamento definitivo não tenha ocorrido.

Piada

Mas como fica a independência entre os Poderes?  Cada qual no seu quadrado! Claro, lógico. Tudo lorota.

No ar

Então, Jorginho Mello ficou um pouco, digamos, preocupado. Sim, porque a partir do momento em que o ministro do Supremo faz uma solicitação e ela não é aceita, fica implícito o seguinte recado: ó, chegando algum processo teu aqui, te prepara.

Corajosa

Em compensação, deputados, inclusive a recordista de votos, Carol De Toni, já se manifestaram para que seja observada a votação. Trajano foi o mais votado.

Atuação

Tem um histórico aqui de investigações, por exemplo, da operação Mensageiro antes de assumir o Ministério Público Catarinense, diferentemente de Edson Fachin, que foi o responsável por enterrar a Lava Jato. O contraste é gritante.

O novo Colegiado de Jorginho

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/03/2025 - 12h53

O governador Jorginho Mello concluiu, ontem, a última etapa das modificações promovidas em seu Secretariado. Que tem agora quatro novos integrantes: dois representando o MDB, o deputado federal Carlos Chiodini, que passa a responder pela Secretaria da Agricultura e Pecuária, e o deputado estadual Emerson Stein, que ficará responsável pela Secretaria do Meio Ambiente e Economia Verde. 

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Já no contexto mais técnico, o coronel Freibergue Nascimento assume a Controladoria-Geral do Estado, uma posição estratégica da administração estadual.

Por fim, Daniele Amorim Silva assumirá a Secretaria de Justiça e Ressocialização. Jorginho Mello, encerrando esse momento de ajustes na equipe, vai se voltar para ações administrativas com vistas a 2026, ano eleitoral. Ele começou a percorrer as 21 microrregiões. Nessa quarta-feira, esteve em Rio do Sul. Já passou por Criciúma e outras cidades.

Olho no olho

Essas agendas também tem como objetivo contato direto com os prefeitos, nas várias regiões, levantando suas reivindicações e tudo mais. É aí que ele pretende ampliar o número de prefeitos eleitos pelo PL em 2024, em número de 90. 

Centena

A expectativa é que alcance o terceiro dígito, ou seja, que consiga trazer pelo menos uma dezena de novos prefeitos.

Respaldo

E aqueles que não se filiarem ao PL, o que o governador deseja é fazer com que possam apoiar seu projeto de reeleição. Aliás, o seu antecessor, Carlos Moisés da Silva, se dedicou a isso no último ano do mandato, tratando, aliás, muito bem os prefeitos. O problema é que já era tarde demais e Moisés não tinha cacoete político. Essa que é a grande realidade. 

Estilo

Diferentemente de Jorginho Mello, que foi quatro vezes deputado estadual, duas federais, senador, vereador no Meio-Oeste e hoje governador. Toda essa movimentação dele tem tudo para lhe render frutos políticos com vistas ao embate eleitoral.

Meta

Não resta mais a menor dúvida: o projeto de Jorginho Mello é assegurar a recondução no primeiro turno. Até porque não teremos, dessa vez, um número, digamos, excessivo de candidatos, especialmente entre os conservadores. Em 2022, já falamos aqui, foram cinco candidaturas do centro e de direita.

Quinteto

Além de Jorginho Mello, em 2022 foram candidatos ao governo o então governador Carlos Moisés, o senador Esperidião Amin, o ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, e o promotor público aposentado Odair Tramontin.  

Trio

Em 2026, quando muito, duas candidaturas de direita. Além da recandidatura do atual governador, o PSD deve vir com João Rodrigues e poderemos, eventualmente, ter uma candidatura do Novo. E fica nisso. No máximo três.

Canhotos

Quanto à esquerda, se não estiver unida, poderá ter dois candidatos. Caso isso ocorra, não passarão dos 20% dos votos. Ou seja, Jorginho Mello precisa de 50% mais um voto. Significa que as outras candidaturas conservadoras teriam que fazer mais de 30% dos sufrágios daqui a um ano e meio. É um grande desafio.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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