Estamos a menos de três meses das eleições de 5 de outubro e o clima nas ruas é de absoluto silêncio. Tirando a movimentação interna dos partidos, coligações e candidatos, no seio da sociedade esse assunto simplesmente não existe. Ninguém fala sobre a eleição ao governo do estado, a disputa ao Senado, os candidatos proporcionais à Câmara ou à Assembleia. Absolutamente nada. O tema está zerado.
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O que se ouve, e ainda muito superficialmente, são observações em torno da disputa presidencial. Mas motivadas por um único fator: a situação econômico-financeira do país. O poder aquisitivo da população brasileira está sendo aniquilado. É aquela história de sempre, panela vazia, fogão apagado. A economia, estúpido. Exatamente o que levou o azarão Bill Clinton a derrotar George Bush pai na disputa presidencial de 1992 nos Estados Unidos. O brasileiro sai do supermercado, do mercadinho, com menos produtos do que saía três ou quatro meses atrás. E é isso, só isso, que vai determinar o resultado eleitoral.
Banco Master não decide
Não será a questão do Banco Master. Está todo mundo envolvido, PT, PL, até o Gogó. É terra arrasada para todos os lados. Logo, não vai ser referência para ninguém na hora de votar.
Tarifaço tampouco
A questão do tarifaço de Trump e seus efeitos sobre o empresariado brasileiro também não move o eleitor comum. É pauta de analista, não de urna.
Segurança pega um pouco
A qualificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas pelo governo americano vai merecer aplauso de boa parte da população. A segurança pública influencia, o brasileiro se sente inseguro. Mas ainda assim, o que vai valer mesmo é a questão econômica. Essa é a grande verdade.
Terceira via? Ilusão
Há espaço para um novo nome romper a polarização entre lulismo e bolsonarismo? É pouco provável. Os nomes alternativos não sensibilizam, não são impulsionados por comunicação carismática nem por desenvoltura verbal. No final vai ficar isso mesmo, Lula contra Flávio. O primogênito contra o presidente.
Lula vulnerável
E tudo leva a crer que o descontrole fiscal, a gastança sem limite e o estouro da boiada têm tudo para vulnerabilizar o projeto de um quarto mandato para Lula da Silva, mais quatro anos somados aos 23 que a sociedade brasileira já entregou ao PT. A conta está chegando e o brasileiro está sentindo no bolso.
Ganha o menos rejeitado
Mas não será uma solução que vai entusiasmar o eleitorado. Porque o que temos hoje é uma guerra eleitoral onde não se escolhe o melhor, elege-se o menos rejeitado. Não é uma opção. É uma exclusão. O eleitor não vai às urnas para dizer sim a alguém. Vai para dizer não ao outro. Essa é a grande realidade do Brasil de 2026.
Reforma ou repetição
E é exatamente por isso que o Brasil, mais do que nunca, precisa de uma reforma política ampla e significativa. Para que o eleitorado brasileiro tenha alternativas reais no futuro, em candidaturas e em partidos sustentados por princípios programáticos e ideológicos mais bem definidos. Sem isso, daqui a quatro anos estaremos aqui de novo, discutindo a mesma polarização, os mesmos nomes, a mesma eleição por exclusão.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
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