As eleições estaduais deixaram um retrato indigesto para o PT. Com a retotalização no Rio de Janeiro, 21 das 27 unidades da Federação tiveram a disputa resolvida no primeiro turno. Restaram seis para 25 de outubro.
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O resultado expõe a força dos adversários de Lula em regiões decisivas. O presidente precisa ampliar sua votação justamente onde seus principais aliados sofreram derrotas pesadas.
Por um triz
No Distrito Federal, Celina Leão chegou a 49,93% dos votos válidos. Ficou a apenas 0,07 ponto percentual de alcançar os 50%. Uma diferença mínima para encerrar a disputa. Agora enfrenta Leandro Grass, do PT, com uma dianteira expressiva. O petista precisa de uma reviravolta para vencer. É um confronto direto entre campos alinhados a Flávio Bolsonaro e Lula, com o presidente largando em situação bastante desconfortável.
A batalha potiguar
O Rio Grande do Norte é o único estado nordestino que terá segundo turno para governador. Allyson Bezerra enfrenta Cadu de Lula numa disputa apertada, que oferece à centro-direita a oportunidade de conquistar mais um governo na região. É também o estado de Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio. Uma vitória ali teria peso estadual e repercussão nacional. Seria uma derrota particularmente amarga para o petismo.
Nordeste plural
Raquel Lyra se reelegeu em Pernambuco. Em Alagoas, João Henrique Caldas, o JHC, derrotou Renan Filho. O Nordeste está longe de ser um território politicamente uniforme, submetido a uma única orientação. Isso não significa transferência automática de votos para Flávio. Raquel, inclusive, mantém neutralidade na disputa presidencial. Mas os resultados desmontam a ideia de que a força de Lula assegura o domínio dos governos estaduais aos seus aliados.
As outras disputas
Acre, Amazonas e Tocantins completam o quadro no Norte. No Sudeste, resta o Espírito Santo, com Lorenzo Pazolini, do Republicanos, e Ricardo Ferraço, do MDB. O Rio saiu dessa lista depois que a anulação dos votos de Anthony Garotinho levou Douglas Ruas a superar a metade dos votos válidos. Eduardo Paes perdeu a possibilidade de disputar a segunda rodada. Mais um revés para o campo que Lula esperava mobilizar.
A Paulista respondeu
É preciso reconhecer: Lula reuniu uma multidão na Avenida Paulista. A esquerda mostrou capacidade de mobilização e produziu uma imagem importante para uma campanha que precisa reagir. Mas uma concentração expressiva não apaga o resultado das urnas. Entusiasmar quem já está convencido é uma tarefa. Conquistar quem votou contra, anulou ou ficou em casa é outra, muito mais difícil. O aplauso da militância não resolve sozinho essa equação.
Vitórias de fora
Entre os governadores presentes estavam Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí. Três petistas reeleitos no Nordeste, reforçando o palanque na capital paulista. A imagem ajuda a compreender o problema. Lula tem aliados vitoriosos, mas precisa buscar fora do Sudeste parte dessa força para exibi-la no principal colégio eleitoral do país. Seus adversários dispõem de governadores fortalecidos pelas urnas dentro da própria região.
O MDB se divide
A maioria dos diretórios estaduais do MDB prepara uma manifestação de apoio a Flávio. É mais um movimento de ampliação das alianças do candidato liberal, que também recebeu adesões de antigos adversários do primeiro turno. Existe uma ala emedebista organizando apoio a Lula. Portanto, o partido não marcha inteiro na mesma direção. Ainda assim, o avanço de Flávio sobre essas estruturas mostra que a campanha liberal continua abrindo portas enquanto o PT tenta recuperar terreno.
O desafio de Lula
O problema do presidente é transformar mobilização em expansão eleitoral. No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, enfrenta adversários com governos conquistados, lideranças fortalecidas e redes locais prontas para trabalhar por Flávio. Lula precisa furar esse bloqueio. Não basta repetir o discurso para a própria plateia nem tratar a fotografia de uma avenida cheia como antecipação do resultado. A Paulista entregou uma imagem de força. As urnas estaduais entregaram um aviso. O PT faria bem em não confundir uma coisa com a outra.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
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