Fechar [x]
APOIE-NOS
Tubarão/SC
20 °C
14 °C
Início . Blogs e Colunas .Misael Elias

Comunicar em tempos de pressão — e a responsabilidade de representar

Por Misael Elias
27/03/2026 - 09h50

Quando o cenário exige mais da comunicação. Há momentos em que trabalhar com comunicação pública deixa de ser apenas uma função técnica e passa a ser, na prática, um exercício diário de responsabilidade.

 :: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Especialmente quando o ambiente exige mais do que divulgação: exige leitura de cenário, equilíbrio e, acima de tudo, consciência sobre o impacto de cada decisão —
inclusive das não decisões.

Nas últimas semanas, vivemos um desses momentos. Situações que ganham espaço público naturalmente pressionam a comunicação institucional. Não apenas pelo
conteúdo em si, mas pela expectativa que se cria em torno de respostas, posicionamentos e clareza. É nesse contexto que o papel da comunicação se torna ainda
mais evidente — e também mais desafiador.

Comunicar em tempos de normalidade é importante. Mas comunicar em tempos de tensão é o que realmente define a maturidade de uma estrutura pública.
E é justamente vivendo esse tipo de cenário, por dentro, que a gente passa a entender que comunicação não é apenas o que se publica. É o que se decide. É o tempo da resposta. É o cuidado com a informação. É a responsabilidade de não ampliar ruídos, mas também de não ignorá-los. Não existe fórmula pronta. Existe critério.

Entre a prática e o discurso

E talvez seja justamente aí que a comunicação pública deixa de ser teórica e passa a ser real.
Porque é muito diferente falar sobre transparência, posicionamento e conexão quando tudo está sob controle.

O desafio aparece quando o ambiente muda, quando surgem questionamentos e quando a expectativa da população cresce. É nesse momento que a comunicação precisa sair do automático.
Não para reagir de forma impulsiva, mas para agir com consciência.

Entender o cenário, avaliar o impacto e, principalmente, reconhecer que a ausência de posicionamento também comunica. Quem vive a rotina da gestão sabe que nem tudo é imediato. Há processos, há limites institucionais, há cuidados necessários. Mas há também um ponto que não pode ser ignorado: a percepção pública não espera.

O peso de representar

Em meio a esse contexto, surge uma oportunidade que carrega um significado ainda maior. Nos próximos dias, estarei participando como palestrante do 9º Congresso
Catarinense de Cidades Digitais e Inteligentes, em Balneário Camboriú, integrando o painel “Comunicação Pública que Conecta”.

Mais do que um evento, o congresso se consolidou como um dos principais encontros do estado quando o assunto é inovação no setor público. Reúne gestores, técnicos e profissionais que lidam diretamente com os desafios de modernizar a administração e aproximar o poder público da população.

Dividir esse espaço com outros profissionais é, sem dúvida, uma responsabilidade. Mas também é uma oportunidade de troca. Porque a comunicação pública não se constrói apenas com planejamento — ela se constrói com vivência.

E falar sobre comunicação enquanto se vive, na prática, um momento sensível dentro da própria estrutura pública, muda completamente a perspectiva. Tira o discurso do campo teórico e leva para um lugar mais verdadeiro.

Comunicação que realmente conecta

O tema do painel não poderia ser mais atual. Falar em “comunicação que conecta” vai muito além de presença digital ou produção de conteúdo. Conexão exige coerência. Exige consistência. Exige postura.

Hoje, a forma como uma gestão se comunica impacta diretamente na forma como ela é percebida. Não basta fazer. É preciso saber explicar. Não basta entregar. É preciso saber mostrar. E, quando necessário, é preciso saber se posicionar.

Ao longo da programação, diferentes profissionais irão compartilhar experiências sobre inovação, gestão e relacionamento com o cidadão. Isso reforça o quanto a comunicação deixou de ser um setor de apoio e passou a ser parte estratégica da gestão pública.

Participar desse ambiente, levando a realidade de um município como São Ludgero, também é uma forma de mostrar que cidades menores estão inseridas nesse debate. Que enfrentam desafios reais, mas também buscam evoluir. O que fica desse momento No fim, a comunicação pública é um processo em construção constante.

Não existe cenário ideal. Existem contextos — e a forma como se escolhe lidar com eles.

Representar o município em um evento como esse, especialmente em um momento onde o tema comunicação se torna ainda mais sensível, não é apenas uma oportunidade profissional. É uma responsabilidade. Porque, no fim, comunicar não é apenas falar. É saber quando falar, como falar — e entender o peso que isso carrega.

Quando o esporte recebe investimento, a cidade inteira ganha

Por Misael Elias
19/03/2026 - 16h18

Existe algo curioso quando falamos de políticas públicas voltadas ao esporte. Muitas vezes, aquilo que parece simples à primeira vista — como a entrega de uniformes, materiais ou o apoio a uma equipe — carrega um significado muito maior do que apenas um gesto administrativo.

 :: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Recentemente, São Ludgero voltou a demonstrar esse compromisso ao reforçar o apoio ao esporte com a entrega de materiais esportivos e a oficialização da parceria com o projeto Copobras Vôlei.

Para quem observa de fora, pode parecer apenas mais um ato simbólico. Mas quem acompanha o desenvolvimento esportivo da cidade sabe que iniciativas como essa fazem parte de algo maior: uma construção contínua de oportunidades para jovens atletas e para toda a comunidade.

O projeto Copobras Vôlei nasceu justamente com essa visão. Idealizado pelo ex-atleta e técnico da seleção brasileira de voleibol masculino, Renan Dal Zotto, o projeto busca fortalecer o voleibol feminino e criar um ambiente de desenvolvimento esportivo que vai muito além das quadras. A iniciativa conta com apoio do Grupo Copobras, da Prefeitura de São Ludgero e da Comissão Municipal de Esportes.

Mas o projeto também tem uma identidade muito ligada à própria história da cidade. Uma das idealizadoras é a empresária e atleta Lia Schlickmann, que sempre destacou o desejo de resgatar o legado esportivo e incentivar novas gerações de atletas a continuarem praticando o voleibol. A proposta vai além de formar um time competitivo: é criar inspiração para meninas que muitas vezes deixam o esporte ainda jovens por falta de estrutura ou oportunidade.

E é exatamente aí que iniciativas como a recente entrega de uniformes ganham um peso simbólico importante. O uniforme não representa apenas um material esportivo novo. Ele representa pertencimento. Representa identidade. Quando uma atleta veste a camisa do time da sua cidade, ela carrega consigo o orgulho de representar toda uma comunidade.

Outro aspecto que chama atenção no crescimento do projeto é o envolvimento da iniciativa privada. O Copobras Vôlei vem sendo abraçado por diversas empresas — não apenas de São Ludgero, mas também da região — que acreditam no potencial transformador do esporte e decidiram apoiar a iniciativa. Esse movimento mostra que, quando um projeto é sério e bem estruturado, ele mobiliza diferentes setores da sociedade.

Para 2026, o projeto já conta com o apoio de importantes empresas parceiras, como Cegero, Ateky, Strawplast, Packform, Metasul, Geraplast e Postos Leão, além de inúmeras parcerias com o comércio local. Esse engajamento demonstra que o esporte também tem a capacidade de unir o setor produtivo em torno de um propósito comum: incentivar o desenvolvimento de jovens talentos e fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade.

Esse tipo de parceria é fundamental para que iniciativas esportivas consigam se manter e evoluir. O poder público oferece apoio institucional e estrutura, enquanto empresas contribuem com recursos e incentivo. O resultado é um projeto que ganha força coletiva e passa a representar muito mais do que uma equipe esportiva.

São Ludgero já é conhecida regionalmente como a “Cidade dos Esportes”. Esse reconhecimento não surgiu por acaso. Ele é fruto de anos de investimento, planejamento e incentivo à prática esportiva em diferentes modalidades. O voleibol feminino surge agora como mais um capítulo importante dessa história.

Com o Copobras Vôlei, o município passou a ter uma equipe adulta disputando competições relevantes, inclusive em nível nacional, o que coloca São Ludgero no mapa do voleibol brasileiro e amplia a visibilidade da cidade no cenário esportivo.

Mas talvez o aspecto mais importante desse projeto não esteja apenas nas competições ou nos resultados dentro de quadra. Está no que acontece antes disso: nos treinos, na disciplina, no espírito de equipe e no exemplo que essas atletas passam a representar para crianças e adolescentes que estão começando agora no esporte.

O esporte tem uma capacidade única de transformar trajetórias. Ele ensina disciplina, respeito, superação e trabalho coletivo. Em muitas situações, também se torna uma alternativa positiva para jovens que precisam de oportunidades para desenvolver seu potencial.

Quando poder público, empresas e comunidade se unem para apoiar iniciativas como essa, o impacto ultrapassa qualquer resultado esportivo. O que se constrói é um ambiente de incentivo, pertencimento e desenvolvimento humano.

Por isso, gestos aparentemente simples — como a entrega de uniformes ou a oficialização de uma parceria — merecem ser observados com atenção. Eles são sinais de continuidade, de planejamento e de uma visão que entende que o esporte não é apenas lazer ou competição.

Ele é formação.
Ele é oportunidade.
Ele é futuro.

E quando uma cidade decide investir no esporte, ela não está apenas apoiando atletas. Está investindo em pessoas, em histórias e no orgulho coletivo de ver sua comunidade representada dentro e fora das quadras.

Misael Elias

Entrelinhas do Vale

É comunicador, diretor-geral de Comunicação da Prefeitura de São Ludgero e vice-coordenador da Câmara Técnica de Comunicação da Amurel. Palestrante e colunista regional, aborda gestão pública, cotidiano regional e a importância de uma comunicação clara e eficiente.

+Lidas

Revista Única
www.lerunica.com.br
© 2019 - 2026 Copyright Revista Única

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR