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O Supremo adia respostas e prolonga o desgaste de Lula

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/09/2026 - 00h58

É difícil esconder a indignação diante do que o Supremo ofereceu ao país nesta terça-feira, dia 15. A sessão que deveria esclarecer suspeitas terminou marcada por confrontos, acusações e uma decisão novamente adiada.

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A Corte precisava demonstrar serenidade e autoridade. Entregou um espetáculo deprimente de divisão interna. Quem esperava respostas assistiu a mais um capítulo da desmoralização institucional.

O “decano” incendeia

De Gilmar Mendes, o ministro mais antigo da casa, seria razoável esperar moderação. Sua atuação no confronto com André Mendonça, porém, reforçou a impressão contrária: em vez de conter o incêndio, acrescentou combustível. Experiência não pode servir de licença para constranger colegas. O peso de uma toga não aumenta com o volume da voz.

O foco invertido

A sessão deveria avançar na discussão sobre as suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Mas a atuação de Mendonça ocupou o centro do embate. As condutas de todos podem ser examinadas. O que não convence é transformar questionamentos contra um ministro em obstáculo para esclarecer suspeitas contra outro. Misturar os casos pode até encontrar defesa processual; politicamente, transmite a imagem de uma proteção corporativa.

Fachin contestado

Flávio Dino questionou a condução do processo e defendeu a análise conjunta dos casos de Moraes e Mendonça. A tentativa de Fachin de apresentar uma Corte organizada voltou a esbarrar na resistência dos próprios colegas. O resultado foi um tribunal discutindo como julgar, sem chegar à questão que mobilizava o país. Mais uma vez, o rito consumiu a resposta. 

A vista conveniente

Dino pediu vista e interrompeu o julgamento. O prazo para devolver o processo é de até 90 dias, o que permite que a indefinição atravesse o calendário eleitoral. Pedir vista é um instrumento regimental. Isso não impede a crítica ao seu efeito concreto: Moraes ganhou tempo e a sociedade continuou sem resposta. Para uma Corte mergulhada em suspeitas, a demora cobra um preço que nenhum discurso institucional consegue apagar.

O placar real

Não houve absolvição nem decisão definitiva impedindo uma investigação. O mérito sequer foi analisado. O placar parcial ficou em quatro a três pela separação dos casos. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam análises separadas. Gilmar, Moraes e Cristiano Zanin ficaram pela reunião. Dino sustentou a análise conjunta, mas seu voto não entrou na contagem após o pedido de vista.bO Supremo adiou a resposta. Não encerrou o assunto.

As cadeiras vazias

Nunes Marques e Dias Toffoli não participaram da votação, após declarações de impedimento ou suspeição. As ausências reduziram ainda mais o número de ministros envolvidos na decisão. Uma Corte dividida, com integrantes afastados da análise e outros discutindo a própria atuação, oferece ao cidadão uma imagem devastadora.

A conta de Lula

Politicamente, o adiamento também cria dificuldades para Lula. Zanin, seu ex-advogado, votou pela reunião dos processos. Dino, seu ex-ministro da Justiça, defendeu a mesma posição e interrompeu a análise. Isso não prova comando do Planalto. Mas dificulta o discurso de distanciamento: dois ministros indicados por Lula assumiram posições que, naquele momento, favoreceram a estratégia processual defendida por Moraes. A oposição continuará explorando essa associação.

Tempo não apaga

Moraes ganhou prazo, mas o Supremo perdeu outra oportunidade de recuperar confiança. E Lula permanece exposto ao desgaste político de uma relação que seus aliados celebraram durante anos. A eleição não está decidida. Mas uma crise prolongada mantém o assunto vivo justamente na reta final da campanha. Adiar pode aliviar a situação de um ministro. Não restaura a credibilidade de uma Corte. E muito menos garante alívio nas urnas.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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