Novas capacidades da 14ª Companhia de Engenharia de Tubarão reforçam segurança em caso de catástrofes naturais
A 14ª Companhia de Engenharia de Tubarão, que integra o Exército Brasileiro, é uma das instituições mais organizadas do país.
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A estrutura conta com embarcações, botes pneumáticos, equipamentos de engenharia, retroescavadeiras, carregadeira, motoniveladora e caminhão basculante (caçamba).
Esses equipamentos – de montagem como embarcações – facilitam muito no caso de calamidade pública. Dentro deste escopo, o Exército entendeu que seria interessante esta transformação de infantaria para engenharia no caso de Tubarão.
O novo Comandante, o Capitão Vinícius Coelho Machado, assumiu o cargo no início deste ano. Ele conta detalhes deste processo de transformação para a reportagem da Revista Única.
“Isso ocorreu no ano de 2022, quando aqui em Tubarão ainda era Infantaria, mas então foi criado e teve início o núcleo de engenharia, que foi o processo de transformação. Em 01 de janeiro de 2023, foi efetivamente trocado o nome e criado oficialmente – deixou de ser 3ª Companhia de Infantaria Motorizada para ser 14ª Companhia de Engenharia de Combate. Desde então, essa transformação vem ocorrendo, porque não é exatamente do dia para a noite”, explica o Comandante.
O Capitão Vinícius explica que demora um pouco para que a transformação seja concluída, pois os militares que estavam aqui eram de infantaria, e a unidade teve que efetivar a troca de profissionais.
Os Oficiais e Sargentos estão em processo de mudança. Os Cabos e Soldados, que são da região e entram através do alistamento obrigatório, foram formados na infantaria.
“Foi necessário reformá-los, requalificá-los, para que se tornassem Cabos e Soldados de engenharia”, exemplifica o Comandante.
É por este e outros motivos que essa transformação ainda está em curso. “Tanto que em infraestrutura, por exemplo, já recebemos uma grande quantidade de equipamentos e de barcos. Também é necessário adequar as instalações, que agora precisam ser diferenciadas para que possamos armazenar esse material. Precisamos de oficinas para poder atender todas as necessidades dos equipamentos. Leva alguns anos, mas atualmente já tem muito mais condições, em casos de necessidade, especialmente calamidades públicas, para que as capacidades sejam colocadas em prática”, garante o Comandante.
A previsão é que este projeto siga em implantação até 2026. Mas tudo depende também da adequação como, por exemplo, das instalações.
“Para citar algo bem importante, precisamos construir um pavilhão para abrigar esses equipamentos. Enquanto não finalizar esta obra, ainda estaremos em transformação”, detalha o comandante. “Mas, de uma maneira geral, as capacidades, que é o que mais interessa a sociedade, já estão plenas para ações de apoio a Defesa Civil”, completa.
Um exemplo disso é a “Operação Taquari II”, que foi o apoio ao Rio Grande do Sul nas enchentes do ano passado. No início de maio a Companhia de Tubarão foi acionada e seguiu para a região de Porto Alegre, mais precisamente na região de Santa Rita. A Companhia atuou em três fases.
“A fase inicial foi o atendimento às vítimas urgentes e emergentes, quando a água estava acumulada. Então era salvamento de vidas, de animais, enfim, fazer o que poderia ser feito”, descreve. E sem dúvida foi um bom treinamento na prática, como chamam no Exército, um legítimo batismo de fogo.
De acordo com o Capitão Vinícius, a segunda fase foi marcada pela reorganização das cidades, das vilas, depois que a água começou a baixar.
“Quando a água começou a baixar, era lixo, lama, entulho, era o caos. Esse foi um momento crucial para os nossos operadores de equipamentos. Foi um momento importante de realmente utilizar os nossos equipamentos para proporcionar um nível de conforto melhor possível para todas aquelas pessoas atingidas”, lembra o Comandante.
A terceira fase foi o melhoramento dos acessos da região. “No caso das cidades maiores nem tanto, mas nas cidades menores, diversas estradas vicinais e de terra tiveram muitos lugares que ficaram inacessíveis, e a companhia atuou para melhorar esses acessos”, relembra o Capitão Vinícius.
SC: histórico de necessidade
O Capitão Vinícius explica que o nosso Estado, quando comparado com outros do Brasil, também tem um histórico grande deste tipo de necessidade.
“A transformação da infantaria para a engenharia foi justamente por considerar que a região estava carente desta força. O fato de já ter uma Companhia aqui facilitou, para não ter que começar uma construção do zero”, salienta o Comandante.
A Companhia de Tubarão conta com duas equipagens diferentes para travessia de meios. Uma é a passadeira, que é uma passarela, montada por encaixe das peças, que possibilita a travessia de pedestres.
Este equipamento tem um comprimento máximo de 144 metros. E tem também uma portada, que é uma balsa também montada, que utiliza barcos nas bases e pisos em cima, com capacidade aproximada de 12 a 14 toneladas, o que equivale a um caminhão.
Alistamento
A cada ano chegam novos jovens através do alistamento militar. Então daqui para frente será cada vez mais comum a população observar alguns treinamentos práticos das capacidades de engenharia.
“A montagem da passadeira, da balsa, nós fazemos aqui no rio Tubarão”, aponta o Capitão Vinícius.
Eventos
O Comandante antecipa o convite para a população de um evento tradicional que é sempre realizado em abril, a Regata de Engenharia. “É uma competição para promover o espírito de corpo, o bom ambiente da Companhia. Envolve remo, com o pessoal nas embarcações, e se cumpre diversas etapas com oficinas. As unidades de engenharia do Brasil sempre realizam, e agora todo ano, desde 2023 e daqui para frente, sempre em abril, será realizado este evento”, afirma.
Em abril tem a semana da Engenharia e do Exército, em homenagem ao dia 10, em virtude do patrono da engenharia, que é a data de falecimento de João Carlos de Vila Ramos Cabrito. Ele foi um Tenente-Coronel que atuou na Guerra do Paraguai, na década de 1860.
Em 19 de abril é comemorado o dia do Exército. Essa data corresponde ao ano de 1648, quando brancos, negros e índios se uniram para lutar contra os holandeses, no hoje Estado de Pernambuco. Foi quando surgiu a primeira noção de pátria.
Dia 25 de agosto, que é o dia do soldado, em homenagem ao patrono do Exército, que é Duque de Caxias, que também atuou na guerra do Paraguai, entre outros relevantes confrontos.
E no 7 de setembro, quando são realizadas exposições no shopping, desfiles e formaturas abertas ao público. “São datas que nós nos preparamos para aproximar a população, para que pessoas que não tenham contato com o Exército possam conhecer nosso trabalho”, orienta o Comandante.
Capacitação nos EUA
O Comandante Capitão Vinícius Coelho Machado, de 34 anos, nasceu em Sete Lagoas, em Minas Gerais. Filho e sobrinho de militares, ele ingressou cedo no Exército. Fez um concurso quando tinha 16 anos, à época podia, hoje em dia tem que ter o ensino médio completo.
Está há 17 anos no Exército, como a família precisava se mudar por questões de atuação em diferentes batalhões e companhia, e a família era de Fortaleza, ele acabou conhecendo sua esposa no estado do Ceará, a Camila.
O Capitão Vinícius assumiu o comando da 14ª Companhia de Combate de Tubarão no último dia 06 de dezembro.
Antes disso, ele atuava em Porto Velho, capital de Rondônia – uma unidade maior, onde ele fazia parte do efetivo, e um Coronel é que era o comandante do batalhão.
O comandante é formado na Academia Militar dos Agulhas Negras e, entre outros cursos, concluiu o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, no Rio de Janeiro.
Além desses, concluiu o Curso para Capitães de Engenharia do Exército dos EUA, no qual pode fazer um rico intercâmbio de conhecimentos com militares de outros 13 países.
O Comandante conta que as doutrinas do Exército Americano e Brasileiro são bem semelhantes, mas as peculiaridades dos países e a dificuldade do idioma tornam uma experiência profissional excepcional.
"Na primeira vez fiz o curso no Brasil, em 2001. Depois de alguns anos fui selecionado para fazer um curso semelhante nos Estados Unidos. Lá chamam de curso para Capitães de Engenharia, em Fort Leonard, no Estado americano de Missouri", afirma.
O Comandante conta que as doutrinas do Exército Americano e Brasileiro são bem semelhantes. “Porém com a dificuldade do idioma, a experiência profissional é excepcional, mas a pessoal também, de você estar inserido ali naquele meio, desenvolve a fluência para sobrevivência. Na turma havia convidados oficiais de vários lugares do mundo, éramos 16 estrangeiros, de 13 países diferentes. Eu era o único brasileiro”, conta.
O Exército destina os profissionais para os quartéis baseado na necessidade da força. Pela primeira vez o Capitão Vinícius está servindo na região Sul e já considera um excelente local para viver. Só revela de maneira bem-humorada que ainda não vivenciou o inverno do Sul.
* Matéria publicada na edição de Janeiro/Fevereiro de 2025 - Texto: Joyce Santos - Edição: Fabiano Bordignon - Revisão: Ronaldo Amorim Sant'Anna.