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O que vem antes do asfalto? A engenharia invisível que sustenta a economia brasileira

Antes das máquinas, engenharia e tecnologia garantem a qualidade das rodovias

Por Redação, Revista Única
07/08/2026 - 09h29.Atualizada em 07/08/2026 - 09h51
Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias, 67% da extensão avaliada apresenta condições classificadas como regulares, ruins ou péssimas - Foto: Divulgação

Mais de 75% das cargas transportadas no Brasil circulam pelas rodovias, que somam mais de 1,7 milhão de quilômetros e contam com uma frota superior a 3,5 milhões de caminhões. Em Santa Catarina, BR-101, BR-470, BR-282 e BR-153 são fundamentais para conectar áreas industriais, agrícolas e portuárias.

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A construção de uma rodovia começa muito antes da chegada das máquinas ao canteiro. Projetos, levantamentos topográficos, estudos do solo, sistemas de drenagem e análises laboratoriais são etapas essenciais para garantir a qualidade e a durabilidade do pavimento.

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A matéria-prima também tem papel decisivo. Cerca de 95% do pavimento asfáltico é formado por agregados minerais, como brita e pó de pedra, que passam por britagem, classificação e testes de qualidade. No laboratório, são avaliados fatores como resistência, umidade, granulometria e capacidade de suporte.

Outro ponto fundamental é a drenagem. A infiltração de água nas camadas do pavimento pode reduzir sua resistência e acelerar o surgimento de fissuras e deformações. Por isso, os sistemas de drenagem são planejados antes da execução da terraplenagem.

A composição do asfalto também varia conforme as características de cada rodovia, levando em conta tráfego, peso dos veículos, clima e condições do solo. Segundo as Empresas JR, são utilizadas cerca de 17 formulações diferentes.

A tecnologia ainda permite reaproveitar pavimentos antigos por meio do RAP (Reclaimed Asphalt Pavement). O material retirado das pistas é processado, analisado e pode retornar à produção de novas misturas. Dependendo da aplicação, até 20% da composição pode utilizar material reciclado, reduzindo o consumo de matérias-primas e a geração de resíduos.

Além da qualidade das obras, o investimento em infraestrutura tem impacto direto na economia. Rodovias bem executadas contribuem para reduzir custos de transporte, melhorar a segurança e aumentar a eficiência logística.

O cenário, porém, ainda exige investimentos. Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias, 67% da extensão avaliada apresenta condições classificadas como regulares, ruins ou péssimas.

Assim, embora o asfalto seja a parte mais visível de uma rodovia, sua qualidade depende de uma cadeia que envolve mineração, engenharia, laboratório, tecnologia, planejamento e manutenção.

Para o secretário de Infraestrutura de Criciúma, João Paulo Casagrande, a qualidade do pavimento vai muito além da mobilidade urbana. "Cada investimento em infraestrutura representa economia futura em manutenção, mais segurança para os usuários e melhores condições para o desenvolvimento das cidades. Uma rodovia ou avenida bem executada reduz custos operacionais e amplia a eficiência da logística."

No fim da viagem, a camada escura que os motoristas enxergam representa apenas a parte visível de um processo que começa muito antes da chegada das máquinas. Antes do asfalto existem rochas transformadas em agregados, solos analisados, projetos desenvolvidos por engenheiros, laboratórios que aprovam cada mistura e uma cadeia de tecnologia responsável por garantir que milhões de toneladas de riquezas continuem circulando, diariamente, pelas rodovias brasileiras.

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