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Quem diz que Santa Catarina não faz diferença numa eleição presidencial

Por Fabiano Bordignon
13/10/2026 - 12h27

Quando o sono não vem ou mesmo se perde pelo caminho, eu acabo divagando muita coisa. É natural. E, em época de eleição presidencial, a imaginação é amplificada: afinal, em uma disputa eleitoral, no final das contas, a matemática é quem decide.

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Talvez, após esse texto, muitos eleitores catarinenses vão pensar diferente sobre um sofisma que se propaga nesse contexto. Há quem argumente que Santa Catarina tem pouca importância no cenário de uma eleição presidencial por representar “apenas”, em média, 4% dos votos válidos do Brasil — no primeiro turno, foi um pouco menos, 3,77%, para ser exato.

Mas, em uma eleição presidencial polarizada, a margem construída em Santa Catarina pode ter muita relevância nacional, mesmo que o Estado represente uma parcela minoritária do eleitorado brasileiro.

O ponto aqui é a diferença final que decidiu as últimas eleições. Após fazer essa soma, constato que os números do primeiro turno de 04 de outubro mostram algo relevante. SC registrou 4.500.897 votos válidos para presidente. Desse total, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 3.000.020 votos, equivalentes a 66,65%, enquanto Lula (PT) somou 1.127.168 votos, ou 25,04%.

O resultado deu uma diferença de 1.872.852 votos a favor de Flávio Bolsonaro no Estado. É uma margem expressiva quando comparada à diferença nacional entre os dois candidatos, que foi de 2.224.965 votos.

Em nível Brasil, Flávio recebeu 56.104.503 votos, contra 53.879.538 de Lula. Em outras palavras, a vantagem catarinense corresponde a aproximadamente 84% da diferença registrada em todo o país entre os dois candidatos.

Deixo claro que isso não significa que o resultado nacional dependa exclusivamente de Santa Catarina, mas demonstra por que a participação do nosso Estado não deve ser avaliada apenas pelo percentual de votos válidos que representa.

Essa diferença ajuda, é muito, a tirar a diferença na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, onde Lula tradicionalmente vence com ampla vantagem. É que as margens construídas em diferentes estados se somam para formar o resultado nacional.

 Uma vantagem expressiva em uma região pode compensar parcialmente a desvantagem em outra, assim como uma diferença menor em determinado Estado pode fazer falta no fechamento da conta nacional.

Santa Catarina não precisa representar 20% ou 30% dos votos brasileiros para ter importância. Com 3,77% do total nacional e uma diferença superior a 1,87 milhão de votos entre os dois candidatos, o Estado demonstra que seu resultado tem dimensão suficiente para entrar de maneira significativa na análise de uma disputa presidencial.

Mesmo depois de uma vitória gigante no primeiro turno, impulsionada por Jorginho Mello, o governador sabe que não há espaço para acomodação. Ele engatou a quinta marcha logo após a vitória e, certamente, tem ciência clara que isso é fundamental para ampliar a vantagem e chegar ao dia 25 de outubro com uma diferença ainda mais elástica. Ela pode fazer muita diferença para dar a vitória a Flávio Bolsonaro.

Fabiano Bordignon

Blog do Bordignon

Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.

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