A paralisação, inicialmente total e agora temporária, da Ponte Anita Garibaldi para a realização de reparos reacendeu um debate importante. Mais do que a necessidade da intervenção, o episódio expõe um comportamento recorrente da política.
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É quando surge um problema de grande repercussão, rapidamente aparecem parlamentares disputando entrevistas e publicações nas redes sociais, transformando uma questão técnica em palanque eleitoral.
É natural que deputados acompanhem obras e cobrem soluções ainda mais em ano eleitoral. Esse é um de seus papéis. Mas, o que chama atenção, é que essa mobilização costuma ganhar força justamente quando o problema já está instalado.
A fiscalização e a cobrança, entretanto, deveriam ocorrer de forma permanente, muito antes da necessidade de interditar uma das principais ligações do Sul catarinense.
A Ponte Anita Garibaldi não começou a receber um fluxo intenso de veículos ontem. Há anos ela suporta um tráfego diário expressivo, com veículos leves e pesados circulando continuamente.
Isso significa que a manutenção preventiva, o monitoramento constante e a fiscalização rigorosa da estrutura deveriam fazer parte de uma rotina técnica, e não serem impulsionados apenas por situações de emergência.
A prevenção custa menos, evita transtornos e, principalmente, reduz riscos à população. Quando o poder público, os órgãos responsáveis e a empresa encarregada da manutenção atuam de forma integrada, acompanhando os pontos de maior desgaste e realizando intervenções antes que os problemas se agravem, todos saem ganhando.
A boa política não é aquela que aparece quando a crise explode, mas a que trabalha silenciosamente para impedir que ela aconteça. Obras estratégicas exigem fiscalização contínua e responsabilidade compartilhada.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.
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